
Tenho mergulhado fundo na Cidade por esses últimos tempos...
Um mergulho cruel, insensato para aqueles que não me vêem.
Uma Cidade cheia da mesquinhez humana, embutida em pilhérias gargalhantes por fazermos parte da grande piada humana, e as pessoas correndo soltas porque é muito fácil ser ruim. ( As pessoas são ruins!...)
A Cidade me esmaga debaixo de seus pés nebulosos.
Vejo a palhaçada que permite aos mendigos pedintes!
Enxergo sob o véu do comodismo que há gente que é como EU, só que EU, refestelada no meu sofá de sonho, fico esperando algum milagre acontecer.
- Aconteça, milagre!
E nada faço para reverter isso!...
Cidade cretina que não dá espaço pros sonhos...
Um dia, fui no mais alto andar de um prédio e vi as formigas correndo desesperadas!
E eu, a Deusa, porque os via "de cima", fiquei soberba por ser "maior"!
Maior que o quê? Maior por vê-las menores? Isso é ser maior? Ver maior é ser MAIOR?
Matemática injusta, não fazedora de parte da ciência exata...
Não engulo os parâmetros da Cidade.
Meu "Bom dia" para as pessoas que mais amo, não pode ser igual ao "Bom dia" para as pessoas que detesto!
Tem que ser diferente, Cidade!
O "Bom dia" para os que amo é BOM DIA, e não, " bom dia", mas por que me exige que seja igual????
Odeio a hipocrisia da Cidade!
A Cidade dos Bacanas, daqueles que se julgam bons entendedores!
Entendedores do quê, carambolas?
Entendedores da pseudo-máquina administrativa que nos empurra o próximo imposto a pagar?
Ver valas negras e saber que isso é de 'Cidade'?
Saber que o crack virou droga de elite?
E que essa droga é mesmo uma droga por que destrói e vicia mais rápido que a cocaína?
Ah, Cidade miserável!!!!
Eu, quieta, com meu vinhozinho inocente, com você me cobrando coisas!
Cidade, esse é o ÚNICO "vício" que me permito, e às vezes, apenas os doces vinhos tintos, em doses moderadas, não fico bêbada, apenas alegre, dentro do recesso do meu lar, Cidade, e você cretina que só, fica falando:
- Não beba!
E não BEBO mesmo!!!!
Porque EU sei a hora que começo e páro o meu próximo "gorgolejo" na garganta.
"Alegrinha" é o máximo que o meu senso de decência aceita, e não você, Cidade, quem vai me impingir as regras do jogo.
Fui à uma festa dia desses.
Queriam que eu bebesse cerveja.
- Não, obrigada! Só bebo vinho e bem pouco, e dos tintos suaves de mesa!
A Cidade quer que em festas eu beba cerveja, mas eu não poderia, JAMAIS, parar no bar da esquina para fazê-lo!
Sou alguém do sexo feminino, fica feio, pega mal!...
E a Cidade se "amarra" em ver a molecada sufocando os pulmões com o "permitido" crack.
Aqueles garotos que, com uns vinte e cinco centavos, descolam um "barato" rápido e... barato!
É, mata mais rápido e ninguém precisa "recuperá-los". A Cidade não quer preocupações...
A Cidade é divertida!
Vamos para a balada noturna? É, legal cozinhar o corpo debaixo de holofotes ilusórios.
Mas seres que se querem sempre caem na rede.
Na rede cibernética, na rede de pesca, na rede-armadilha, na rede, na rede...
O que mais vemos na Cidade é a "Solidão a dois".
E em cidades quais Nova Iorque, a conotação toma outra proporção, que a matemática sustenta, nem sei como: a "Solidão a mil".
Um tijolo junto ao outro forma uma casa; várias casas, um bairro; vários bairros, uma Cidade e essa evolução nos involui.
Que paradoxo da vida estranho, que tanto maior o número de pessoas, maior a solidão de nós!!!!
Sigo "Aquela rua dos tijolos amarelos" parecendo a perdida Dorothy de O mágico de Oz.
E se eu encontrar minha casa como ela nessa Cidade, eu vou me encontrar também? Não.
A Cidade é uma fêmea nojenta que quer mudar de sexo.
Quer "devorar" sem perdão tudo o que vê pela frente, igual ao conceito masculino bobalhão, que valoriza mais a quantidade que a qualidade.
Você não manda em mim, Cidade, tenho dito!
Faço o que quero!
É desastroso perder uma filha sua para o bom-senso?
Pois não, eu sou quem eu posso ser e você não tem nada a ver com isso!!!!
Não jogo papéis na rua, não arremesso objetos através de janelas de transportes públicos, devolvo o troco que me dão a mais, não furo fila, não desejo mal ao meu próximo, não passo a perna no meu colega de trabalho para conseguir cargo "melhor", adoro ajudar a entregar sopões solidários em meu bairro, forneço o meu sorriso mais prazenteiro ao irmão que sofre e ainda assim, Cidade, não sou "boazinha".
Disseram que eu sou uma pessoa boa.
Não, Cidade, sou apenas legal.
Você quer que eu seja generosa para me pisotear depois, eu sei; a Cidade costuma detestar aqueles que são bons de coração.
Ai, pitomba, você não me manda, Cidade!
Se nem a "Pátria me pariu", seria você quem iria me "governar"?
Não me venha com "frescura de mulher" porque, desse tipo de frescura, eu já faço uso, e com louvor, tudo bem?
Não saio de casa sem o meu batom.
A roupa é sempre nova em QUALQUER festa que eu for.
Adoro elogio masculino, ADORO!!!!
Meus cabelos negros pela cintura, sempre soltos e cheirosos, para onde quer que eu vá, para a padaria, o parque, a praia... ( Ah, me permita a língua do P!)
ADORO aquela "Síndrome de Sansão" cuja força estava no cabelo. ( Minha mãe sempre me aconselhou, desde sempre, a soltá-los. Fico poderosa e prosa com eles balançando bestas nas costas desavisadas!)
Não, não me venha com essa "frescurite" de quem tem TPM porque, isso, não tenho mais!!!!
Exercito meu corpo, bobona, e nenhum desconforto ataca as fêmeas que extinguem a irritabilidade fazendo o "No pain, no gain"! (Sem suar, não dá!)
Não confundo, Cidade, JAMAIS, a língua do L:
Sou liberta, libertária, mas não libertina!...
E, Cidade...
Um aviso, querida:
Você não poderia mesmo me consumir!
Porque não sou consumista!
Quer levar meu relógio de pulso em forma de coração como já fizera um dia?
Leva, leva, não me importo...
Quer levar meu brinco de argolas, aquele que eu mais gostava?
Leva também pois, também, não me importo.
O que há de melhor em mim, você não busca, e nem tente!
Nesse peito esquerdo, ainda bate um coração!
Nem vem, que você não leva!
Curto o sol das manhãs, e o Homem de Lata que há em mim, recupera seu coração que andava perdido!
Se eu vir algum noticiário de crime, o coração, aquele que estava perdido, volta correndo, se compadecendo com os que sofrem.
E o vento que bagunça meu cabelo, é o MEU vento, e ele não te pertence!
Adoro o vento, Cidade; ele é inconstante, porém, sincero.
Um mistério de ar que se move aqui, e move em outro lugar, ao mesmo tempo, arrepiando os meus poros que ardem por emoção!
ADORO o vento...
Ele faz uma mistura deliciosa entre o arrepio de pavor e o arrepio de amor...
Brincalhão, debochado e sensível esse meu vento!
Zunindo nas minhas árvores dizendo que me ama!
Quando quero entendê-lo, ele se vai, levando suas brincadeiras para outro lugar , e eu espero, pacientemente que volte, porque ele me absolve e me perdoa pela minha não-compreensão.
Ele volta mansinho, em paz, só que causando um furacão dentro de mim, satisfeita que sou pela sua loucura sóbria.
Ah, Cidade, você um dia entenderá o que é sentimento?
Acho que não.
Quando você quiser mesmo me ganhar, tente, em vão, atingir meus sentimentos.
Aviso de antemão, porém, que o que há de melhor em mim, não está em você!
Eu, sempre, Cidade, sempre, optarei pelo o amor que nutro pelas pessoas.
Se um dia, você, metida a saber de tudo, conseguir vender em alguma loja esse sentimento maior, serei a primeira a estar nessa fila, sem furá-la jamais.
Você já estreou a loja?
Qual é o horário, então, de abertura?
Já estou lá, com o peito arfando de amor e paz, porque o amor é um eterno inimigo da guerra...
(Imagem:
http://downloads.open4group.com)

Verifique com atenção se o seu ano de nascimento está na lista , ok?













