PARA QUEM AMA GATOS

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Análise de "Na Moral", com o Jota Quest



A música que analiso hoje é Na Moral, que é do ano de 2001, do álbum Discotecagem Pop Variada, composta por Rogério Flausino, Wilson Sideral, Marco Túlio Lara e Play, interpretada pela banda Jota Quest.
O que as pessoas fazem para se sustentar em sociedade com certa alegria é a melhor definição que podemos dar à música. O otimismo vindo de qualquer jeito, mesmo que artificialmente.
Naturalmente a maioria de nós sabe o que significa  o próprio título Na Moral: com tranquilidade, na boa, gíria muito usada em quase todas as situações que conotem  algo agradável.
Como viver em sociedade levando as coisas a ferro e fogo? A letra sugere que sejamos tranquilos e otimistas diante dois problemas, embora nos percamos com subterfúgios nada aconselháveis.
Vejamos em: "Vivendo de folia e caos, quebrando tudo, pra variar/ Vivendo entre o sim e o não/ Levando tudo/ Na moral". Aqui percebemos as contradições da vida - "folia" e "caos", "sim" e "não", e até o mesmo o termo "quebrando", contradizendo seu verdadeiro significado (na gíria, "quebrar tudo" quer dizer "se dando bem"). A diversão e a bagunça vão sempre existir, sim e não também. O que devemos fazer? Tratar tudo com tranquilidade.
"Uma manchete no jornal/ Não vou deixar me abalar/Mais uma noite, Carnaval/ No Brasil, só na moral". Uma certa ironia temos nestes versos. Essa manchete no jornal, naturalmente uma notícia ruim, não importa muito pois na noite seguinte, no Brasil, é Carnaval, onde é tradicional as pessoas esquecerem as amarguras. É possível que os autores da letra tenham feito alusão a esse esquecimento fácil do brasileiro dos problemas, quando ocorre a festa popular de todos os anos no país. De qualquer maneira, há otimismo neste discurso pois, seja como for, as pessoas ficam "na moral", ou seja, tranquilas.
A crítica à violência urbana temos em: "Viver entre o medo e a paz/Pode fazer pensarmos mais/ No que a gente tem que fazer/ Pra ficar vivo/ Pra variar". Infelizmente numa sociedade violenta como a nossa, a maior preocupação é manter-se vivo, o mínimo que se pede enquanto ser.
A necessidade de  elementos de bengala emocional e as contradições da vida em sociedade, se dão em: "Quando tudo parece não ter lógica /Bombas de amor, tiros de amor, drogas de amor/Qualquer paranoia vai virar prazer... de viver/ Na moral". Há também uma crítica feroz às pessoas que se entregam aos distúrbios sociais que afetam suas vidas e por isso recorrem a preenchimento emocional. "Bombas de amor, tiros de amor e drogas de amor", vemos que em nome de um apego qualquer , um motivo para viver, as pessoas apelam para discursos do tipo: "matei por amor", no casos das bombas e tiros. As tais "drogas de amor" são o ecstasy e o LSD, já que há pessoas que usam esse tipo de artifício para sentirem prazer. Os autores, inteligentemente, consideram  isso "paranoia" para se adquirir prazer, para que nossa sociedade tenha um pouco de tranquilidade.
Uma dica de como se viver, de verdade, "na moral" , sem apelo, na calma e na boa, acontece nesta passagem: "Me deixa tentar falar pra você o que é viver/ O que é sentir/ O que é ter prazer se vivendo na moral/ Na moral, comportamento super natural / É ficar no sapato e na humilde/ E deixar rolar tudo que existe por dentro de bom/ Então deixa acontecer, rapaziada/ Deixa tudo na moral". É tudo tão claro nestes versos, que nem precisa de explicação. Viver "na moral" conforme a letra, é estar  bem consigo mesmo, sem querer destruir ninguém, sem fugas, nem artificialidades.


Agora deixo para todos nós o vídeo de Na Moral, com a banda Jota Quest!




(Imagem:
https://www.facebook.com/MaryDifattoOficial)

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Retroviroses - A Aids felina


Infelizmente uma das coisas que mais perturbam quem cria gato são as doenças. São muitas, descobri com tristeza, por todos esses anos de convívio com eles.
A que eu trouxe hoje para o Fatos de Fato já ouvi falar há muito tempo, embora não tivesse pesquisado nada a respeito.
Nenhum dos meus gatos teve, só que me preocupo assim mesmo. Quero o bem deles, naturalmente, por isso estou sempre atenta.
Em alguns sites que fui, tive uma noção do que se tratava algumas dessas doenças. Por exemplo, existem as retroviroses, que são consideradas a Aids felina, já que o princípio é o mesmo: a doença faz o bichano morrer pelas doenças oportunistas, sendo o mesmo gênero do HIV. E com sintomas parecidos com seres humanos quando estão infectados pelo HIV: perda de peso, perda de apetite e apatia, são alguns deles.
As retroviroses são:  Imunodeficiência Felina e Leucemia Viral Felina.
Ambas são fatais sem o trato, pois o bichano fica com a defesa do organismo bem debilitada, logo, problemas como anemia, alterações neurológicas, otites, etc., invadem já que o caminho está livre para eles.
A doença é transmitida por animais contaminados, através de mordidas, salivas ou lambeduras.
Os gatos machos são mais propensos a contraí-las,  pois costumam andar em ruas com mais frequência e brigar com outros gatos na época do cio.
Não é transmitida para nenhum animal de outra espécie - nem seres humanos- apenas passa outros felídeos.
Uma dica para o gato não contrair as retroviroses, é não deixá-lo ir para a rua, já que poderia entrar em contato com animais infectados.
Assim como a Aids, não tem cura, mas tem tratamento, que ameniza muito os sintomas.
O tratamento é realizado a partir do diagnóstico do veterinário, que pode incluir: antifúngicos, antimicrobianos, fluidoterapia, transfusões sanguíneas e dietas hipercalóricas.
Importante estarmos sempre de olho em qualquer sintoma em nossos bichanos. Apresentando alguma alteração, levá-lo ao vet é a melhor opção.
E, claro, tentando preveni-lo das doenças, com boa alimentação, higiene, evitando o acesso deles à rua.
Cuidar dos pets é a nossa maior prova que os amamos!


(Imagem:
Fonte desconhecida)
Fontes da pesquisa:
http://resumaodeveterinaria-apbetioli.rhcloud.com/
http://www.cachorrogato.com.br/)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Análise de "Te Ver", do Skank




A música Te Ver, cantada pela banda Skank, é do álbum Calango, do ano de 1994, composta por Chico Amaral, Samuel Rosa e Lelo Zaneti.
De conotação romântica, em cada verso descobrimos, que é mesmo impossível ver a pessoa amada e não querê-la.
 O tempo inteiro o personagem compara situações em nossas vidas que comprovam que quem amamos, é um ser que não dá para se ignorar: é ver e, automaticamente, querer.
Mesmo sendo uma letra essencialmente romântica, percebemos algumas passagens de críticas sociais e também subjetivas. Afinal, nem tudo que gostamos é o que os outros gostam...
Uma das poucas músicas que começa pelo refrão e distribui os versos como divagações a supostos comentários.
"Te ver e não te querer/ É improvável, é impossível/ Te ter e ter que esquecer/ É insuportável, é dor incrível", nos próximos versos a comparação, para que consigamos entender porque é tão impossível assim:
"É como mergulhar no rio/ E não se molhar/ É como morrer de frio/ No gelo polar". Temos aqui, a impossibilidade real da coisa, não um modo de dizer, com certeza, uma verdade literal: mergulhar no rio e não se molhar, e estar no gelo polar e não morrer de frio, é o que podemos afirmar como
impossível.
Já em: "É ter o estômago vazio e não almoçar/ É ver o céu se abrir no estio e não se animar", notamos que o personagem sintetizou o consenso popular de que se está na hora do almoço, vamos nos alimentar. O mesmo ocorre no caso do céu quando vem o Sol, e as pessoas, no geral, se animam. Aqui é subjetivo. Depende de cada um. Esse "impossível" não se aplica em casos de pessoas que não almoçam nunca ou adoram dias de chuva. Pessoas assim, não usariam esses versos para comparar o quão é impossível ver a pessoa amada e não querê-la.
Em: "É como esperar o prato/ E não salivar/ Sentir apertar o sapato e não descalçar", temos um gracejo e uma verdade. Naturalmente esse salivar o prato, faz referência ao dito popular sobre pessoas ingratas que "cospem no prato onde comem". Para elas, é impossível não desprezarem a comida com uma saliva. Mas isso é subjetivo e acaba ficando até sendo engraçado imaginarmos a cena, embora seja um humor bem insólito. E a verdade coletiva é que todo aquele que sente apertar o sapato, descalça. Talvez não em público, talvez aguente por um período, mas em algum momento vai fazê-lo.
O lado lírico e de verdade literal, temos em: "É ver feliz alguém de fato/ Sem alguém pra amar/ É como procurar no mato/ Estrela do mar". Para os românticos, não há felicidade sem um ser para se amar e, é claro, estrela do mar só tem em água. Não se pode acha-la em matos, não é mesmo?
"É como não sentir calor/ Em Cuiabá/ Ou como no Arpoador/ Não ver o mar". Olha a geografia brasileira sendo destacada e com veracidade! Cuiabá, capital do Mato Grosso, uma das mais quentes do país, realmente não dá para chegar lá e não sentir calor, assim como estar na lindíssima Praia do Arpoador, no bairro de Ipanema, Rio de Janeiro,  e não ver o mar, é de fato, impossível! Uma ressalva a ser feita é que Arpoador pode ser uma referência à Pedra do Arpoador, no mesmo bairro, e que, do mesmo jeito, fica impossível não ver o mar...
"É como não  morrer de raiva/ Com a política/ Ignorar que a tarde vai/ Vadiar e mítica". Seja em que época for, a música foi lançada em 1994, mas a verdade é: sempre dá raiva a política! É impossível estarmos totalmente satisfeitos, seja de um jeito ou de outro, ainda que alguns políticos sejam de nossa escolha. Deixar de lado uma tarde, cujo consenso popular diz que é o fim do dia, logo, conhecido para se vadiar, é impossível para aqueles que podem descansar à tarde ( a tal vadiagem da letra, é apenas um relaxamento pós trabalho). Aqui o aspecto é subjetivo, já que muitas pessoas  que trabalham o dia inteiro, e não têm hora certa para o descanso. E esse "mítica" que a traz a letra, faz sentido no aspecto que parece uma invenção, um mito. Por exemplo, as imagens que um crepúsculo bonito forma no céu. Só a tarde fornece esse quadro que a natureza cria, dando aquela sensação de devaneio, algo tão agradável aos olhos e à alma.
Uma ironia e uma ideia particular temos em: "É como ver televisão/ E não dormir/ Ver um bichano pelo chão/ E não sorrir". A ironia está na referência à programação televisiva que, em muitos casos, é bem chata e repetitiva, causando sono. É impossível uma pessoa não ter dormido, em alguma vez na vida, ao assistir TV. No caso de ver animais, a ideia é particular já que só cabe para quem gosta de bichinhos. Por extensão, não só em caso de gatos como sugere a letra, quem gosta de animais vai sorrir ao avistar um cachorro, um coelho, um papagaio, e outros mais, e nem será somente pelo chão. Pode ser em qualquer lugar. Para quem não aprecia estes seres, não irá sorrir, e se for gente perversa, pode até maltratá-los.
"E como não provar o néctar/ De um lindo amor/ Depois que o coração detecta/ A mais fina flor". Nestes versos, a comparação de "ver"  e "não querer", se faz na própria arte de amar, motivo principal da composição. Realmente é impossível uma pessoa não querer provar o sabor, o néctar de um amor verdadeiro, depois que o coração o descobre. O contraste de que é o amor que tem o néctar, e não a flor, é magnífico! A flor aqui funcionando como o frescor, a vitalidade, a realidade de seus sentimentos, e naturalmente, a sensibilidade daqueles que amam de verdade.


Para todos nós, o vídeo com a belíssima música Te Ver!




(Imagem:
Fonte desconhecida
Edição de imagem:
Página Mary Difatto)

domingo, 25 de outubro de 2015

A Capacidade de Sermos Fênix


         (Post escrito por Mary Miranda especialmente  para  Fênix - Vidas Que Renascem,
blog de Jackie Freitas)

Num tratado de sobrevivência insofismável, no derradeiro senso de  conquista tendo o céu como limite, nós, insondáveis como seres pensantes, abrimos asas e voamos para onde quer que as elas alcancem!
A linha que corta o horizonte não é aquela do imaginário Equador, pois se há alguma benevolência em se pensar,  é que a estrutura mental do ser não embota a mente para o infinito!
Reduzidos a pó, pá de cal tremente em cima dos corpos pulverizados, lá adiante, fortalecidos, nos pomos de pé, prontos para a luta subsequente!
Inglórias lembranças ainda no presente, passados que torturam e um futuro incerto talvez propulsores de dor, não resistem à força que emana da lógica  de que acasos não existem, fazendo-nos crer numa
improvável, conquanto agradável, sensação de retorno e garra, vitória e sucesso meritórios!
O que chamam de 'tirar leite de pedra' é a caraterística principal de qualquer Fênix!
Saber-se combalido, restrito, extinto, e assim mesmo levantar a bandeira dos imortais, retirar de um chão inexistente, um céu de estrelas que fulguram o olhar do meu irmão, do meu semelhante, é ter
nas asas de ave castigada, um arsenal  ilimitado para uma guerra de paz...
O olhar de uma benevolente ave Fênix é sempre à direita. Via única, não tem opção...
Escorreguemos uma vez só a visão para a esquerda e o ato segrega dimensões nefastas, incongruentes!
Ave Fênix, no sentido de amor e ressurgimento, é para a direita o seu alvo! O lado da Justiça, da Certeza e do Pai!
Injustiçada, a mitológica ave confundida com o Mal, agora não tem como refazer-se desses valores ímpios construídos numa Grécia longínqua!
Como ave redentora, construidora de sonhos, assim mesmo, com opções mínimas, conduz a orquestra do florescer!
Essas cinzas surgidas após a sua destruição na fogueira, têm função única em sua nova vida: saber que tantas tragédias surgirem, tantas tragédias vencidas...
Nascendo e renascendo, nascendo e renascendo, voltem cinzas para o seu lugar, porque Fênix não desiste nunca, imortal e sobrenatural, acalentando  no seu ninho seus rebentos, seus descendentes, não como filhos de carne, mas filhos de luta eterna e etérea!
O poder que há nesse estigma em se olhar para a direita, simbólica de bem, é reduzido? Não cabe ao homem entender sobre Céus...
Pois se o olhar é para a Direita, o Amor de uma Ave Fênix continua cabendo no lado Esquerdo do peito!...
E se essa luta armada para vencer obstáculos imaginários ou reais, sendo feita de  linha  de Equador, Greenwich, numa Via Sacra, Láctea, Via Crucis, se isso tudo corresponde, transmuta, absorve, corrobora para favorecer um néscio de ser, um espirro de vivência, se trouxer bondade, vamos à ela, então, ressurgindo e ressurgindo, vindo as cinzas para lembrar-nos que podemos sobreviver!
Captação de recursos que somente a dor pode liberar! Alguém aprende a ser bom, quando se está bem? É na dor, somente na dor, que reconstituímos nossos pedaços soltos...
A Fênix, sem contrariar essa verdade, se torna melhor à cada destruição de sua existência!
Como que dizendo a que veio, peça por peça encaixada no seu quebra-cabeça para o estímulo!
"Se eu retirei desse solo o que não me permitiram, você pode retirar desse solo, o que eu te forneço agora!", esse é o jeito de uma Fênix nos convencer que podemos mudar destinos...
Não nos conduzamos à mistificação, não louvemos como impossível aquilo que os olhos não veem!
Se uma Fênix só pode olhar para a direita e enxerga por todos os ângulos, por que nós, os illimitados, infinitos, cíclicos, nos restringiríamos ao comodismo?
Todos nós temos a obrigação de sermos a Ave Redentora!
Porque o que nos faz Fênix é exatamente nossa capacidade de nos reinventarmos, superarmos as cinzas que povoam muitas vezes nossos corações, e aparecermos logo adiante, radiantes, formosos, fortes para a próxima batalha para o bem!
Que cinza seja sempre a cor que tonaliza vestuários.
Não deixemos o dia cinza, não façamos dos nossos dias, cinzas!
Libertemos a nossa Fênix mais primorosa, aquela que voa longe, atravessa mares, e que encontra sempre um lugar prazenteiro no coração daqueles que trazem a pureza de alma, sabendo que a esperança é como uma flor, que nem sempre nasce num jardim, mas jamais perde o seu
encanto...

(Imagem:
Fonte desconhecida
Edição de imagem:
http://www.facebook.com/FRASESMARYMIRANDA)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

7 Anos do Fatos de Fato



Olhem só que número mais significativo é esse tal de "7"!
Não posso fugir dos clichês, obviamente, dizer que "sete" é místico e até mesmo bíblico.
Vejamos os "7" famosos:

7 são os dias da semana;

7 são as cores do arco-íris;

7 são as notas musicais;

7 são as Maravilhas do Mundo;

7 é o número de Anões da Branca de Neve;

7 é o número da sorte;

7 são os dias que Deus criou o mundo (embora tenha descansado no último, segundo a Bíblia);

7 é o número de artes reconhecidas;

7 são os anos que muitos casamentos entram em crise;

7 são os pecados capitais;

7 é o número de vidas que um gato tem.

Ah, os gatos... Agora entrou na área que tanto adoro!!!!
Pois eles, sendo naturalmente misteriosos, tinham que ajudar o aniversariante Fatos de Fato, a endossar o mito do sete por aqui também!...
Observem a mágica do número no blog:

7 de outubro de 2008 é a data de nascimento do Fatos de Fato;

7  de outubro de 2015 é a data que o Fatos de Fato completa 7 anos;

7 é o número de letras que meu sobrenome artístico tem - Difatto - que é em homenagem ao blog;

7x3 é a soma da idade dos gatinhos que tenho;

7 é o número de gatos que tenho atualmente!

Com tanto ar de  mágica e bom agouro (7 também é considerado o número da perfeição), o Fatos de Fato não poderia deixar passar em branco, ignorando essa proeza.
O que há por trás deste número? Mistério!...
Eu só tenho a acrescentar que agradeço por tudo que este blog me proporcionou e há ainda de me trazer, sendo sete, oito nove, dez anos.
E se eles, os bichanos, com aquele segredo felino que ninguém desbrava, contribuíram com a formação em sete no dia do níver do Fatos de Fato, então serão eles os merecedores para completar o festejo em fotos (Para ver melhor, clique na imagem).
 
Feliz Sete Anos de Vida, e sobreviva qual um gato, Fatos de Fato!
 
 
(Imagens:
Primeira imagem:
Fonte desconhecida
Edição de imagem:
Segunda imagem:
 
                                                               


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

"Verdades Secretas": Angel matou Alex por amor


Tenho visto tantos comentários - positivos e negativos -,  e até "crise de abstinência", devido ao término  da novela Verdades Secretas, que senti vontade de me mexer na cadeira e escrever minha simples opinião sobre o emblemático último capítulo da obra.
Não, não me perguntem sobre Fanny ter terminado numa boa, sem pagar pelo crime de levar adolescentes a fazer "book rosa", arrumando até mesmo um novo garotão a quem pudesse dominar através do dinheiro; Anthony e  Giovanna terem ido, dentro de um triângulo amoroso, para Paris, com a frieza e o egocentrismo típicos; sobre o próprio "book rosa", se acabou ou não; Larissa ter se libertado das drogas; sobre Visky e Lourdeca só ficarem juntos quando estão bêbados; Pia, por largar seu apego à riqueza e aceitar uma vida menos exuberante ao lado de seu "namorido" Igor; até mesmo o fato mal explicado que uma  arma de um crime fatal não tenha sido retida pela polícia e volte para a mesma casa onde ocorreu a tal fatalidade.
Nada disso. Meu papo reto vai ser sobre o amor, esse "sujeito" tão rarefeito  no perfil da maioria dos personagens desta ficção.
O amor é estranho, bem estranho, e tem um caminho muitas vezes torto para fazer valer. É o maior dos sentimentos que um ser humano pode ter, e é tão perfeito, que o axioma de nossa existência é exatamente esse: só é considerada PESSOA aquela que verdadeiramente ama alguém ou algo.
Angel era uma pessoa, no sentido real da palavra: ela amava!
Para entendermos o sentimento da moça, é necessário se fazer um pequeno retrospecto de sua trajetória como garota humilde do interior, até sua consagração como modelo. 
Carolina, a mãe de Arlete (Angel era o seu nome artístico, todo mundo lembra disso) fora traída pelo marido, que tinha uma nova esposa e filha, a pequena Yasmim.
A ainda adolescente de 16 anos, Angel, sempre quis ser modelo, e a sua oportunidade chegou, quando ela e a mãe se mudaram para a casa da avó na capital de São Paulo. Foi agenciada por Fanny e imediatamente chamou a atenção por sua beleza e carisma. 
A avó passava por problemas financeiros. Logo Angel aceitou algo que tanto recusava, que era  o famigerado "book rosa", aquele onde modelos aceitam fazer programas com clientes que pagam pequenas fortunas.
Quitou a dívida da avó. E aconteceu o imprevisto: apaixonou-se pelo seu cliente, o Alex.
O empresário Alexandre Ticiano, mais conhecido por Alex, rico, despótico, egoísta e um pedófilo, trazia em sua personalidade um gosto por modelos bem jovens, ao ponto de considerar mulheres de 26 anos, por exemplo, como "velhas".
Por algum motivo ficou obcecado pela garota interiorana e a recíproca era verdadeira!
Não demorou muito, e a avó descobriu que a neta fazia programas. Enviou a garota, imediatamente, para a casa do pai no interior do estado, sem que a filha Carolina soubesse o motivo genuíno.
Lá ela conheceu a nova mulher do pai e a sua irmãzinha Yasmim, um doce de criança que até uma flor lhe ofereceu, quando Letinha - Angel -, entrou em seu quarto.
Muitos percalços passou a adolescente. Já tinha namorado Guilherme, mas nunca sentira amor por ele (seu carinho era mais por ter sido o rapaz, o primeiro homem de sua vida). Não pôde mais exercer a profissão de modelo, condição imposta pela avó para não se envolver novamente em "romances pagos". 
Voltou para casa.
Algum tempo depois, estava nas passarelas novamente, e novamente  envolvida com Alex.
Uma acusação de estupro de uma colega de profissão, porém, a afastara do cara que tanto a atraía.
Alex armou um casamento com Carolina, só para ficar mais perto da moça.
E conseguiu. Afastada a suspeita de estupro, Angel largou-se nos braços daquele sujeito que a envolvia como ninguém conseguia, a despeito de correr um risco grande de magoar a própria mãe,  se um dia os flagrasse juntos. Esse é o caso que podemos chamar de traição dupla, tanto da moça quanto do marido, sendo que a primeira era ainda mais dolorosa.
É claro que esse dia teria que acontecer, mais cedo ou mais tarde.
Carolina, que sabia atirar muito bem, ameaçou matar Alex, ao ver o casal na cama. Angel se jogou na frente dele para que a mãe não o fizesse, alegando que o amava.
Ao descer as escadas, na cozinha, Carolina deixou uma carta-despedida para Letinha, dizendo que fosse feliz e que amava muito a filha. Matou-se após escrever a tal carta.
Angel sofreu muito; Alex, nem um pouco
Para a casa no interior que a moça retornou, foi morar com o pai, sendo procurada pelos dois homens que tanto a cortejavam: Guilherme, e depois, Alex.
Naturalmente que a presença de Alex que mais a interessava, fosse qual fosse o motivo.
E é aqui que vem a maior demonstração de amor da modelo - na minha simples opinião, ressalto outra vez - quando, num passeio de lancha, Angel descarrega seis ou sete tiros no homem que ela protegeu das balas que a sua mãe  teria desferido.
"Como assim? Não é coisa de maluco matar logo alguém que se protegeu da morte? E quem ama, não mata...", alguém pode dizer. 
"Mas ela matou Alex por arrependimento já que a sua mãe se suicidou por causa do casinho dos dois... Ela matou por amor à mãe!", outro diria em resposta.
"Angel é sociopata! Todo o tempo ela só pensava nela, nunca teve amor a ninguém e ainda mataria mais gente...", uma das referências que mais leio sobre a adolescente.
Ela amava, sim. Mas não foi por amor à  mãe, muito menos por Alex, que a garota lançou tantos tiros no amante.
A modelo, que tinha sonhos comuns, como ter dinheiro, ser famosa e casar, coisa que a maioria de nós possui, trazia no seu coração um amor tão lindo e sublime que muitos de nós, infelizmente, não sente: o amor pela sua irmã Yasmim.
Foi por amor fraternal que Angel matou Alex!
A moça não era o tipo da mana grudenta, que visitasse a garotinha, mas ela sempre amou a menina, do jeito dela. Quando a conheceu, disse-lhe que a pequenina era linda e as duas formaram um laço de imediato. Nos poucos momentos juntas, víamos uma Angel dedicada, sorridente, condescendente, oferecendo pão e leite no café-da-manhã (conferimos isso no último capítulo), na típica preocupação da irmã mais velha. 
Por mais incrível que possa parecer, Angel não amava a ninguém, nem mesmo sua mãe, avó e o próprio Alex. Apenas gostava; não era amor. 
Percebemos que não se tratava do sentimento nobre o que sentia pela mãe, devido ao quase nada de arrependimento por traí-la debaixo do mesmo teto onde viviam; não amava a avó também. Mesmo sabendo de sua doença, não permaneceu ao seu lado até a sua morte. Um pouco mais perto de amor sentia por Alex,  mas era mais atração física do que qualquer outra coisa porque, em momento algum, fizera grandes sacrifícios para tê-lo.
Quando Guilherme a pedira em casamento, Angel disse que resolveria umas coisas antes. Se o aceitasse, seria para sempre.
As tais "coisas" na ordem do dia para ela, era esperar Alex procurá-la. Se ele fosse, veria o que faria (sim, planejava vingar o suicídio da mãe, mas não seria propriamente matando o amante) ou talvez, simplesmente, ficasse com ele.
Havia um semblante de prazer terno, não perverso, no momento que ele a visitara, finalmente, na casa do pai. Ficou sorrindo labialmente, como uma menina contente que receberá algum brinquedo. Manteve essa postura encantada, enquanto o ouvia dizendo que a levaria e pagaria os seus estudos, assim sendo, dando continuidade a sua educação, como a mãe dela tanto queria. 
Sua fisionomia mudou radicalmente, ficou séria, no entanto, na menção que Alex fizera de que também cuidaria da pequena Yasmim e lhe daria a mesma educação que propusera à Angel.
Angel sabia que tipo de "educação" que o empresário lhe proporcionaria com o tempo: muitas joias, muito dinheiro, uma vida de luxo, desde que a garotinha tivesse sexo com ele.
Vejamos: Alex não gostava de "velhas". Quando Angel estivesse com seus vinte e dois ou vinte e três anos, ele a deixaria. Yasmim, nessa época, estaria com uns quatorze ou quinze, já no "ponto" que ele tanto gostava.
O autor Walcyr Carrasco, inteligentemente, não deixou a modelo chegar à idade adulta. Terminou a novela, tendo ela dezessete anos. Era ainda objeto de gosto de Alex. Mas... Até quando seria? 
Repito: por amor à irmãzinha, Angel matou Alex
Ela não queria que a menina seguisse pelo mesmo caminho. No fundo, a modelo jamais aceitou o fato do seu amante só querê-la pela pouca idade e beleza. Não era tão ingênua assim ao ponto de desconhecer que esse tipo de atitude por parte dele é crime. O modo estranho que arquitetou de evitar que isso acontecesse à garotinha, seria eliminando aquele pervertido. 
A vida de Alex até seria poupada, se ele não propusesse a "educação" para Yasmim. Foi exatamente naquele momento que a modelo decidiu o que faria com o empresário.
Numa lancha de nome bem sugestivo - Gênesis -  Angel recomeçaria a sua vida.
No casamento com Guilherme,  seu ar enigmático talvez quisesse dizer que o dinheiro não compra tudo, que o amor de verdade por algum ser é ainda o que vale a pena, coisa que Alex jamais entenderia.
Ao afirmar com a já esposa Angel que a faria feliz, Guilherme ouviu dela a seguinte resposta: "Eu já sou feliz, muito feliz!"
Naturalmente uma referência ao bilhete que a mãe deixara, que a induzia a esse estado de vida, de felicidade, algo que todo mundo almeja ter.
Ela estava  mesmo em plenitude porque tinha conseguido proteger o seu amor.
A pequena Yasmim não passaria pelo o que ela passou pois agora Angel poderia lhe dar educação de verdade, proteção, dinheiro para fazer o que quisesse e teriam laços fraternais enquanto vivessem.
Mesmo que de maneira esquisita, enviesada, Verdades Secretas foi uma história de amor.
Bem, pelo menos é a conclusão que mais vejo sentido...

(Imagem:
Fonte desconhecida)

domingo, 27 de setembro de 2015

Resenha de "Bellini e o Labirinto" - Tony Bellotto



Uma grata surpresa obtive, digo logo de cara, quando terminei de ler o livro do titã Tony Bellotto, Bellini e o Labirinto.
A surpresa se dá porque, apesar de saber o quão culto Bellotto é ( ao assistir Afinando a Língua na TV Futura, que ele apresenta, percebemos isso), não esperava que conseguisse segurar a barra de escrever, com desenvoltura, um romance detetivesco. Não adianta: falou de detetive, é Agatha Christie que nossa mente traz à baila.
No entanto, já nas primeiras linhas encontramos um personagem coeso e bem definido, no sentido de dizer "a que veio", que tão bem faz ao leitor para situá-lo no que o espera num determinado texto.
E "compramos a briga" do detetive Bellini.
Não farei spoiler, naturalmente, mas devo esclarecer que a história gira em torno de um sequestro de um dos irmãos da dupla sertaneja fictícia Marlon e Brandão (o sequestrado foi Brandão), que coloca o investigador no labirinto que dá nome à história.
Quando penso que o músico, doublé de escritor Tony Bellotto, irá se perder na própria armadilha que criou (imaginei que se afundaria naquele labirinto e não saísse mais de lá), eis que pega as amarras de sua escrita e coloca quem lê, de volta ao interesse inicial, que é desbravar o mistério do sequestro.
Jogada de mestre de Tony, ao arremessar no nosso colo, algumas conclusões as quais nos é permitido chegar. Eu, particularmente, adoro raciocinar com o investigador encarregado de algum crime, sobre as supostas saídas para qualquer que seja o "labirinto" literário.
Uma leitura fácil e gratificante temos em mãos.
Não corre dos clichês, porém, a ficção. Bellotto, que não é bobo nem nada, tentou ser o mais fiel possível ao filão do personagem emblemático tão presente em trabalhos neste gênero. Remo Bellini é desbocado, sarcástico,  beberrão, mulherengo, solitário e... excêntrico . Ele está certo. Como mudar a "ordem natural" dos grandes pesquisadores criminais da literatura, depois que os mestres Agatha Christie e Arthur Conan Doyle  "impuseram" a maior das características, que é a excentricidade?  Hercule Poirot e Sherlock Holmes possuem essa prerrogativa tão festejada do bom detetive. Talvez também o escritor brasileiro quisesse dar um aspecto macho ao texto, algo meio que maniqueísta de que seres do sexo  masculino têm que ser subversivos, esquisitos... Aquela espécie de neura, de quase todo escritor homem,  de querer provar para o público, que seu texto não tem alusão a "frescuras" femininas, como sentimento e sexo monogâmico. Sendo bem underground, ele pode ser lido por qualquer pessoa, em qualquer lugar sem susto.
Nem o excesso de referência a músicas estrangeiras no gênero favorito do personagem central (ele adora blues), tirou o brilho da história. Confesso que a não brasilidade das canções mencionadas, me angustiou um bocado. Aquela coisa de ser uma das poucas criações literárias tupiniquins no ramo da investigação, tão bem escrita e logo ela não levantar bandeira musical em nosso idioma?... Repito: não tirou o brilho. Porque as muitas passagens nos situaram em terra brasilis: a dupla sertaneja ser de Goiás, por exemplo, é pátria nossa, com  certeza!
Além dos topônimos do estado da região Centro-Oeste e São Paulo - e a riqueza na descrição -, houve citações de nomes de sertanejos famosos como Chitãozinho & Xororó e Zezé di Camargo & Luciano, nos proporcionando, gostosamente,  um ar de identidade.
Muito cultural e informativo (sem didatismo), bem humorado, instigante, objetivo, Bellini e o Labirinto é literatura para se conhecer. E mais: é para se querer  conhecer o resto dos outros envolvimentos do ébrio detetive. O livro que deu origem a série foi Bellini e a Esfinge, mas também há Bellini e o Demônio e algum(ns) outro(s) que me falha a memória.
O mais interessante da obra é que, assim como o autor fez questão de retirar o detetive daquele labirinto aparentemente de saída impossível, nos retirou, os leitores, também de lá. Tony Bellotto é escritor que se coloca no lugar de quem o lê.
Uma sensação de historia concluída nos vem no término da obra. É como se tivéssemos ajudado Remo Bellini a resolver o caso.
Essa ideia de participação não tem preço. "Dever cumprido" é a frase de efeito que mais define nosso pensamento de pós leitura!...

(Imagem:
Fonte desconhecida)

domingo, 6 de setembro de 2015

Recebendo "aquele abraço"



Um abraço não é só o aperto dos braços em torno do alvo de nossa afetividade.
Abraço quer dizer bem mais... Quando enviamos um abraço para alguém, quer dizer que, mesmo às vezes longe, nos lembramos das pessoas das quais gostamos, de seres que serpenteiam nossos pensamentos de alguma maneira.
Apresentando o programa Rock, Pop Entre Outros Sons, pela Bicuda FM 98, 7 (também pelo site pode ser ouvida: www.bicuda.org.br), notei a profundidade desse "aperto de braços à distância".
É tão importante para mim enviar essa lembrança... E quem recebe, imagino que fique contente. Eu, quando o recebo, me sinto a dona do mundo! A vaidade nasce ali, naquela hora. Como é bom ser lembrada!...
Nunca pensei que isso acrescentasse alguma coisa... 'só' um abraço", pensava eu.
Mas e o por "trás da cena" da coisa? Não, não é só um abraço. Vai além: alguns bons momentos você parou o que fazia para se referir a alguém, mencionar o nome, falar algo de louvável daquela pessoa, e qual o ex- Ministro da Cultura Gilberto Gil, enviar "aquele abraço" para o ser que foi pego de surpresa muitas vezes, sua audição meio distraída captando  a descoberta.
De vez em quando falo no ar que a Rádio Bicuda é uma estação para se abraçar, de tão fofa que é. Um ambiente gostoso de se ficar,  aconchegante feito abraço de mãe.
Indo mais longe, animais também abraçam. E como abraçam até a nossa alma!...
Eu moro na casa de meu irmão Henrique.
Aqui tenho três gatinhas: Ursinha, LaBelle e Princesinha.
No entanto, a três casas daqui, mora meu irmão mais velho Washington e meu pai, e lá, para mais quatro gatos eu dedico o meu carinho: PBzinho, Nina, Beto e Preutinha.
Por motivo da correria do meu cotidiano, não tenho ido ver os bichanos;  mais precisamente há dois meses não os via. Isso me incomodava um bocado.
Eles são tão meus quanto as gatinhas daqui, embora recebam todo o cuidado e carinho do meu mano Washington, que é bem afetuoso com os bichanos.
Hoje eu tirei o dia para ir vê-los. Meio temerosa fui (achava que não se lembrassem mais de mim). Logo quando cheguei, meu temor foi confirmado: PBzinho foi o que mais "espumou" quando me viu! Ainda por cima, correu feito louco...
Beto não reagiu quase nada diferente, Preutinha me olhou como se eu fosse uma invasora inóspita, e Nina, a única que me recepcionou a contento, miando de cima de muro,  dizendo o seu característico:"Olá!".
Uma tristeza começava me invadir. Não criei aqueles gatinhos para me estranharem desse jeito.
Levei ração, coloquei nos comedouros, e foram se aproximando aos poucos. Beto não demorou muito, aceitou meus afagos.  Preutinha também mostrou-se amistosa.
PBzinho foi o mais renitente.
Estava eu na porta, olhando para o quintal, quando PBzinho miou alto. Fui chegando perto, ressabiada ; claro, não sabia o que ele queria. Fui lhe chamando o nome e, como já imaginava, o sapeca malhado bicolor (PBzinho quer dizer isso: "P" de preto; "B" de branco) reconheceu minha voz.
Então esparramou-se no chão e deixou que lhe acariciasse. Pronto! Nosso vínculo de amizade foi restabelecido. Pulou no meu colo  e "massageou" minha perna, no consagrado "amassar pãezinhos", tão disseminado por felinos domésticos, como se fosse parte de algum manual montado por eles próprios, de transparecer  doçura  e mistério ao mesmo tempo.
PBzinho me abraçou. Do jeito dele, naturalmente. Tratando-me com aquele calor, eu recebia o seu abraço mais cálido.
Nos fundos da casa,  ficam os comedouros, e ele miou de um modo, como dissesse: "Vou fazer uma 'boquinha'. Quer me acompanhar?" Só sossegou quando para lá me direcionei.
Depois roçou seu corpinho esguio pelas cadeiras, me tratando como seres humanos fazem quando recebem visitas amigas de longa data, que há muito não aparecem: queria ser o mais agradável possível.
Ao vir embora, ficou o preto e branco me olhando, parecendo perguntar: "Quando você volta?"
Eu lhe prometi, como se compreendesse minhas palavras: "Agora não vou demorar muito pra retornar. Pode acreditar, PB!"
Dei "aquele abraço" nele (abraços fisicos em gatos inclui pegá-los no colo,  acariciar-lhes as orelhas e a cabeça, além de apertarmos seus corpinhos com o maior aconchego possível). Já tinha dado nos outros mas, naquela criaturinha, foi especial.  Ele é meu pequeno amigo,  e se destaca pelo entendimento humano de algo tão abstrato que é a amizade.
Esse é um desses grandes dias que aprendo mais um pouco e sinto mais um pouco.
Recebi um abraço. Fui lembrada; senti-me prestigiada.
Vaidosa, meio dona do mundo, ainda que esse mundo seja o meu pequenino espaço com seres que tanto aprecio.
Essa que aqui escreve está se sentindo abraçada pela vida, pelo futuro, pela sutileza de tão-somente sentir.
É assim. As coisas são o que são porque ainda existe lógica em vibrar com esses simples momentos, em uma paz solícita.
Boba, eu? Talvez. Mas uma boba feliz. Eu recebi um abraço do meu amigo PB. E ele recebeu o meu.
E abraços são tão generosos assim: porque  só têm graça exatamente por serem recíprocos.
Que venham outros abraços quais esse!
Porque, além de generosos, abraços são viciantes também...

(Imagem:
Fonte desconhecida)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Análise de "Primeiros Erros", de Kiko Zambianchi


Hoje eu trouxe a análise de Primeiros Erros, do álbum Choque, do ano de 1985.
Composta e interpretada por Kiko Zambianchi, quase que esta música não chegaria a tocar em rádios, se não fosse pela perseverança do cantor/autor.
É que embalada pelo grande sucesso da música Choque, a gravadora queria partir para a gravação do segundo álbum, deixando de lado qualquer tentativa de impulsão de outras músicas.
Mas Kiko sentiu uma vibe muito grande em sua composição levando, ele mesmo, Primeiros Erros para tocar nas rádios onde concedia entrevista.
Conclusão: Primeiros Erros se tornou uma de suas músicas mais importantes!
A letra desta maravilhosa canção, fala dos nossos pensamentos do passado que vivenciamos, em que sempre imaginamos que poderíamos ter feito tudo diferente. Se pudéssemos mudar nossa conduta, nada poderia nos atingir; seríamos pessoas melhores.
No começo da letra, percebemos o quanto o personagem se arrepende de alguns atos:
"Meu caminho é cada manhã/ Não procure saber onde estou/ Meu destino não é de ninguém/E eu não deixo meus passos no chão".
É como se ele quisesse recomeçar, cometeu algumas falhas e não quer que ninguém o imite, cometa os mesmos erros.
Uma coisa meio: "O que os olhos não vêem, o coração não sente", se reflete nestes versos:
"Se você não entende, não vê/ Se não me vê, não entende/ Não procure saber onde estou/ Se o meu jeito te surpreende".
Ele sabe de suas complicações pessoais, e não quer que as pessoas que o rodeiam o julguem, pois cabe apenas a ele  consertar seus próprios problemas.
A  metáfora com o clima se faz em:
"Se o meu corpo virasse sol/ Minha mente virasse sol/ Mas só chove e chove/ Chove e chove..."
Aqui, ele sintetiza suas angústias no clichê tradicional que nós, humanos, fazemos: tempo bom, é de sol; tempo ruim, é de chuva...
O personagem gostaria de poder mudar, se arrepende muito de toda dor causada a si próprio e aos outros, na passagem mais perfeita da canção, continuando com a metáfora do clima:
"Se um dia eu pudesse ver/ Meu passado inteiro/ E fizesse parar de chover/ Nos primeiros erros/ O meu corpo viraria sol/ Minha mente viraria/ Mas só chove e chove/Chove e chove..."
Esse "ver meu passado inteiro" na verdade quer dizer, "se eu pudesse voltar no tempo", ele não cometeria tantos erros assim, descobriria onde falhou logo no começo, fazendo o que se chama popularmente de "cortar o mal pela raiz".
Uma das piores coisas que acometem ao ser humano é o arrependimento. É triste demais uma pessoa refletir sobre o que fez de ruim, ou o que deixou de fazer de bom, e ter a consciência de que isso jamais poderá ser mudado.
É esse o foco do arrependimento que não pode ser consertado que fala a música.
Kiko construiu a canção com uma riqueza de ideias emocionante. É, com certeza, uma das letras que mais me toca o coração.
Infelizmente, como diria Mário Quintana: "O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente".
Certos arrependimentos irão nos perseguir, mas cabe  a nós mesmos nos perdoarmos, tentando evitar novos grandes erros.
Que nosso corpo e mente se tornem sol, e consigamos brilhar mais e mais, com a certeza de que amanhã será um outro dia!...


Obs.   1. Fiz um post, há algum tempo, cujo tema era o perdão que devemos ter por nós mesmos. O título é Aprendendo a me perdoar e a música do Kiko Zambianchi estava lá também, para enobrecer a mensagem que passei. É só clicar aqui para ler!
           2. Essa letra fez parte da análise de abertura do programa Rock, Pop Entre Outros Sons, do dia 15 de agosto de 2015, onde eu apresento todos os sábados, das 16h. às 18h, pela Bicuda FM 98,7 (Também pode ser ouvida pelo site www.bicuda.org.br)

Deixo um vídeo,  que traz a letra completa,  logo abaixo.





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domingo, 26 de julho de 2015

Saída da zona de conforto




Sempre que eu paro para pensar, é um pesadelo: descubro que preciso ser.  E para eu ser, preciso ir... Meu ser tomado por dúvida, vontade, sandice, solicitude, devaneio, entorpecimento...
E quem foi esse tal que inventou que é preciso ir, seguir, começar, retomar?
Droga de vida, que não me deixa aquietar num canto e me acomodar no ápice da minha preguiça. Preguiça a la Macunaíma mesmo, preguiça de ter que fazer tudo, com um buraco negro do caos, levando para o nada.
Nesse abismo indeferível, ali estou bizarramente incongruente; aqui se faz, aqui se paga. E o preço é mais alto ainda quando você não fez nada por si.
- Droga de vida! - agora sou eu, gritando.
Tento fazer algo. O quê?, uma vozinha agora covardemente miúda me indaga.
É urgentemente necessário sair da leseira de apenas ficar e ir à vida, seguir em frente, TENTAR!
Daí paro para pensar mais ainda, se corro o risco de ser feliz se eu continuar na labuta de "mudar o rumo dessa prosa".
E dá-lhe de questionamento, dá-lhe de humanamente me esgueirar para a introspecção, dá-lhe  de me certificar de que há certeza, dá-lhe de me desfazer na areia do tempo e espaço, e voltar para o ninho acolhedor, aquele da recepção conveniente, embora de alto teor de amargo no ser.
Alguém por aí inventou o preciso ir.
Preciso ir por quê? Por que é algo a ver com o fenômeno da natureza, qual trovoadas e chuvas em tardes torturantes de calor-Rio? Será que é preciso seguir em frente por que há a esperança de encontrar alguma surpresa Kinder Ovo ali na esquina, surpresa dispensável quando descobrimos a incógnita? Ou seria por que todo mundo - Ai, que preguiça...  - nos exige um movimento crescente indo ao longe? Ou talvez por que - Ai, que preguiça... - "gente" rima porcamente com "ir para frente"?
Detesto formar a massa que faz o bolo do  "geral faz isso" porque, como diria Nelson Rodrigues: "A unanimidade é burra". Mas...
... Droga de vida!
Se eu não sigo para frente, o que posso fazer comigo? É me deixar morrer, esquecer, tomar aquele remédio adverso da memória, evitar o jogo mnemônico, correr das palavras cruzadas, causar propositalmente o Mal de Alzheimer, só para deletar da mente quem sou, só para não precisar ir, não fazer parte da "unanimidade burra"?
Ai, que preguiça...
Algo em mim, talvez o sexto sentido - talvez eu tenha errado a contagem e esteja no milésimo -, me impulsiona para esse ir, não porque "todo mundo" diz, não porque eu decorei o texto já na tenra infância.
Com honestidade, um certo egoísmo, um ataque de eu, me retruco com maldade, maledicente: "É porque eu QUERO IR!"
Vem lassidão de ideias, chega correndo o pensamento do espúrio relaxamento, sobrevoa nefasto o íntimo pulsante de "deixar pra lá".
Mas é ele, esse "EU QUERO!",  que me liberta das amarras da estagnação.
Penso em ir para frente porque é bom demais, mais que suficiente, esse advérbio de intensidade me socorrendo, poder ver a vida lá adiante, pisotear as agruras, me esparramar nos braços do que ainda está por vir...
Começar do zero ou pegar os fios que ficaram soltos, formar novas vestes para cobrir a minha alma de júbilo.
EU QUERO  me permitir uma nova oportunidade.
EU QUERO me aventurar em rumos inéditos, talvez nem por alto imaginados antes.
EU QUERO experimentar o que ainda há de eu construir para mim; a vida pode me sorrir, com cores fartas, com a perene dúvida de não saber se irá dar certo.
EU QUERO tentar.
Sim, EU QUERO TENTAR!
Quando penso que ser é ter que me questionar, me calo com idoneidade, com a plenitude da incerteza bailando ferina conquanto fascinante no meu eu.
EU QUERO, sem cobiça, nem omissão. Limpo, claro, certo, imediato.
EU QUERO!, qual resposta infantil.
O mundo só evolui quando é tomado por perguntas, porque seria muito entediante todo mundo explicar todo o mundo...
Vou lá, chegarei na frente e rumarei para esse desconhecido tão inebriante.
Não pretendo errar além da conta, porém, me conscientizo que é arriscado isso ocorrer.
Tentar me recompor de novo; tenho medo. E sei que é humano temer.
NÃO TENHO MEDO DE TER MEDO!
Ficar naquela paralisação me faz mal, caio na rotina de sofrer por não ter tentado.
Vou lá, darei um pulinho no futuro e fico por ali mesmo.
Sou incansável: EU NÃO QUERO parar!
E no meu subentendido, aquele subentendido do meu eu, aquele que ninguém pesca, ninguém tasca - Eu vi primeiro! -, entrementes sorrindo, no mistério do ser, sem travas para me permitir, sem torrente, sem torre, "por lugares incríveis",  eu chuto pra trás qualquer alusão ao comodismo.
Descubro sem vergonha alguma de que agora NÃO POSSO parar de ir.
Sim, agora, - Ufa! - NÃO QUERO deixar de tentar melhorar, de tentar conquistar a minha vitória enquanto ser humano.
NÃO QUERO esperar acontecer porque a hora é essa, seja lá qual for que hora é "essa"...
NÃO QUERO olhar o relógio. Tenho "todo o tempo do mundo".
NÃO QUERO estabelecer metas. Salvaguardar desatinos me é, por si só, bem convincente.
NÃO QUERO me frustrar: "Gatos escaldados de água fria têm medo", mas decidi que a não-dor é também sofrimento.
Corro com pressa, com método e coração em frenesi. Ele me chama para o desbravamento. Ali, para ele onde me convida a emoções diversas. Irrequieto coração, que reestabelece  a queda para a ternura; que segrega mistérios a se conhecer. Prazer, meu nome é BUSCAR!
Ai, que preguiça?
Por favor, pense! Continue pensando. Só não pare...

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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Malandragem - com Cássia Eller



Hoje estou analisando a letra da música Malandragem, com Cássia Eller, uma composição de Cazuza e Frejat, e que saiu no álbum Cássia Eller (1994). Essa canção elevou Cássia ao status de estrela do rock nacional.   
Uma curiosidade, antes de analisar a letra, é que foi composta especialmente para Ângela Rô Rô, no final dos anos 1980. Ângela não quis saber da música por ter achado a letra "um absurdo", ao ser apresentada. Confessou ter se arrependido, num show que foi do Frejat, anos mais tarde.
Bem, pelo meu entendimento, Malandragem dá a impressão de ser discurso de quem cresceu, mas não aceita certas imposições da vida adulta.
Já no título, percebe-se que o intuito não é a malandragem como se consagrou na língua portuguesa. Malandragem não é coisa de gente que quer se dar bem ou quer enrolar o outro. Aqui, o sentido é de "malícia", "menos ingenuidade".
Nos primeiros versos:
 "Quem sabe ainda sou uma garotinha/Esperando o ônibus da escola, sozinha", temos a noção de que a mulher feita da música, fica se indagando sobre a falta de tato com esse mundo tão "real", tão "amadurecido".
"Cansada com minhas meias três quartos/Rezando baixo pelos cantos/Por ser uma menina má"; os versos continuam nos dando a ideia de infância e seus temores.
"Quem sabe o príncipe virou um chato/Que vive dando no meu saco" , notamos que a marca do sonho feminino desde a infância, que é encontrar o tal Príncipe Encantado, vai se perdendo com o tempo. Após tantos "sapos" ou "chatos" que se encontra por aí. As fantasias são questionadas diante de tantas frustrações:
"Quem sabe a vida é não sonhar?" 




No refrão: "Eu só peço a Deus/ Um pouco de malandragem/Pois sou criança/E não conheço a verdade", dá a sensação de que a personagem da letra realmente não tem o jogo de cintura para aceitar os problemas. É como se quisesse achar o seu lugar no mundo e não tivesse ainda a maturidade que a chamada "vida adulta" tanto pede. Na parte: "Eu sou poeta e não aprendi a amar" soa como um contrassenso. Onde já se viu poetas, ou seja, pessoas sensíveis, que não sabem amar? É como se ela percebesse que o que chamam de amor, não foi o que aprendeu lá, no passado, quando era apenas uma garotinha...
"Bobeira é não viver a realidade/ E eu ainda tenho uma tarde inteira"
Nesse momento da música, a personagem está mais pragmática, isto é, se dá conta que viver de passado ou futuro, é uma bobagem , viver é aqui e agora. Reparem que ela não diz: "E eu tenho uma vida inteira". Diz que tem "uma tarde". Por quê? Porque está mais concisa de que amanhã pode não chegar e ela quer o tempo de hoje, que é o que tem em mãos.
"Eu ando nas ruas/Eu troco um cheque/ Mudo uma planta de lugar/Dirijo o meu carro/Tomo o meu pileque/E ainda tenho tempo pra cantar".
Para provar que a vida chamada "real" é essa que vivemos, ela anda, troca cheque, muda planta, dirige, toma umas doses, e ainda sobra tempo para fazer coisas das quais gosta, como cantar , por exemplo.
O refrão volta com a personagem pedindo "um pouco de malandragem" porque se ela conseguir ser mais esperta, tudo o que almeja, há de acontecer um  dia. Enquanto isso, ela vai vivendo o momento para tentar ser feliz, como todo mundo almeja.
E, afinal, "um pouco de malandragem", um pouco de malícia e tato para lidar com os problemas, não faz mal a ninguém...




Letra e vídeo da música logo abaixo!

Malandragem - Cássia Eller
(Cazuza/Frejat)

Quem sabe eu ainda
Sou uma garotinha
Esperando o ônibus
Da escola, sozinha
Cansada com minhas
Meias três quartos
Rezando baixo
Pelos cantos
Por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe
Virou um chato
Que vive dando
No meu saco
Quem sabe a vida
É não sonhar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Bobeira
É não viver a realidade
E eu ainda tenho
Uma tarde inteira
Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Pra cantar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Pra cantar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Quem sabe eu ainda sou
Uma garotinha




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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Vídeo do programa Rock, Pop Entre Outros Sons


 O programa Rock, Pop Entre Outros Sons foi registrado em vídeo, na parte final, no dia 27 de junho de 2015.
Sua transmissão ocorre todos os sábados, as 16 horas, pela Bicuda FM 98,7, ou pelo site www.bicuda.org.br
Quem quiser conferir, só clicar no vídeo abaixo!



sábado, 20 de junho de 2015

Programa "Rock, Pop Entre Outros Sons" - Apresentação Mary Difatto



Todos os sábados, galera eu, Mary Difatto, apresento o programa Rock, Pop Entre Outros Sons, pela Bicuda FM 98,7, das 16h. às 18h.
É um programa voltado para o rock nacional, com clássicos e músicas atuais.
Logo na abertura, eu faço uma análise de alguma letra; mais tarde,  vem o Rock 3, onde toco alguns segundos de três músicas para se votar em uma que retornará no final do programa; temos também o Estar Rock, que traz a biografia de um(a) cantor(a) ou banda, tocando a trilogia daquele(a) artista.
Um dos quadros se chama Você Faz O Programa onde o(a) ouvinte terá a oportunidade de escolher o som que quer ouvir na semana seguinte.
São duas horas de muita diversão e música boa!
Sintonize pelo 98,7,  ou então pelo site oficial da rádio, que é www.bicuda.org.br.

Espero todos no nosso Rock, Pop Entre Outros Sons!

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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Ciúme: prova de amor ou insegurança?


Ninguém explica com muita profundidade o que o causa, mesmo porque quase ninguém está livre de nutri-lo: o sentimento chamado ciúme.
Sendo ele tão irracional, ciúme é motivo de certa vergonha de confissão; pessoas ciumentas não costumam dizer que o sentem.
E o "cara" é democrático: está em todas as esferas da sociedade. Leva consigo pessoas de faixas etárias diversas, religiões, modos de vida diferentes, gêneros, graus de escolaridade... 
Sentimento que arrebata o coração de tal maneira, que quando a pessoa se dá por conta, já está tomando atitudes impensáveis no seu viver considerado normal. É um tal de vigiar o alvo de seu ciúme pelas janelas, tentar descobrir senhas de redes sociais, ficar mal-humorado(a) porque viu seu alvo conversando com alguém, achar estranho se o alvo quiser sair sozinho (a)!...
Pela prática, este sentimento tão dominador era para estar ligado apenas a amor de parceria (relação de homem/mulher, homoafetivo, etc.), pois é quando se vê a evidência desse "surto". Porém, ,  mesmo quando se é ainda um bebê de seus dois aninhos, nota-se um comportamento ciumento ao se emprestar uma bola estimada de uma criança para outra, por exemplo. A que observa seu brinquedo favorito saindo de suas mãos, geralmente chora e não se acalma,  até que este retorne para seu domínio.
"Ciúme é prova de amor ou insegurança?", pergunta que muita gente se faz.
Na minha opinião, é o misto dos dois.
Quando se gosta muito de alguém, animal ou objeto, seja do que for, creio ser natural querer exclusividade, uma exclusividade sem castração da liberdade alheia, tenho que complementar. E não sejamos tolos em pensar que não há muito de insegurança também, o medo de se perder o objeto de amor.
É absurdamente esquisito que o ciúme acabe formando um ciclo vicioso na vida dos que amam. Todo alvo dele reclama porque o(a) parceiro(a) não confia no que ele(a) diz, que está a toda hora ligando, etc.
Só que se o(a) ciumento(a) fizer o gênero "Tô nem aí!", o reclamante do ciúme exagerado vai achar que está algo errado acontecendo, que o(a) parceiro(a) não o(a) ama mais...
Nem tanto ao céu, nem tanto à Terra: devemos ter a dose certa de ciúme. Sim, ele é saudável, galera! Sem se tornar dependente do ser amado, no entanto.
Se a sua vida passa a ser em prol do que o objeto do ciúme faz ou deixa de fazer, neste caso é necessário procurar ajuda. Ninguém foi feito para viver a vida do outro. Todo mundo deve focar em suas metas, até para seu crescimento interior. Mesmo porque muitos relacionamentos acabam; como fica a pessoa que investiu a maior parte de seu tempo se atormentando com sentimentos inseguros em relação ao seu amor?

Ciúme contornado é o ideal. Ciúme contornado é como eu chamo aquele ataque de insegurança que nos atinge de vez em quando, mas que o lado racional vem logo ao nosso socorro, argumentando que não vale a pena nos deixarmos levar por imaginações, e sim, vivenciar o que é real. E o amor que sentimos é maior que isso tudo, e é muito, muito real!...

Como falar desse sentimento e não lembrar de Ultraje A Rigor?
Um Ciúme básico para todos nós!!!!

Vídeo no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=vyLvan1Hih0

Ciúme - Ultraje A Rigor
(Roger Moreira)

Eu quero levar uma vida moderninha
Deixar minha menininha sair sozinha
Não ser machista e não bancar o possessivo
Ser mais seguro e não ser tão impulsivo

Mas eu me mordo de ciúme
Mas eu me mordo de ciúme

Meu bem me deixa sempre muito à vontade
Ela me diz que é muito bom ter liberdade
Que não há mal nenhum em ter outra amizade
E que brigar por isso é muita crueldade

Mas eu me mordo de ciúme
Mas eu me mordo de ciúme

Eu quero levar uma vida moderninha
Deixar minha menininha sair sozinha
Não ser machista e não bancar o possessivo
Ser mais seguro e não ser tão impulsivo

Mas eu me mordo de ciúme
Mas eu me mordo de ciúme

O ôôô
O ôôô

Mas eu me mordo de ciúme
Mas eu me mordo de ciúme

Ciúme, ciúme
Eu me mordo de ciúme
Eu me mordo, eu me mordo de ciúme
Eu me mordo, eu me rasgo, eu me acabo
Eu falo bobagem, eu faço bobagem, eu dou vexame
Eu faço, eu sigo, eu faço cenas de amor
Ciúme, ciúme, eu me mordo


(Imagem:
Fonte Desconhecida)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Análise de "Pais e Filhos", com Legião Urbana



Escolhi para análise de letra, Pais e Filhos, com Legião Urbana.
Lançada no álbum As Quatro Estações, de 1989, composta por Dado Villa Lobos e Renato Russo, a canção é uma das mais conhecidas e clássicas da banda, que é lembrada até hoje com carinho por todos que apreciam uma grande letra.
Do que se trata Pais e Filhos? A tônica é o suicídio de uma garota, o que causa um questionamento do porquê isso teria acontecido. Sabe-se, pelo decorrer da música, que se relaciona a um convívio conflituoso com os pais.
Ser filho não é fácil; ser pai ou mãe, mais difícil ainda...
Vamos acompanhar os versos e sentir essa dor pai e filho mais de perto. Pelo menos, acredito eu que seja isso o que a letra quer dizer!

"Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu..."

Estátuas são coisas paradas; cofres guardam segredos; paredes pintadas escondem sujeiras anteriores. Realmente não dá para saber o que aconteceu diante das não-provas no local do suicídio. Dá uma ideia também de que ninguém queria se envolver, virando estátuas para nada dizerem, nada revelarem...

"Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender..."

Por mais triste seja uma vida, nunca compreendemos o que leva alguém a se matar...

"Dorme agora
É só o vento lá fora"

Acredito que esses versos queiram dizer o que os pais geralmente falam para os filhos quando se assustam com algum barulho. Pode ser também uma família que morava no primeiro ou segundo andar no prédio da moça, que disfarçava o som do impacto do corpo indo ao chão, dizendo: "É só o vento"...

"Quero colo!
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, 
Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três"

A notícia de uma garota suicida gira pela vizinhança, e todo mundo se volta para o seu próprio passado, de quando era criança e adolescente, no jogo do contrário que são essas fases: "Quero colo" na infância é o oposto de "Vou fugir de casa", assim como é "Posso dormir aqui com vocês?" é de "Só vou voltar depois das três". Numa hora os pais são de suma importância; em outra hora, são totalmente dispensáveis!...

"Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito"

Num passado mais recente, as pessoas começam a recordar quando souberam que iriam ser pai ou mãe, a preocupação começando já com a escolha do nome, já que os pais sempre querem o melhor para os seus filhos.

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
E se você parar pra pensar 
Na verdade não há"

Aqui ocorre uma espécie de pensamento coletivo, como se, no fundo, soubéssemos que devemos amar agora, não amanhã, porque o tempo é uma convenção do homem. Se você esperar para amar os pais ou os filhos numa situação futura, pode não ser possível mais, como no caso da menina que se suicidou, que os pais não puderam lhe dizer, o quanto ela era importante em suas vidas.

"Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo?"

Essas perguntas fazem pais e filhos terem algo em comum para conversarem. Por não terem respostas prontas, não importa quem seja - pai ou filho -, essas são grandes questões da humanidade.


"São meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais"

Esses versos soam como respostas a uma pesquisa realizada com pessoas nas redondezas onde a garota suicida residia, por um repórter, policial  ou alguém interessado no assunto, a fim de apurar o que levou a menina a um desespero tal, de tirar a própria vida.
Repare que cada verso sempre destaca a primeira pessoa, ou seja, o objetivo é ouvir a opinião de cada um, saber a vivência de cada "entrevistado", vamos dizer assim. Muitos casos são solucionados quando se ouve observações de vizinhos, de pessoas que conheciam a vítima.

"É preciso amar as pessoas..." (repete o primeiro refrão)
"Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais"

Existe uma comoção geral entre as pessoas que souberam da morte precoce da menina. Cada uma delas começa a ser guiada pela consciência. É ela que revela que se os pais falham muitas vezes, os filhos também falham, não se colocando no lugar deles. Nesse momento cada pessoa se sente mesquinha, pequena, como uma "gota d'água" ou um "grão de areia".

"Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você  crescer"

A consciência continua alertando do mal que os filhos praticam quando culpam os pais por todos os problemas existentes do mundo.
Temos conhecimento que quem é filho hoje, pode ser pai amanhã, e quando envelhecemos, voltamos a ser crianças, dependendo dos filhos para nos proteger exatamente como fazíamos, num ciclo imutável em nossas vidas.
Sendo jovem ou idoso, para sempre iremos querer correr para o aconchego do abraço do pai e o conforto de um bom colo de mãe!...


Esse é o meu entendimento da letra desta magnífica música do Legião Urbana.
Abaixo, a canção em vídeo, acompanhada por lyrics na íntegra.

Pais e Filhos - Legião Urbana 

(Dado Villa Lobos - Renato Russo)

Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora
É só o vento lá fora

Quero colo! Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três

Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer



 

(Imagem:
Fonte desconhecida )
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