
(A cantora paraguaia Perla ficou famosa pelos lindos cabelos longos)
Já falei de cabelos uma vez - e dos longos- só que optei por fazer um outro artigo, usando a mesma temática com novos elementos...Sabe-se lá por que, mas cabelos longos sempre causam rebuliço, seja mulher usando ou homem! É como se fossem uma marca registrada... Sempre há um critério "por trás" , quando alguém os possui, no imaginário da sociedade.
Nos tempos de Jesus, cabelos extensos escorrendo pelas costas, quase pela cintura, eram aqueles que sacodiam para lá e para cá, marca de uma época onde ser homem e mulher correspondia mais às tarefas desempenhadas por cada qual, do que pelo uso da moda, envolvendo nesse critério os cabelos e as vestes . Hoje em dia, alguém se pergunta: "Por que fulano(a) tem um cabelo tão grande?", e não se abstém em indagar à pessoa ou "cravar" a seta da curiosidade em quem mora próximo...
Para os nossos antecedentes milenares, o normal eram os imensos cabelos, até por comodidade, pois as profissões barbeiro, cabeleireiro, etc., tomavam o formato "artigo de luxo", e se não me engano, só os faraós se permitiam o corte dos pêlos da cabeça. (Quase ninguém pára para pensar, mas "cabelo" é tão pêlo como qualquer outro fio que nasça no corpo. Com o diferencial que, como somos humanos, inventamos um nome diferente, apenas isso: só os Homo sapiens têm cabelos...)
Quando se faz promessa, o ponto de "sacrifício" é o não-corte, para que alcance alturas impensáveis; quando há alguma rebeldia, alguém quer deixá-los compridos e... (eca!) sujos (alguma coisa a ver com os hippies, talvez); religiões que acham que "santidade" e cabelos não-cortados favorecem ao crescimento espiritual, sobretudo nas mulheres (os protestantes ortodoxos e os muçulmanos que o digam!); e as "tribos" - com ou sem aspas- que fazem uso da "longitude" dos fios negros, castanhos ou loiros para a "marca de território".
Aliás, o quesito "tribo" já dá uma página inteira!...
Olhemos um homem nas ruas e observemos seus cabelos compridos. O que vem a nossa mente? Que o sujeito em questão é roqueiro! Descobrimos mais adiante que ele não é um apreciador de rock... "Então é surfista!", alguém conclui. O dito também não é surfista, só para contrariar... Às pressas, solta-se uma voz interior: "Ah, esse cara é índio!" Descobre-se também, que não se trata da etnia das tribos sem aspas! NENHUM homem usa cabelo comprido, hoje em dia, se não pertencer a alguma "facção"; cabelos longos pertencem à classe do "conjunto", cujos membros devem estar em "harmonia" com sua ideologia!... Unindo cabelos extensos, roupa amarrotada e suja, barbas nada bem tratadas, a resposta se faz tão fácil, que eu nem deveria inclui-la: "É mendigo!" (Pobre ser do sexo masculino que usa longos cabelos sem uma explicação social! Vai ter que passar a vida respondendo a "inquérito"!...)
Em mulheres, cabelos abaixo do ombro significam sensualidade, marca de uma fêmea humana que chama a atenção. Os comerciais de shampoos e condicionadores, já conhecedores desse jogo social, sempre colocam modelos lindas e o sacudir da cabeleira imensa, com um brilho e sedosidade que só existem lá, nas propagandas ; nós que não cuidemos, fio por fio, para ver se a natureza colabora?... Feliz era Brooke Shields em A Lagoa Azul, que nadava todo dia naquelas águas paradisíacas e nem precisava pentear as madeixas, sempre acordando esplêndida, como se passasse o melhor kit-beleza capilar do Universo! (Ainda vou mergulhar naquelas águas... Deve ter algum segredo ali que ninguém me contou!...)
Algo a se pensar também é uma marca de comportamento entre as mulheres quando os mantém presos ou soltos. Repare que prender cabelos se faz necessário quando está calor, mas em tempos amenos, por que certas mulheres os mantém com presilhas? É porque se inclui em "arma secreta" de sedução: quando uma mulher quer conquistar um homem de seu interesse, dificilmente ela os prenderá, a despeito da temperatura altíssima que esteja no dia... Eles sempre presos, é o normal; soltos, a novidade que renderá em "bons frutos" de conquista!...
Ao contrário do homem, mulher que quer radicalizar, corta o cabelo , "batido" no crânio, estilo "Joãozinho"! Na verdade, o sexo feminino, quando quer se mostrar "livre", deteriora com os sinais de feminilidade dos quais deveria ter orgulho! Queima sutiãs, não usa maquiagem, xinga e gesticula de maneira rudimentar, sobrepuja a sensibilidade e descarrega no cabelo, aquilo que a realidade opressora não satisfaz; ser vaidosa nunca foi, é e nem será motivo para sentir-se "menor" diante de um homem!...
Há mulheres, no entanto, que optaram pelos cabelos curtos por serem mais práticos de se cuidar ficando, muitas delas, tão bonitas e sensuais quanto qualquer outra. (As mulheres e os cabelos são uma relação de amor e ódio: às vezes eles "aprontam" conosco, mas nós não sabemos viver sem eles, longos ou curtos!...)
Eu, particularmente, uso os meus bem compridos e negros, passando longe de qualquer satisfação de "grupo". Gosto deles assim, embora os tenha mantido cortados pela orelha, em fases de minha existência: uma na infância, outra na adolescência e outra na idade adulta. Bom destacar - só quem teve cabelo longo em período escolar é que sabe!- que minha mãe teve que cortar na infância, por causa dos muitos piolhos que peguei! (Eles pareciam brotar no couro cabeludo; era impressionante!) Uma época eu os deixei cortados por causa de modismo entre as colegas, mas meu íntimo é de comprimento exacerbado! Eu os sinto como fazendo parte da minha personalidade!...
Em certas profissões, há uma assimilação de cabelos longos com desleixo (vai saber por que isso!). Mulheres advogadas e competentes são assimiladas com o tamanho mínimo dos fios capilares e homens advogados, bem... se forem carecas, é melhor! Políticos podem ser corruptos, pusilânimes irreversíveis, que o povo os perdoam e até os reelegem. Eles só não podem ter cabelo pelo ombro... Policiais, pilotos de avião, militares em geral, não são bem vistos pelas madeixas acompridadas, sejam homens, sejam mulheres!...
E para complementar o cerco armado em volta dos cabelos compridos, um pensador de nome Arthur Schopenhauer, me sai com essa: "Cabelos longos, ideias curtas".
Se esse moço estivesse vivo, eu o empertigaria com a constatação que teria sobre mim, uma representante orgulhosa do comprimento anormal capilar. Pois a Mary, que aqui escreve neste exato momento, de cabelos longos tem tudo, mas de burra, é que não tem nada...
Puxando a "brasa para a minha sardinha", deixo a todos o vídeo da canção Cabelos negros, de Eduardo Dusek. Ao ouvir essa música, sempre tenho um sonho secreto de que ele a compôs para mim. O meu lado sonhadora é do tamanho que se medem os fios de meus cabelos... (Clique no título da música para apreciá-la!)

(Imagens:
Fontes desconhecidas)




















