PARA QUEM AMA GATOS

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Vale Tudo e a justiça

Eu não quero alardear aqui a questão do bom senso, da retidão de caráter, etc, etc.
Sabemos que a justiça de quem é mau é uma, e a de quem é bom é outra, isto é, acompanha as leis e faz o politicamente correto.
Mas quem assistiu a novela Vale Tudo como eu, do ainda espetacular Gilberto Braga, sabe que justiça ali, seja para bons ou maus, é uma só: mostrar com força física que se está muito enfurecido!
Para tanto, é que foi uma das novelas com o maior número de cenas antológicas , desde cenas delicadas e textos fortes, a porradas, socos, pontapés, humilhações verbais, e tudo o mais que fosse cabível para expor o desagrado do personagem.
Mesmo sendo pequena na época, eu compreendi que não adiantava ficar esperando aqueles trâmites legais que sabemos serem morosos em nosso País para resolver-se questões simples, como o fato de alguém ter sido vítima de adultério, por exemplo.
O pobre Afonso - interpretado soberbamente pelo meu querido e gato Cássio Gabus Mendes - foi o "corno" oficial da ficção!
Como aquela cretina da Maria de Fátima (interpretação ímpar de Glória Pires, a melhor dela de todos os tempos!) tripudiou na ingenuidade e doçura do rapaz!...
Claro que ser traído é doloroso para qualquer um, sobretudo por quem se gosta muito, e no caso do personagem, chegou às raias da loucura: foi enganado em TODOS os sentidos!
Então, subentende-se que uma criatura dessas não vá "deixar barato".
Afonso "arrebentou em cima" da mulher cretina, do seu amante, da mãe, e até da sua ex-namorada, Solange (Lídia Brondi que a interpretara e é a sua esposa na vida real).
Ele esperou a justiça dos juízes? Não. Sua justiça se assemelhou àquela de Moisés - "Olho por olho, dente por dente".
Bateu, xingou, acusou, falou "poucas e boas" a todos que o magoaram.
E eu no meu sofazinho, aprovando tudo, dizendo: "Yes! Vai fundo, Afonso!"
Pode parecer estranho eu defender o procedimento dele e de todos os injustiçados da novela, mas é que nem sempre é justo o que dizem ser justo.
No contexto da obra, os de péssimo caráter não entenderiam uma boa conversa, vingança branca, e até mesmo serem presos.
A linguagem tinha que ser a da rudeza, e que o vilão tivesse seus bens retirados, aí, sim, o entendimento se fazia de maneira completa!
Tanto é que o ÚNICO que pagou através da lei, Ivan (Antônio Fagundes), que tinha cometido o crime do suborno e para o bem de uma causa digna, nos causou pena...
A novela Vale Tudo, que tinha como enfoque principal a busca desenfreada pelo poder e dinheiro de maneira torpe, foi uma das obras com o melhor título que já vi, pois "valia tudo" mesmo no sentido moral , e físico, a exemplo do esporte de mesmo nome.
Seus personagens marcantes como Raquel (Regina Duarte), Heleninha (Renata Sorrah), César(Carlos Alberto Riccelli), Marco Aurélio (Reginaldo Faria), e lógico, a cruel e chique Odete Roitman ( Beatriz Segall)- que ocasionou a pergunta que paralisou o País: "Quem matou Odete Roitman?" - já renderam estudos em universidades para profundo conhecimento do comportamento humano e social (aliás, muitas novelas de Gilberto Braga, esse cronista social, têm servido de estudos em universidades nacionais e internacionais).
Eu comentaria por um dia inteiro a perfeição de construção de enredo desse autor que é um mestre em crônicas urbanas, só que não vai dar, por motivos bem óbvios.
O jeito é vocês assistirem a esse vídeo que eu pesquei no YouTube, um dos exemplos da justiça que a novela mostrou ser a correta dentro de seu contexto, o acerto de contas entre Solange (vítima) e Maria de Fátima (ré).
Que cada um tire as suas próprias conclusões, se houve correção ou não em seus atos...




(Imagem:

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O difícil "Caminho das Índias"

Não sei por que motivo, o povo brasileiro tem a mania de menosprezar as novelas, tratando-as como arte "menor".
É visto como "alienado" ou "sem cultura" aquele que admite apreciar esse gênero tão difundido em nossas terras tupiniquins!
Eu não concordo!
Novelas ruins existem, assim como filmes ruins, músicas, seriados, peças teatrais, pinturas e tal e coisa e coisa e tal...
Se formos analisar bem, deveríamos dar um "desconto" para elas porque escrever com qualidade até o final, numa obra com duração de 9 meses, é para deixar qualquer um com a cuca quente; desafio qualquer grande cineasta a fazer o mesmo!
O que ocorre, gente, é que os autores, em sua maioria, são ótimos, de uma criatividade sem par, mas a "máquina televisiva" os dilacera quando impõem aquela droga de merchandising em textos patéticos, os obrigam a encaixarem o novo affair do(a) diretor(a) ( e uma cavalgadura como ator/ atriz), os "modeletes" oriundos de BBB, finais odiosos para a próxima obra do horário vir com força, censuras que não existem abertamente embora no "sapatinho" estejam bem em vigor!
Caminho das Índias, de Glória Perez, a obra de ficção que escolhi para explanar minhas ideias, não é, nem de longe, a melhor novela que assisti na vida ( eu seria injusta com Vale Tudo, Que Rei Sou Eu?, Roque Santeiro, A Viagem , O Clone ( da mesma autora que Caminho) ou a divertida , mas não menos inteligente A Gata Comeu).
Digo mais:
Essa novela tem tanto erro, mas tanto, que se eu não tivesse minha sensibilidade aguçada para proteger folhetins, nem a citaria no meu rol de novelas assistíveis!
Para começo de conversa ( e a pior parte dela):
Como os personagens indianos conseguem se fazer entender PERFEITAMENTE com personagens brasileiros?
Todo mundo fala português na Índia ou no Brasil todos nós falamos inglês fluentemente?
Outra:
A passagem do Brasil para a Índia ( ou vice - versa) é tão barata assim?
É um tal de gente ir e vir com a maior facilidade e chegando em tempos recordes (viajam agora, daqui a pouco, chegam em seus destinos!)
E assim segue...
Porém, eu cheguei à conclusão que novelas são ficção e nós podemos usá-las como bem quisermos, imaginando-se que você próprio tem que SABER O QUE QUER!
Eu sei bem o que quero numa novela: Quero REFLETIR!
Gosto de ver cenas e parar para pensar em como seria aquilo na vida real, como eu reagiria na mesma situação, como ser alguém que se coloca no lugar do outro...
Em meio a tantas críticas que eu já fiz para o Caminho das Índias, tive que descer do meu pedestal de "intelectualidade" e dar as mãos à palmatória:
Que novela humana, minha gente!
Como seus personagens são viscerais, reais, oportunos, humanos!...
Personagens que nos tomam na sua capacidade de nos tornar mais " a ver", nos chamam para a vida, como se dissessem: "Alô! Você poderia ser um de nós!"
Preciso esmiuçar a veracidade da esquizofrenia tratada na obra, da questão dos maus tratos que se faz aos "diferentes" no caso dos dalits ( esse questionamento me é tão importante que escreverei um post só sobre isso na semana que vem), da psicopatia que arrebata certos seres humanos, da ambição desmedida, da hipocrisia de alguns casamentos, da maldade social, seja na Índia ou no Brasil?
Por que colocamos uma lupa grande para caçar defeitos em novelas, e óculos escuros para não enxergar suas qualidades?
Muitos filmes que assisti foram verdadeiros LIXOS CULTURAIS, só que ninguém reclama do veículo ( filme), esmera-se apenas em detonar a obra em si, frisando muito bem o título (Lembro de terem os críticos e a população arrebentado com Irmãos Gêmeos, dizendo ser de péssima qualidade, mas ninguém generalizou alegando que filmes não prestam!) .
Quando se trata de novela, costuma-se generalizar ( "Não suporto novela!", o que muitos declaram, no lugar de dizerem : "Não suporto a novela X!")
Assim como filmes, elas também merecem que tenham seus títulos pronunciados, para se falar bem ou mal delas!
Por que isso?
Por que esquecer-se de obras primorosas de nossa dramaturgia?
Por que não usar o termo "mas", por exemplo: "A novela Y é horrível, mas tem umas cenas cômicas legais..."?
Na prática, não funciona assim!
A população se limita a repetir nas ruas aqueles dispensáveis ( para não dizer pedantes!) bordões novelísticos. "Hari baba", "Namastê", "Tic" são o máximo que se assimilou de Caminho das Índias!
Quando as pessoas assistirem as novelas sabendo bem o que querem delas, passarão a apreciá-las!
Se assistimos um filme de ação, esperamos que o mesmo tenha cenas eletrizantes; alguém vai lá se preocupar com o enredo, se é de aprofundamento humano analítico ou de pensamento freudiano?
Peças cômicas de teatro tem obrigatoriedade de trazerem dramas conflituosos onde os personagens chorarão de dor e saudade em suas cenas mais importantes?
Novelas de besteirol, estou correndo, porque não as curto!
Só que na hora de as detonar, uso o título de cada uma delas, mesmo porque existem exceções interessantes como foi Quatro por Quatro.
Sou apaixonada por obras urbanas inteligentes e de suspense, portanto adorei assistir A Favorita e quase todas de Gilberto Braga , ainda que por motivos supracitados, também possuíram suas falhas vergonhosas...
Termino de maneira brincalhona a minha defesa de noveleira.
Lanço um trocadilho que o meu mano do meio adora repetir para sacanear as minhas queridas (ainda que ele dê umas olhadinhas bem constantes em algumas delas!)
"NOVELAS, MELHOR NÃO VÊ-LAS! " ( Alguma semelhança com o conhecido verso de Vinícius de Moraes, "Filhos, melhor não tê-los"?)
E acrescento, sempre:
"MAS JÁ QUE AS VEMOS,
QUE NOS ENVOLVAMOS EM SEUS NOVELOS!"...


(Imagem:

http://caminhodasindia.blogspot.com/2009/01/caminho-das-indias-personagens.html)