
Antes que comecemos a dar nome aos bois, sem distinção pouco elucidativa, me congestiona o espírito imaginar a promiscuidade que virou nosso mundinho de penas, "perdões" e "papagaiada" falaciosa.
Se alguém não me entendeu, me refiro ao curral religioso!
Mas o que temos aqui? Humanos seres "encurralados" em jaulas, recebendo farinha ou ração "verbal", onde bichos são mais produtivos que gente?
Um monte de humanos seres vejo, suando, "ralando", trotando feito jumentos atrás da "palavra", que pode ser recebida de graça, em casa...
Senhores, nós não somos vacas, carneiros, nosso mundo não é a extensão do presépio cristão e como diria o outro, nem cachorros somos, não!
Será que a tomada religiosa para o "aprisionamento pastoril" veio da metáfora do nascimento de Jesus, que viera à luz numa manjedoura e, mal interpretada, tomada ao pé-da-letra, considera-se carneiro subserviente qualquer humano que queira seguir o Mestre?
Os animais são de Deus, mas a significação de "tratado feito cão" encerra conotações bem diferentes de "divino"...
Não adoto o que certos seguimentos fazem, o manuseio da "palavra" feito machado ao cortar árvores!
A balbúrdia já vem de longe, ao retirar-se do Primeiro Testamento, alguns livros importantíssimos, num dos quais, Jesus comprovava, na belíssima passagem com Elias, sobre o "nascer de novo" (e não é só sobre o limitado processo do Planeta Terra que Ele se refiria...).
Trocada uma vírgula, e o poder do "perdão" firmou-se em outras "traduções".
Jesus dissera, com seu aramaico compreensível:
"Em verdade, em verdade vos digo hoje, estarás comigo no Paraíso". (Noção de que Ele está dizendo no dia de hoje, o que ocorrerá um dia. Entenda-se bem : UM DIA!)
E o que nos chega, na manipulação típica dos usufruidores?
"Em verdade, em verdade vos digo, hoje estarás comigo no Paraíso". (Noção de que Jesus levará para o Paraíso hoje, alguém que bastou apenas falar que se arrependia...)
Então é fácil!... Não há transformação, peço perdão, e HOJE MESMO ESTAREI NO PARAÍSO?!
A indústria do "perdoar" é rentosa, porque não há mudança na alma, e ninguém precisa entender o erro que cometeu: é só se arrepender da falta...
Não acho compatível a seres pensantes, a "chantagem" que se faz, colocando na boca de Deus, palavras criadas pelo homem, como: progresso (financeiro), prosperidade (financeira), trabalho (que traga mais status financeiro) e perdão (que se obtém com troca financeira)!
Tratar feito tolos aqueles que sabem ler nas entrelinhas, é o mesmo que chamar alguém de moleque!
Na inocência, a criança se vende por um bolo de fubá que seja, assim os que buscam conforto na palavra, se "entregam" rendidos, de mãos atadas, àquele "doce" após a janta... É justo investir na "palavra"...
Seria eu, de uma demagogia absurda, incentivar o uso de vocábulos consoladores, ao ver barrigas que roncam!
Diga àqueles que têm fome, fome mesmo, uma África de USA We are the world, àqueles jogados na terra árida improdutiva, de arroz iguaria de luxo, que Deus usa a "palavra" para salvar vidas?
"Deus", para quem sente seu estômago inexistente da seiva de pulsar, é aquele camarada maciço de carne, nem temperada é, que se come e nasce a cada prato, que ressuscita nas águas e aplaca a sede, que se veste de verde de comida, mas não de esperança.
"Deus", para quem tem fome, É TER O QUE COMER...
Com toda a sinceridade que meu coração de gente pede nesse momento, digo que a palavra é abençoada, se não for usada para frear feito coleiras ou limitar o olhar qual viseiras de pasto!
Somos seres com alto poder evolutivo; pena não termos noção do quanto...
Deem-nos o ABC, e ele vira uma gramática; deem-nos o 1,2,3, e nos tornamos infinitos!...
É isso o que as religiões devem ter como meta em seus âmbitos sacramentados: doutrinar o irmão para que ele saiba que pode caminhar, pelo bem ou pelo mal, sendo a escolha toda dele!
Fazer o bem pelo "temor" do castigo divino, acaba se tornando uma trava para a longa jornada rumo ao progresso.
Viramos uma criancinha medrosa, que se apavora só em pensar que papai vai bater porque pegou biscoito do pote...
Caridade, o amor fraternal, é virtude de quem sentiu a existência da maldade, e optou por consciência, pela prática da filantropia.
Palavra por palavra, não serve...
Naturalmente que não darei nome aos bois porque nós não somos animais, nem mesmo aqueles que assim nos tratam!
Só peço aos que ainda se submetem à falácia de certos tipos, que Deus não nos fez irracionais!
Usando nossas mentes um pouco mais, perceberemos que todo curral é fétido, por mais bem tratado que seja.
E tome cuidado com o curral religioso que, se não é sujo no espaço, é imundo nas almas daqueles que nos veem como simples, parvas, extorquíveis "vaquinhas de presépio"...
(Imagem:
Fonte desconhecida
Edição de imagem:
http://marymiranda-fatosdefato.blogspot.com)



















