
Mais um poema direto da minha época do Normal.
Bom frisar que me fiz valer somente do eu- lírico para escrevê-lo, não usando NENHUMA experiência pessoal em sua elaboração.
Os versos vieram não sei de onde; só fui simples instrumento para reproduzi-los no papel...
Miragem
É preciso acreditar-se no que se vê,
Pois a visão poderá tornar-se verdade;
Essa carícia que sinto nos cabelos
Vem desse momento de pura saudade...
Ouvi ainda há um instante,
Um tilintar de copos de uísque;
Uma risada irônica e bêbada,
Antes, um ato degradante.
As discussões acaloradas;
Os presentes de aniversário;
E os beijos de chegada,
São fatos do meu imaginário.
Visualizo as danças proibidas,
Nas quais éramos liberais;
Mas dançávamos às escondidas,
Para não humilhar os outros casais!
Percebo a sua fisionomia alterada,
Ao lembrar-lhe a mudança de idade;
Porém, esta mesma continua adequada,
Aos meus padrões de vaidade.
Vejo o gato siamês ronronando,
Correndo atrás do bolo jogado ao chão;
Outra vez o cachorro esperto chega antes ( malandro!)
Você briga como se ele não estivesse na razão.
Não demonstro nenhum interesse,
Rindo, sabendo de antemão,
Do castigo que julgasse que o cãozinho merecesse!...
A imaginação é mesmo intrigante:
Vi ainda há pouco,
Um sorriso matreiro,
Saindo das cortinas,
E escondendo-se nos travesseiros...
Esses são os meus dias,
Eu depositando a vida inteira,
Minha fé num imaginado retorno, um dia!
Uma ideia vivamente prazenteira.
E essa fé está quando leio e acendo um cigarro;
A luz é o resquício de quem espera e não se cansa,
Mas, o que se pode esperar de um sonho tão bizarro?
A guimba sempre cai,
Queima as letras,
O cigarro acaba...
...Vai-se junto a esperança!...
(Imagem:
Fonte desconhecida
Edição de imagem:
http://marymiranda-fatosdefato.blogspot.com)

















