Vai para lá, vai para cá, com sua fiel escudeira, tira onda em cima da aliada, mas não é nada sem ela; alguma agulha sobrevive sem linha?...
Se fosse uma mulher, seria daquelas organizadas que passam o uniforme dos filhos com afinco, faria muitas coisas ao mesmo tempo, focando a mente no almoço: magrela, mas boa de garfo! Bem... Ela trabalha a balde, queima as calorias nas correrias, botando todo mundo no chinelo!...
Minha lembrança mais antiga de uma, é ver meu pai manipulando o chuleio de ex-alfaiate. Camisas azuis ou shorts de quintal, eram frutos da inoxidável mediana, que não espetava o polegar por causa do dedal... Nunca aprendi a arte da costura, por mais que meu progenitor autoritário tentasse me ensinar!
Aliás, ser profissional da área "agulhas que espetam dedos", em anos longínquos, deve ter sido trabalho de pompa! Mesmo aposentado, tanto meu pai quanto minha mãe falavam (e falam!) a designação com boca cheia: "Fui oficial de paletó!", algo que não dava tanto dinheiro assim, mas sustentou a família, juntamente com as deliciosas paçocas...
Agulha adora fazer arte! Mesmo eu que nunca tive essa intimidade toda com uma, me levou a consertar algumas roupas rasgadas, construindo desenhinhos com a dupla dinâmica!... Ficavam coloridos e bem bonitos! Lembro de uma saia jeans que inventei uma flor na frente e uma abelha mais distanciada. Ficou tão interessante, que houve quem achasse que eu tinha feito curso... Oras! O que uma agulha "inspirada" não apronta?!
Essa magrela agitada dá uma impressão de parada no carretel por obrigação! Fica quieta enquanto aguarda qualquer movimento das mãos. É algum de nós a segurarmos, lá vem rodopio de sobe e desce que, basta uma mente mais poluída, para ela fazer imaginar coisas... (Eu sempre penso bobagens, não sei por que isso...)
A história diz que a primeira agulha surgiu há mais de 20 mil anos feita de osso, e a de ferro, no século XVI, na Inglaterra, ou seja, tanto uma quanto a outra , é velha pra danar... No entanto, quem chama de idosa uma "criatura" tão formosa? Se tivesse raciocínio, seria daqueles seres banhados em formol, sempre conservada e linda; nunca vi agulha feia... Mesmo tortinha pelo uso ou um pouco enferrujada, sempre "manda ver". Termina uma costura inteira, tanto a novinha quanto a "coroa" espevitada!
Função que quase nunca ninguém recorda é de tirar espinhos que se esgueiram pela cútis das mãos ou pés. Já cansei de banhar a inoxidável das costuras em álcool, para depois fazer o joguinho de espetamento, tentanto retirar algo pequenino e que dói quase quanto dor de dente! Ela vai escavando devagar em volta. Quando nos damos conta, o espinho saiu; a magrelinha volta para a sua almofada para dormir, um tanto resmungona, esperando que da próxima vez seja chamada para alguma função artística, que é a sua preferida!...
A grande verdade que ninguém sabe mais viver sem essa "moça". Uma roupa que se preze em meios sociais contemporâneos, tem que passar pelo seu crivo de aprovação! Já estilista por natureza, toda agulha faz aquele acabamento eficaz!... Existem as máquinas, existe o homem, existe o talento, mas só ela vai fundo nos detalhes! Poderíamos classificar essa notável como perfeccionista. Até para fazer trabalhos mal feitos, ela é minuciosa! Todo mundo percebe se uma delas passou por algum lugar. Sua marca é vista de longe!...
Básica invenção que sobrevive a milênios! Muitos afirmam que, junto à caixa de fósforo e à colher, NUNCA será substituída. Aperfeiçoada? Talvez... Porém, o mecanismo, a ideia, o "estalo de perfuração" esses, serão sempre "monopólio" da fininha lépida...
Um abraço eu mando para ela, a "mulher das prendas"! Só não vou cair na asneira de abraçá-la muito apertado. É boazinha, só que é meio mal humorada! Mesmo quando não lhe fazemos nenhum mal, se amarra em nos espetar, avisando-nos que não devemos nos distrair quando estamos em serviço...
(Imagem:
Fonte desconhecida
Edição de imagem:
http://marymiranda-fatosdefato.blogspot.com.br)















Verifique com atenção se o seu ano de nascimento está na lista , ok?

