Passamos por algumas situações complicadas muitas vezes. Acredito que todos nós temos um histórico de vida ímpar, que por mais que se assemelhe ao do outro, nunca é igual. Coisa mais individual que existe é a dor...Foi pensando nisso, que veio do nada em minha cabeça, o filme Perdas e Danos, com Jeremy Irons e Juliette Binoche, filme esse, diga-se de passagem, pouco divulgado pela mídia.
Não vou ficar contando a história. Só quero que entendam a mecânica de sentimento de nós, pessoas no geral.
Admito que quando vi a capa do até então VHS ( quando o assisti pela primeira vez , o DVD estava engatinhando), não tive grande motivação para assisti-lo, já que a imagem nos arremetia a um conceito pré-julgatório: se imagina tratar-se de filme pornográfico médio, de teor questionável. (Um casal inteiramente nu, de frente um para o outro, sem mostrar as partes íntimas, por isso o uso de "pornográfico médio")
Contudo, deixando o pré-julgamento de lado, descobrimos um universo de emoções pouco desbravado por enredos cinematográficos.
Mostra uma história pungente, nua, crua , de seres humanos ávidos em terem uma vida normal, primando em só amar.
Como a nossa vida é! Quem foi disse que é tão simples assim?
Um homem bem casado, com uma brilhante carreira política, que fora médico no passado e que se apaixona pela primeira vez na vida por uma mulher igualmente brilhante.
O problema já se instalou aí: ele é casado.Qualquer história comum pararia com esse enfoque , que daria pano para manga suficiente para ater os expectadores. Só que o enredo é baseado no livro homônimo de Josephine Hart e segundo dizem(eu não li, mas pretendo), a autora consegue tecer uma narrativa ainda mais perfurante do que vemos na tela.
Tanto no livro quanto no filme nos deparamos com essa audácia: a mulher brilhante é ninguém menos que a namorada do filho!
Querem mais? O filho é apaixonado de pedra por ela.
Mais um pouco? O filho admira o pai e quer ser igual a ele.
Mais? A mulher tem um passado bem "esquecível".
Mais ainda? Assistam o filme...
Gente, é forte demais a descoberta que o que aprendemos pela vida não corresponde ao que de fato acontece.
A imagem princepesca que fazemos, principalmente nós, as mulheres, do bastar amar e transpor barreiras, desmorona diante do que vemos na narrativa.
Quem somos nós para julgar? É essa a mensagem que parece nos transmitir Perdas e Danos.
Não posso deixar de destacar a interpretação irretocável do casal principal, sobretudo Jeremy Irons, ator inglês de formação teatral que, por motivo que desconheço, não se tornou um desses badalados hollywoodianos. Como não bastasse, o cara é um verdadeiro "achado" para o clube feminino: ele é um gato!!!! (Já está meio "coroa", mas não perde a pose ; um digno lorde inglês!)
Voltando às reflexões, eu gostei muito de assistir, porque a história não se perdeu em clichês bobos, o término é surpreendente, e até as cenas íntimas do casal são diferentes do que costumamos encontrar em filmes comuns. A história muitas vezes nos faz lembrar Nélson Rodrigues, por causa do drama-família e da "falta de respeito" com valores morais impostos por séculos e séculos em nossa sociedade.
Às vezes um tanto lento, com muitas imagens que valem mil palavras, Perdas e Danos vale a pena ser assistido por quem gosta de filme-cabeça e por aqueles com mente varrida de qualquer preconceito.
Preparem-se, portanto, para o que eu vou declarar: é duro saber que o que alguém vivenciou, não serve de exemplo para ninguém. Engulam a própria dor, meus queridos, e sejam felizes com ela...
E como diria a personagem de Juliette Binoche : "Gente sofrida é perigosa. Sabe que pode sobreviver".
P.S.: A produção é européia. Vai ver foi por isso que não ganhou destaque mundial...
Beijos, meus lindos!!!!










