Rádio Mary Difatto

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Análise de "Primeiros Erros", de Kiko Zambianchi


Hoje eu trouxe a análise de Primeiros Erros, do álbum Choque, do ano de 1985.
Composta e interpretada por Kiko Zambianchi, quase que esta música não chegaria a tocar em rádios, se não fosse pela perseverança do cantor/autor.
É que embalada pelo grande sucesso da música Choque, a gravadora queria partir para a gravação do segundo álbum, deixando de lado qualquer tentativa de impulsão de outras músicas.
Mas Kiko sentiu uma vibe muito grande em sua composição levando, ele mesmo, Primeiros Erros para tocar nas rádios onde concedia entrevista.
Conclusão: Primeiros Erros se tornou uma de suas músicas mais importantes!
A letra desta maravilhosa canção, fala dos nossos pensamentos do passado que vivenciamos, em que sempre imaginamos que poderíamos ter feito tudo diferente. Se pudéssemos mudar nossa conduta, nada poderia nos atingir; seríamos pessoas melhores.
No começo da letra, percebemos o quanto o personagem se arrepende de alguns atos:
"Meu caminho é cada manhã/ Não procure saber onde estou/ Meu destino não é de ninguém/E eu não deixo meus passos no chão".
É como se ele quisesse recomeçar, cometeu algumas falhas e não quer que ninguém o imite, cometa os mesmos erros.
Uma coisa meio: "O que os olhos não vêem, o coração não sente", se reflete nestes versos:
"Se você não entende, não vê/ Se não me vê, não entende/ Não procure saber onde estou/ Se o meu jeito te surpreende".
Ele sabe de suas complicações pessoais, e não quer que as pessoas que o rodeiam o julguem, pois cabe apenas a ele  consertar seus próprios problemas.
A  metáfora com o clima se faz em:
"Se o meu corpo virasse sol/ Minha mente virasse sol/ Mas só chove e chove/ Chove e chove..."
Aqui, ele sintetiza suas angústias no clichê tradicional que nós, humanos, fazemos: tempo bom, é de sol; tempo ruim, é de chuva...
O personagem gostaria de poder mudar, se arrepende muito de toda dor causada a si próprio e aos outros, na passagem mais perfeita da canção, continuando com a metáfora do clima:
"Se um dia eu pudesse ver/ Meu passado inteiro/ E fizesse parar de chover/ Nos primeiros erros/ O meu corpo viraria sol/ Minha mente viraria/ Mas só chove e chove/Chove e chove..."
Esse "ver meu passado inteiro" na verdade quer dizer, "se eu pudesse voltar no tempo", ele não cometeria tantos erros assim, descobriria onde falhou logo no começo, fazendo o que se chama popularmente de "cortar o mal pela raiz".
Uma das piores coisas que acometem ao ser humano é o arrependimento. É triste demais uma pessoa refletir sobre o que fez de ruim, ou o que deixou de fazer de bom, e ter a consciência de que isso jamais poderá ser mudado.
É esse o foco do arrependimento que não pode ser consertado que fala a música.
Kiko construiu a canção com uma riqueza de ideias emocionante. É, com certeza, uma das letras que mais me toca o coração.
Infelizmente, como diria Mário Quintana: "O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente".
Certos arrependimentos irão nos perseguir, mas cabe  a nós mesmos nos perdoarmos, tentando evitar novos grandes erros.
Que nosso corpo e mente se tornem sol, e consigamos brilhar mais e mais, com a certeza de que amanhã será um outro dia!...


Obs.   1. Fiz um post há algum tempo, onde o tema era sobre o perdão que devemos ter por nós mesmos. O título é Aprendendo a me perdoar e a música do Kiko Zambianchi estava lá também, para enobrecer a mensagem que passei. É só clicar aqui para ler!
           2. Essa letra fez parte da análise de abertura do programa Rock, Pop Entre Outros Sons, do dia 15 de agosto de 2015, onde eu apresento todos os sábados, das 16h. às 18h, pela Bicuda FM 98,7 (Também pode ser ouvida pelo site www.bicuda.org.br)

Deixo um vídeo,  que traz a letra completa,  logo abaixo.





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domingo, 26 de julho de 2015

Saída da zona de conforto




Sempre que eu paro para pensar, é um pesadelo: descubro que preciso ser.  E para eu ser, preciso ir... Meu ser tomado por dúvida, vontade, sandice, solicitude, devaneio, entorpecimento...
E quem foi esse tal que inventou que é preciso ir, seguir, começar, retomar?
Droga de vida, que não me deixa aquietar num canto e me acomodar no ápice da minha preguiça. Preguiça a la Macunaíma mesmo, preguiça de ter que fazer tudo, com um buraco negro do caos, levando para o nada.
Nesse abismo indeferível, ali estou bizarramente incongruente; aqui se faz, aqui se paga. E o preço é mais alto ainda quando você não fez nada por si.
- Droga de vida! - agora sou eu, gritando.
Tento fazer algo. O quê?, uma vozinha agora covardemente miúda me indaga.
É urgentemente necessário sair da leseira de apenas ficar e ir à vida, seguir em frente, TENTAR!
Daí paro para pensar mais ainda, se corro o risco de ser feliz se eu continuar na labuta de "mudar o rumo dessa prosa".
E dá-lhe de questionamento, dá-lhe de humanamente me esgueirar para a introspecção, dá-lhe  de me certificar de que há certeza, dá-lhe de me desfazer na areia do tempo e espaço, e voltar para o ninho acolhedor, aquele da recepção conveniente, embora de alto teor de amargo no ser.
Alguém por aí inventou o preciso ir.
Preciso ir por quê? Por que é algo a ver com o fenômeno da natureza, qual trovoadas e chuvas em tardes torturantes de calor-Rio? Será que é preciso seguir em frente por que há a esperança de encontrar alguma surpresa Kinder Ovo ali na esquina, surpresa dispensável quando descobrimos a incógnita? Ou seria por que todo mundo - Ai, que preguiça...  - nos exige um movimento crescente indo ao longe? Ou talvez por que - Ai, que preguiça... - "gente" rima porcamente com "ir para frente"?
Detesto formar a massa que faz o bolo do  "geral faz isso" porque, como diria Nelson Rodrigues: "A unanimidade é burra". Mas...
... Droga de vida!
Se eu não sigo para frente, o que posso fazer comigo? É me deixar morrer, esquecer, tomar aquele remédio adverso da memória, evitar o jogo mnemônico, correr das palavras cruzadas, causar propositalmente o Mal de Alzheimer, só para deletar da mente quem sou, só para não precisar ir, não fazer parte da "unanimidade burra"?
Ai, que preguiça...
Algo em mim, talvez o sexto sentido - talvez eu tenha errado a contagem e esteja no milésimo -, me impulsiona para esse ir, não porque "todo mundo" diz, não porque eu decorei o texto já na tenra infância.
Com honestidade, um certo egoísmo, um ataque de eu, me retruco com maldade, maledicente: "É porque eu QUERO IR!"
Vem lassidão de ideias, chega correndo o pensamento do espúrio relaxamento, sobrevoa nefasto o íntimo pulsante de "deixar pra lá".
Mas é ele, esse "EU QUERO!",  que me liberta das amarras da estagnação.
Penso em ir para frente porque é bom demais, mais que suficiente, esse advérbio de intensidade me socorrendo, poder ver a vida lá adiante, pisotear as agruras, me esparramar nos braços do que ainda está por vir...
Começar do zero ou pegar os fios que ficaram soltos, formar novas vestes para cobrir a minha alma de júbilo.
EU QUERO  me permitir uma nova oportunidade.
EU QUERO me aventurar em rumos inéditos, talvez nem por alto imaginados antes.
EU QUERO experimentar o que ainda há de eu construir para mim; a vida pode me sorrir, com cores fartas, com a perene dúvida de não saber se irá dar certo.
EU QUERO tentar.
Sim, EU QUERO TENTAR!
Quando penso que ser é ter que me questionar, me calo com idoneidade, com a plenitude da incerteza bailando ferina conquanto fascinante no meu eu.
EU QUERO, sem cobiça, nem omissão. Limpo, claro, certo, imediato.
EU QUERO!, qual resposta infantil.
O mundo só evolui quando é tomado por perguntas, porque seria muito entediante todo mundo explicar todo o mundo...
Vou lá, chegarei na frente e rumarei para esse desconhecido tão inebriante.
Não pretendo errar além da conta, porém, me conscientizo que é arriscado isso ocorrer.
Tentar me recompor de novo; tenho medo. E sei que é humano temer.
NÃO TENHO MEDO DE TER MEDO!
Ficar naquela paralisação me faz mal, caio na rotina de sofrer por não ter tentado.
Vou lá, darei um pulinho no futuro e fico por ali mesmo.
Sou incansável: EU NÃO QUERO parar!
E no meu subentendido, aquele subentendido do meu eu, aquele que ninguém pesca, ninguém tasca - Eu vi primeiro! -, entrementes sorrindo, no mistério do ser, sem travas para me permitir, sem torrente, sem torre, "por lugares incríveis",  eu chuto pra trás qualquer alusão ao comodismo.
Descubro sem vergonha alguma de que agora NÃO POSSO parar de ir.
Sim, agora, - Ufa! - NÃO QUERO deixar de tentar melhorar, de tentar conquistar a minha vitória enquanto ser humano.
NÃO QUERO esperar acontecer porque a hora é essa, seja lá qual for que hora é "essa"...
NÃO QUERO olhar o relógio. Tenho "todo o tempo do mundo".
NÃO QUERO estabelecer metas. Salvaguardar desatinos me é, por si só, bem convincente.
NÃO QUERO me frustrar: "Gatos escaldados de água fria têm medo", mas decidi que a não-dor é também sofrimento.
Corro com pressa, com método e coração em frenesi. Ele me chama para o desbravamento. Ali, para ele onde me convida a emoções diversas. Irrequieto coração, que reestabelece  a queda para a ternura; que segrega mistérios a se conhecer. Prazer, meu nome é BUSCAR!
Ai, que preguiça?
Por favor, pense! Continue pensando. Só não pare...

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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Malandragem - com Cássia Eller

 
 
 
Hoje estou analisando a letra da música Malandragem, com Cássia Eller, uma composição de Cazuza e Frejat, e que saiu no álbum Cássia Eller (1994). Essa canção elevou Cássia ao status de estrela do rock nacional.   
Uma curiosidade, antes de analisar a letra, é que foi composta especialmente para Ângela Rô Rô, no final dos anos 1980. Ângela não quis saber da música por ter achado a letra "um absurdo", ao ser apresentada. Confessou ter se arrependido, num show que foi do Frejat, anos mais tarde.
Bem, pelo meu entendimento, Malandragem dá a impressão de ser discurso de quem cresceu, mas não aceita certas imposições da vida adulta.
Já no título, percebe-se que o intuito não é a malandragem como se consagrou na língua portuguesa. Malandragem não é coisa de gente que quer se dar bem ou quer enrolar o outro. Aqui, o sentido é de "malícia", "menos ingenuidade".
Nos primeiros versos:
 "Quem sabe ainda sou uma garotinha/Esperando o ônibus da escola, sozinha", temos a noção de que a mulher feita da música, fica se indagando sobre a falta de tato com esse mundo tão "real", tão "amadurecido".
"Cansada com minhas meias três quartos/Rezando baixo pelos cantos/Por ser uma menina má"; os versos continuam nos dando a ideia de infância e seus temores.
"Quem sabe o príncipe virou um chato/Que vive dando no meu saco" , notamos que a marca do sonho feminino desde a infância, que é encontrar o tal Príncipe Encantado, vai se perdendo com o tempo. Após tantos "sapos" ou "chatos" que se encontra por aí. As fantasias são questionadas diante de tantas frustrações:
"Quem sabe a vida é não sonhar?" 




No refrão: "Eu só peço a Deus/ Um pouco de malandragem/Pois sou criança/E não conheço a verdade", dá a sensação de que a personagem da letra realmente não tem o jogo de cintura para aceitar os problemas. É como se quisesse achar o seu lugar no mundo e não tivesse ainda a maturidade que a chamada "vida adulta" tanto pede. Na parte: "Eu sou poeta e não aprendi a amar" soa como um contrassenso. Onde já se viu poetas, ou seja, pessoas sensíveis, que não sabem amar? É como se ela percebesse que o que chamam de amor, não foi o que aprendeu lá, no passado, quando era apenas uma garotinha...
"Bobeira é não viver a realidade/ E eu ainda tenho uma tarde inteira"
Nesse momento da música, a personagem está mais pragmática, isto é, se dá conta que viver de passado ou futuro, é uma bobagem , viver é aqui e agora. Reparem que ela não diz: "E eu tenho uma vida inteira". Diz que tem "uma tarde". Por quê? Porque está mais concisa de que amanhã pode não chegar e ela quer o tempo de hoje, que é o que tem em mãos.
"Eu ando nas ruas/Eu troco um cheque/ Mudo uma planta de lugar/Dirijo o meu carro/Tomo o meu pileque/E ainda tenho tempo pra cantar".
Para provar que a vida chamada "real" é essa que vivemos, ela anda, troca cheque, muda planta, dirige, toma umas doses, e ainda sobra tempo para fazer coisas das quais gosta, como cantar , por exemplo.
O refrão volta com a personagem pedindo "um pouco de malandragem" porque se ela conseguir ser mais esperta, tudo o que almeja, há de acontecer um  dia. Enquanto isso, ela vai vivendo o momento para tentar ser feliz, como todo mundo almeja.
E, afinal, "um pouco de malandragem", um pouco de malícia e tato para lidar com os problemas, não faz mal a ninguém...




 
Letra e vídeo da música logo abaixo!

Malandragem - Cássia Eller
(Cazuza/Frejat)

Quem sabe eu ainda
Sou uma garotinha
Esperando o ônibus
Da escola, sozinha

Cansada com minhas
Meias três quartos
Rezando baixo
Pelos cantos
Por ser uma menina má

Quem sabe o príncipe
Virou um chato
Que vive dando
No meu saco
Quem sabe a vida
É não sonhar

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar

Bobeira
É não viver a realidade
E eu ainda tenho
Uma tarde inteira
Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Pra cantar

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar

Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Pra cantar

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar

Quem sabe eu ainda sou
Uma garotinha




(Imagem:
Fonte desconhecida
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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Vídeo do programa Rock, Pop Entre Outros Sons


 O programa Rock, Pop Entre Outros Sons foi registrado em vídeo, na parte final, no dia 27 de junho de 2015.
Sua transmissão ocorre todos os sábados, as 16 horas, pela Bicuda FM 98,7, ou pelo site www.bicuda.org.br
Quem quiser conferir, só clicar no vídeo abaixo!