Rádio Mary Difatto

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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Mary Difatto na Escadaria Selarón



No dia 9 de abril  de 2016, Henrique e eu estivemos na famosa Escadaria Selarón mais uma vez.
Fica aqui no Rio, mais precisamente na Lapa, e é reverenciada no mundo todo.
Jorge Selarón foi um artista plástico chileno, que veio morar no Brasil, resolvendo montar um estúdio e enfeitar todos os lances de escada que dão acesso ao bairro de Santa Teresa pela rua Joaquim Silva.
Infelizmente Selarón nos deixou no dia 10 de janeiro de 2013, vítima de um suposto assassinato.
Seu legado, porém, é eterno. A Escadaria já faz parte do tombamento histórico brasileiro.
É arte. É vida!
O vídeo que fiz lá é uma pequena homenagem a essa maravilha de ponto turístico que acabou se tornando com o decorrer dos anos.
Espero, sinceramente, poder fazer uma tomada melhor do espaço, trazendo para cá logo quando possível.
Sem muita extensão, fique aí com um pouco da pomposa Escadaria Selarón!






(Imagem:
Fonte desconhecida)

terça-feira, 12 de abril de 2016

Mary Difatto na Rádio Globo - Apresentação de Jorge Luiz


Foi no dia 23 de fevereiro, deste ano de 2016, que tive uma grande alegria: ser entrevistada pelo magnífico comunicador Jorge Luiz na Rádio Globo.
Ele, juntamente com sua equipe - Flávio Delgado e Wendell - nos recebeu muito bem, mostrando o profissional irretocável e o ser humano extremamente generoso que é.
O programa ocorre nas madrugadas de segunda a sábado, a partir da meia-noite. O nome não poderia ser outro: Madrugada e Cia.
Jorge Luiz é considerado o dono de uma das vozes mais bonitas do rádio brasileiro. E é muito culto, sabendo desenvolver conversa sobre qualquer assunto.
Adorei estar lá!
Abaixo, o vídeo que sintetizou bem a entrevista.
Meus agradecimentos ao Jorge e à equipe,  à Rádio Globo e também à gravadora Som Master.
Aquele abraço!



(Imagem:
https://www.facebook.com/MaryDifattoOficial)

terça-feira, 29 de março de 2016

Análise de "Televisão", com Titãs


A música Televisão, interpretada pela banda Titãs, é do álbum homônimo
Televisão, do ano de 1985, composta por Marcelo Fromer, Tony Bellotto e Arnaldo Antunes.
Uma curiosidade: o álbum foi produzido por Lulu Santos.
Sem dúvida, a letra é uma clara crítica a essa mídia tão conhecida e difundida chamada televisão.
Não há disfarces ou subterfúgios; a linguagem usada é ácida. Porém, em muitas passagens, tenha conotação cômica.
Praticamente o primeiro refrão - ou os primeiros versos - já define o que o personagem da música acha da TV:
"A televisão me deixou burro/ Muito burro demais". Temos aqui a capacidade de anulação do pensamento que este veículo comunicativo oferece ao público. É como se deixássemos que a televisão pensasse por nós.  Essa tônica procede por toda a letra.
Vejamos também:
"Agora todas as noites me parecem iguais". Sim, se a TV pensa por nós, obviamente que tudo que acontece é igual, pois todos nós nos tornamos iguais, na mesma limitação de raciocínio.
Em: "O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida/ E agora toda noite quando deito/É boa noite, querida". O  sarcasmo evidente! Se o comercial que passou de sorvete na TV exerceu uma influência, já que o personagem naturalmente comprou o produto, é como se ele ficasse tão gripado, que daria a sensação de que não passaria nunca. Aí, tchau, romance! Ele deita na cama e dorme, literalmente...
A parte mais intrigante para mim, pois não sabia do que se tratava (tive que pesquisar bem), foi essa:
"Oh, Cride, fala pra mãe/ Que eu nunca li num livro que o espirro fosse um vírus sem cura/ Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura/ Oh, Cride, fala para mãe!". Esse "Cride, fala pra mãe", conforme apurei, era o bordão de um humorista já falecido de nome Ronald Golias, que de tanto que repetia, o público falava a todo instante, por todo lugar. Além de criticar as pessoas que são "papagaios" de tudo que ouvem e veem, a letra também mostra a contradição dos cérebros preguiçosos de pensar: se o sorvete o deixou "gripado pelo resto da vida", como é que ele  nunca leu "num livro que o espirro fosse um vírus sem cura"? É que, a mesma TV que vende sorvetes, produtos que supostamente causam gripes, também vende os antigripais, antifebris, analgésicos, etc., que acabam ou diminuem os sintomas. Quer dizer, a TV faz o que bem entende com a sua audiência!
Com certeza a crítica mais feroz está nestes versos:
"A mãe diz pra eu fazer alguma coisa/ Mas eu não faço nada/ a luz do sol me incomoda/ Então deixa a cortina fechada/ É que a televisão me deixou burro/ Muito burro demais/ E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais". Aqui significa que, além de desprovido de senso crítico, o personagem se tornou também um indolente, já que não deseja perder nada que passe na TV. A luz do sol não incomoda propriamente. O chato é que reflete na tela, atrapalhando a visão, por isso que o ideal é deixar a cortina fechada. Devido ao seu desespero em ver tudo o que o veículo transmite, ele admite que ficou burro, ou seja, um animal irracional, e como muitos dos quadrúpedes, vive preso em jaulas, junto aos seres iguais a ele.
Ele repete um dos refrões:
"Oh, Cride, fala pra mãe", e complementa: "Que tudo que a antena captar, meu coração captura". Como ele não tem pensamento próprio, repete exatamente o que a TV transmite. É como se fosse um "maria-vai-com-as-outras", totalmente desprovido de qualquer senso crítico e/ou ideológico.

Embora seja uma crítica objetiva e clara, a música se atém ao tipo de pessoa influenciável, e não a todos os telespectadores, no que exime a própria TV de boa parte da culpa.
Pessoas de personalidade forte, vão saber separar o tal "joio do trigo", e perceber que esse veículo comunicativo ainda é muito bom, basta que saibamos absorver o que nos cabe de melhor em nossas vidas.
Até mesmo a banda Titãs, cujos componentes compuseram a obra musical, reconhece o valor dessa mídia, sempre aparecendo na TV toda vez que se faz possível.
É naquela: quem procura, acha. E a televisão tem suas qualidades. Até mais que os defeitos, se formos pensar com libertação de ideias.
Nem preciso ir muito longe: foi num canal de TV que eu, Mary, tive a alegria de ver, pela primeira vez, a apresentação da já muito mencionada e aplaudidíssima banda Titãs...
Se não fosse pela TV, talvez eu nunca os conhecesse, e nem estaria aqui fazendo essa análise da letra!...

Um vídeo com Televisão, dos Titãs!




(Imagem:
Fonte desconhecida
Edição de imagem:
Página Mary Difatto)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Análise de "Sobre o Tempo" - Nenhum de Nós



A música Sobre o Tempo é do álbum Extraño, de 1990, composta por Thedy Correa, interpretada pela banda gaúcha Nenhum de Nós.
Nem precisamos quebrar a cabeça: o título define bem a letra. É sobre o tempo que se trata. Fala da ambiguidade e do quão é efêmero o tempo, das impressões ou mudanças que ele pode nos impor.
Na verdade, a música funciona como metáfora em nossas vivências: assim como o tempo tem seus opostos - o que é bom hoje, pode não ser amanhã - ,  a nossa vida em si também traz esses contrastes.
Pessoas muito apegadas aos
bens materiais, a coisas de modo geral, que coloca muito valor no que é passageiro, costumam se decepcionar com o decorrer do tempo.
Nós nos alegramos, entristecemos, nos alegramos de novo,  ganhamos, perdemos como, repito, é a própria vida e suas idiossincrasias. Falar de tempo é o mesmo que falar de vida.
Vejamos: "Os homens trocam as famílias/ As filhas, filhas  de suas filhas/ E tudo aquilo que não podem entender". Quando as pessoas se casam, acreditam que será para sempre, mas o tempo nos mostra, muitas vezes, outros lados daquela convivência. Por causa de diferenças irreconciliáveis, as pessoas acabam se separando, e os membros de uma família hoje, passam a não fazer mais parte daquela família amanhã, perdendo uma determinada "hierarquia" dentro do cenário familiar. Por exemplo:  muitas vezes não criamos nossas filhas, mas criamos as filhas delas como sendo filhas! E isso é louco demais para o nosso entendimento já que, se formos levar a ferro e fogo a nomenclatura adequada, as crianças filhas de nossas filhas seriam nossas netas.
"Os homens criam os seus filhos/ Verdadeiros ou adotivos/ Criam coisas que não deveriam conceber". Aqui o compositor claramente alude ao fato de que há pessoas que não têm preparo para serem pai ou mãe, mas mesmo assim têm filhos, só porque o consenso popular chegou à conclusão de que está no "tempo certo" (isso geralmente ocorre quando duas pessoas se casam). Na verdade, não deveriam se aventurar por situações que não poderiam  criar, porque ainda estão imaturas. O simples ato de casar, por exemplo, não significa "tempo certo" para ter-se filhos. O casal precisa construir um lar verdadeiro para receber a criança - biológica ou adotiva -, estarem cientes do papel que exercerão enquanto pais, enquanto seres humanos na  sociedade onde vivem.
No refrão, o esclarecimento do quanto o tempo pode ser implacável e objetivo. Pode curar, mostrar a verdade, baixar a arrogância do ser humano, quando se imagina o dono de tudo: "O tempo passa e nem tudo fica/ A obra inteira de uma vida/ O que se move e o que nunca vai se mover..." Às vezes investimos em certas coisas, obras que nos consomem a vida inteira, bens móveis ou imóveis, e tudo aquilo se acaba, de uma para outra, como num passe de mágica. O tempo nos mostra com sabedoria que não devemos ter apegos porque, até aquilo que garantimos, que jamais se moverá, pode cair por terra a qualquer momento.
Em: "O passado está escrito/ Nas colunas de um edifício/ Ou na geleira /Onde um mamute foi morrer". A sensação aqui é do quanto o tempo, com licença do trocadilho, não perde tempo: ele passa mesmo! Podendo ser comprovado nas colunas de um edifício através da data que geralmente é colocada numa parte bem visível aos moradores e visitantes, ou através das geleiras que o ancestral do elefante, o mamute, morreu, não importa: é tempo que se foi. A data exata de quando surgiram os primeiros mamutes, não sabemos. Mas como temos cérebros pensantes, temos consciência de que isso está na casa de séculos, milhares ou milhões de anos, que nos alertam da certeza e objetividade do tempo, algo abstrato e infinitamente real.
Mais uma vez nos lembramos que não devemos ser arrogantes, pois o tempo nos coloca em nosso lugar: "O tempo engana aqueles que pensam/ Que sabem demais que juram que pensam/ Existem também aqueles que juram/ Sem saber". Aqui percebemos que por mais que saibamos, nunca sabemos tudo, e aquele que se julga detentor de muita sabedoria, de que vai enganar os outros por ser o mais esperto, será humilhado pelo tempo. Talvez o compositor tenha mencionado implicitamente o pensamento de Abraham Lincoln, que diz: "Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo". Aqueles que juram sem ter certeza, que têm o objetivo de apenas passar por mais inteligentes, são como os sofistas, antes de surgir Sócrates, o pai da Filosofia: querem apenas se beneficiar com a  "supremacia de sapiência" para ganhar dinheiro e/ou status, não pensando em seu semelhante. A letra afirma que ninguém pode enrolar o tempo. Mais cedo ou mais tarde, todos vão pagar ou aprender, de uma maneira ou de outra.

Agora, a maravilhosa música Sobre o Tempo, com o Nenhum de Nós em vídeo!




(Imagem:
Fonte desconhecida
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