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Mary Difatto no Facebook

Mary Difatto

sábado, 14 de maio de 2011

Parei contigo...


Na margem vivo à espera de Godot, sensata, diversificada, andarilha de luz infinda...
A paciência requer paciência e não sou absoluta para questões resolutas!
Vão trabalhar, parasitas!
Estão querendo o quê? Céus inexistentes?
Falácia obscura um repente de sinceridade, páro e penso se não estou reformulada sobriamente demais, para abastecer meu tanque térreo...
Péricles é nome esquisito de Mar Morto ou tenho sonhado com campos inférteis de valões inabitáveis?
Quer me jogar pra baixo? Atire a primeira pedra!
Não tenho pecados! Hahaha Conta outra, que essa foi pouca...
Páro e reflito se não sou obtusa...
Campeiros peregrinos em passagens ondulantes, querendo um passo de dança onde jaz o desamor!
Parei contigo, mon amour! Ne me quitte pas...
Tons aureolares entranham A Rosa Púrpura do Cairo, arrancando dos imortais um apelo de sentimentos mundanos...
Ah, se eu soubesse a língua dos que não me entendem, e aprendesse a ensinar sobre sobrevivência de tortura psicológica...
Pêssegos servem para tortas, torturas ou tonturas?...
Para elevações oblíquas, existem as retas definidoras!
Serpentinas nas escadas, serpenteando, serpentes, traições de valores...
Faça ciúme! ( Faça não, chérie!...)
Há outra opção do ser-não-ser!
É pesada L'insoutenable légèretè de l'être...
E minha decadence vem sempre avec elegance...
Se confiasses em mim, como confio em ti mesmo nas horas altas de desmantelo, um cérebro racional que não permite, não, não permite, seria tudo tão naturalmente aceitável, as viés do desatino, meu descontrolar de emoções que seguem...
Confia em mim te peço, confia!...
A única prova de sentimento perfeito para dar-te: o meu confiar em ti, provando que confias em mim...
Porque se não confias em mim, não posso confiar em mim!
Preciso de tua segurança soberana guardada em meus ouvidos, minha mente, uma porta que se abre, um feito de respaldo, te entregues a mim num bailado bizarro; confia em mim...
Páro de frente com a verdade de não ser-te, apenas rascunho de ensaio arrefecido...
Parei contigo, por quê?
Porque o amor c'est un ouvrage illisible...
Paraste comigo, por quê?
Porque nem eu, nem tu, nenhum de nós sabemos por que...
Não, eu sei, não parei de ser-me.
Parei contigo no desvelo de ser-te somente minha!
'Ser eu' dá um trabalho danado...
Se a estrada é longa, a vida é curta , desespero de não ser Highlander!...
Páro, stop, ou seria o automóvel?
Referências de um Drummond tenebroso...
Parar também revela o que passei para sofrer-me em vão!
Pensamentos de brinquedo quebrado assolam minha virada de ano particular; onde está eu que não me respondo?
Singelas partes de mim singram mares altos, navegação em busca de um ouro perdido sem sentido, impávida e liberta...
É duro ser livre, quando a libertação do quebra-mar mental me absorve de uma culpa que não quero me eximir: meus pecados pagos, financiados ou à vista...
Queria eu ser presa eterna, de sentimento piegas consagrado, de tardes preenchidas de obrigação, choros de pequenos, risos de grandes!...
Assim vou enredando o meu existir, de solta-viva-à-vida, soltura de apegos, embutida em passos lentos sem-pressa: onde está o chaveiro? Não sei...
É preciso 'parar contigo' para poder 'parar comigo'...
Enquanto eu for eu, jamais serei 'eu', porque só o sou de verdade, se existe um contigo!
Paro contigo para parar comigo...
Unindo essas obliquidades, serei eu, um fogo-fáctuo de sabedoria repentina!
Eu me descubro em mim, alojada em ti, deveras profanações dessas retas tortuosas, que se enchem em si!
Minhas ruas - que são tuas- não formam becos sem saída porque é glorioso- insensata sou!- não ter opção e somente amar-te...
O amor, esse apanhado de fragmentos revolutos, dilacera o que a filosofia sonha, vã, em solucionar sob livretos científicos!
É bom não ter-te, mon chérie, mas como é bom sentir-te em mim!
Lateja em cada célula minha o teu viver, em meados de substância ignara, sapiência indecorosa que me lembra que eu não sou tua, mas totalmente tua!
Entregue estou ao pecado de me substantivar, aplico um artigo à frente e me defino classe gramatical saída dos adjetivos: A amada!
Não paro contigo enquanto comigo houver um eu, aceito por mim, reverenciado por ti!
Faço-me em luta em sentenças verdejantes, o verde do ouro maior, as matas sem 'amarelar'!
E se me abrigarem num casulo pétrido do que chamam corpo, revelo-me insana e plena, à procura de ser-te!
Parei contigo, mon amour... Para ser eu!
E o que é ser eu, sem vestígios de ti, por onde eu ande ou cante?
Há uma música de nós dois em todas aquelas não ouvidas, um adágio em silêncio, que só os dois de nós captam, sem que ninguém possa reconhecer o som...
Eu não me entendo não te existindo...
Persistente em sonoridade abstrata, eu te amo mesmo não te amando, ou amando de novo, para depois esquecer de amar-te, descobrindo que sempre te amei, ainda que eu não me saiba te amando eternamente!
Se eu digo: 'Parei contigo', é porque me preocupo em não parar contigo!
Não parei contigo, mon grand amour, não acredite se eu te disser isso...
E estranhando a polícia que sirena minha razão, vou trazendo-te livre em mim: intransigente, despudorado, infame, valente, sereno, são, amante, amado...
A concessão dos que amam para quem amam!...
É meu apanhado de viver que clama por ser, para um dia ter-te: parei contigo para nunca, nunca mais ter que parar contigo...




Ne Me Quitte Pas - Maysa
(Tradução)

Composição: Jacques Brel

Não me deixes
Não me deixes

É necessário esquecer
Tudo pode ser esquecido

O que já se foi

Esquecer o tempo

Dos mal-entendidos

E o tempo perdido

Em saber como

Esquecer estas horas

Que matavam às vezes

A golpes do porquê

O coração da felicidade

Não me deixes

Não me deixes

Não me deixes

Não me deixes

Eu te oferecerei

Das pérolas da chuva

Vindas de países

Onde não chove

Eu escavarei a terra

Até após minha morte

Para cobrir teu corpo

De ouro e de luz

Eu farei um domínio

Onde o amor será rei

Onde o amor será lei
Não me deixes

Não me deixes

Não me deixes

Não me deixes

Não me deixes
Vou te inventar

Palavras insensatas

Que tu as compreenderás

Eu te contarei

Daqueles amantes

Que viram por vezes

Seus corações se abraçarem

E vou te contar

A história de um rei
Morto por não ter
Podido te encontrar

Não me deixes

Não me deixes

Não me deixes

Não me deixes

Viu-se frequentemente

Jorrar o fogo

Do antigo vulcão

Que se acreditava ser velho demais

Ele parecia
Das terras queimadas

Dando mais trigo

Que o melhor abril

E quando vem a noite

Para um céu resplandecente

O vermelho e o preto
Não se casam?

Não me deixes

Não me deixes

Não me deixes
Não me deixes

Não me deixes

Não quero mais chorar

Não quero mais falar

Eu me esconderei

A te olhar

Dançar e sorrir

E te escutar

Cantar e depois rir

Deixa tornar-me
Sombra da tua sombra
Sombra da tua mão

Sombra do teu cão

Não me deixes

Não me deixes

Não me deixes

Não me deixes







(Imagem:
http://daynafternoon.blogspot.com)

8 comentários:

Jackie Freitas disse...

Alteza, minha querida!!!
Que maravilha de texto/poema, minha amiga! Lindo e tão profundamente sentimental! Adorei esse negócio de "Paro contigo para parar comigo..." e, depois "parei contigo para nunca, nunca mais ter que parar contigo..."
O amor provoca esse maremoto de sentimentos, não é, minha linda? Ora queremos estar, ora não... Ora sozinhas, no silêncio da noite; mas , ora na claridade, nem que seja de um luar...
Mas, sabe, lendo o seu lindíssimo texto, fiquei pensando que muitas vezes, por mais que nos doa, precisamos, sim, parar com o outro para que possamos nos encontrar, redescobrir pequenas virtudes ou grandes defeitos...reavaliar a nós, para depois integrar-se ao outro, sem cobranças, sem culpas ou medos... Quando paramos com o outro, não paramos no coração, pois esse , enquanto houver vida, pulsará em amor... mas tem que ter a beleza da poesia no parar... esse parar delicioso que você lindamente escreveu, que é apenas uma pausa para apreciar a beleza divina do amor!
Ahhh, amiga! Parei agora com você! hahahaha
Grande beijo, Alteza amada e querida! Como sempre, de arrancar suspiros e admirações essa sua escrita maravilhosa!
Jackie

Mary Miranda disse...

Doce Fênix do Bem, minha alegria por ver-te mais uma vez!

Tentar explicar sentimento é sempre muito louco mesmo e, quando se trata de amor, é mais do que louco! rsrsrs
As pessoas costumam encarar 'parar' como algo pejorativo...
O interromper de certas situações nos tornam mais completos, cautelosos.
Toda vez que temos fácil, vai fácil, como diria aquela canção da Marina Lima 'Nada por mim':'Você me tem/ Fácil demais/ Mas não parece capaz/ De cuidar do que possui...'
Se paramos, refletimos mais, e seremos mais cuidadosos ao tratar com o outro.
Acredito nesse 'parar' renovador, não no 'parar' fútil do perdão frequente.
E eu posso amar mesmo não confessando estar amando porque, como você disse apropriadamente em sua retórica, só paramos as ações externas, não as atividades do coração, que continuam latejando enquanto houver vida!
Está bem, Jackie! Só pare momentaneamente! rsrsrs
Quando puder, dá uma olhadinha no vídeo também da magnífica Maysa!
A interpretação é ímpar, sem comparação!
É emocionante demais!!!! (Choro toda vez que assisto...)
Uma das maiores - senão a maior!- cantora que esse País já viu!


Beijos, minha amiga, a Ave Estimada!

Mary:)

Samanta disse...

Olá minha querida amiga Musa da Escrita !!!

Que texto emocionante !!! Usando sua palavra : Visceral !!
Em certos momentos me identifiquei com este buscar ser para poder ter, este amar que algumas vezes se distrai e parece que não ama, mas no fim sempre foi amor, este encontro que temos conosco quando estamos entregues a outro mas que não quer dizer que somos de alguém mesmo sendo, mas que nos mostra que para amar, é preciso ser pleno a fim de estar com o outro plenamente...
No amor somos únicos e individuais, mas só o seremos se estivermos completos pela outra parte que não nos pertence, mas que faz parte de nós...
Ih amiga, viajei né, mas empolguei, sorry !!
Lindooo

Beijos da sua fã e amiga !!!

Marcela disse...

Menina! Que belo texto! Parabéns! Já estou te seguindo para não perder mais nada; Bjos

Mary Miranda disse...

Menina Sorriso, meu encanto!

É uma dualidade esquisita, essa de só nos sentirmos nós mesmos, quando pertencemos ao outro...
Não vejo lógica em se estar 'solta' porque é preciso pertencer, é preciso 'estar presa por vontade', como diria Camões.
Quando se ama, existe essa parte interna que não descansa, que quer se entregar, mas é necessário parar para acontecer a renovação...
Adorei quando você disse que somos únicos, mas a complementação de nossos eus se faz evidente quando temos em nós aquela parte perdida do ser amado; não é nosso, mas está em nós. (Adorei mesmo, viu?)

Beijos pra você, querida!
O meu obrigada, como sempre!!!!

Mary:)

Mary Miranda disse...

Marcela, tudo bem?

Legal você ter apreciado o post e estar seguindo o blog!
Obrigada!!!!

Beijos,
Mary:)

Valdeir Almeida disse...

Mary,

Texto lindíssimo. É subjetivo e poético. Traz jogos de palavras que complementam o sentido. E a música de Maysa arremata o que já era belo.

Beijos, Mary, e ótimo final de semana.

Mary Miranda disse...

aldeir, meu querido!

Qualquer elogio vindo de você, que é hiper inteligente, um baita de um escritor e me concebe a honra de ser meu amigo, é motivo de satisfação ao cubo de minha parte!
Adoro esses jogos de palavras, você sabe...
Acho que ficou a contento (deixa eu ser um pouco imodesta!... rsrsrs) a arrumação das palavras e o resultado sensível que rendeu.
Mas mais que contextualização de puro lirismo, escrevi baseado em sentimento real, logo, aquele é um texto real...
Obrigada!

Beijos mil pra você!

Mary:)