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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Lorelei, a lenda

Lorelei
A cultura alemã é rica, embora pouca gente se dê conta disso.
Uma dessas riquezas se encontra na literatura, de onde surgiram poetas indescritíveis como Goethe e da "literatura de massa" com lendas quais a de Lorelei.
Passei a pesquisar mais sobre essa cultura por conta do meu TCC - Trabalho de Conclusão de Curso - cujo o termo mais aplicado é monografia, ainda que exista diferença.
Como ardorosa admiradora da escritora Clarice Lispector, eu só tinha em mente o seguinte: "Vai ser sobre uma obra dela que apresentarei o meu TCC!"
Eis que cai nas minhas mãos a opção de trabalhar a obra Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres cuja personagem central é de nome Loreley, com o apelido, Lóri.
Seu grande amor, um professor de Filosofia, se chama Ulisses.
A princípio, os nomes não têm interligação alguma, nem importância na historia, o que é um erro pois têm tudo a ver, e como!
Lorelei ( pronuncia-se 'Lorilai'), na lenda alemã, era uma jovem muito bela, que costumava pentear seus lindos cabelos perto de um rio, cantando: "Lorelei, Lorelei, Lorelei".
Os homens ficavam embevecidos com sua beleza e voz sedutora.
Não havia nenhum deles que por ela não se apaixonasse!
Ainda mais que a jovem mulher sempre cedia aos apelos masculinos, causando-lhes muitos problemas pois era por causa dela que os mesmos tinham seus lares destruídos, e até se suicidavam.
Tal a proporção dos escândalos causados, que chegou aos ouvidos do Bispo que, para tomar uma atitude drástica, persuadiu-a a explicar toda aquela situação de caos na cidade.
A bela Lorelei, sincera e inocente, contou tudo o que de fato acontecia.
O religioso libertou-a penalizado por causa da honestidade das palavras da moça.
Mas Lorelei sofria...
Disse ao Bispo, entre lágrimas de grande tormento na alma, que a sua beleza só trazia desgraça aos homens, que a amavam desesperadamente, enquanto que ela própria apenas amara um só homem na vida, mas que ele a abandonara...
O Bispo a propôs que se dedicasse a Deus, num convento, longe das vicissitudes do mundo.
Ela aceitou e, escoltada por três cavaleiros, pediu para que a deixassem ver o rio Reno pela última vez.
Do alto de um rochedo, avistou um barco e gritou em frênesi:
- Olhem aquele barco! O barqueiro é o homem que eu amo! Oh, meu amor, me espere!
Assim sendo, atirou-se no rio com tal rapidez, que ninguém conseguiu impedi-la...
A partir disso, nenhum navegante passa pelo rio sem lembrar-se de Lorelei.
Muitos juram que a veem transformada em sereia e que sempre está chorando ao entoar sua canção "Lorelei".
A lenda de Lorelei foi divulgada pelo poeta alemão Clemens Brentano.
E a Lóri de Clarice, não é muito diferente.
Acostumada a ter alguns homens aos seus pés, não conseguiu conquistar o seu verdadeiro amor através de sua beleza "artificial" ( Usava muita pintura em seu rosto).
Como esse grande amor era um homem muito inteligente, fez com que ela procurasse se descobrir primeiro enquanto ser, para depois conquistá-lo como homem.
Ulisses, o nome dele, nos leva ao lendário personagem da epopéia grega de Homero, o mais famoso dos barqueiros em uma obra, a resistir aos encantos de uma sereia ( pediu aos seus subordinados que o amarrassem com cordas, para não cair nas águas profundas como lhe convidavam as sereias do rio).
Então, a junção de Lorelei, a sereia, com Ulisses, o resistente aos seus encantos, ficou perfeita na obra lispectoriana, ajudando até, para melhor compreensão das motivações dos personagens.
É mais um livro fabuloso da Clarice devido ao mergulho no psicológico humano, como ela, soberbamente, fazia em todos os seus textos!
Passando pelos arquétipos de Jung, filosofia, religião, conceituação de Deus, Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, é obra para se ler e reler, e não ficar apenas enfeitando estantes.
Acho que todas nós, mulheres, somos um pouco (ou muito) como Lorelei.
Nós temos essa coisa do encanto, do fascínio, de querermos todos os homens nos admirando, mas que dentro de nós, em nosso id mais profundo, somos eternas procuradoras dos nossos amados barqueiros salvadores...



- Hum, cadê Scorpions aqui no post, já que está se falando de cultura alemã, hein? - eu me indago, desarvorada com o meu "esquecimento".
-Mas não tem lógica colocá-los aqui pois eles não têm música falando de lenda ou algo assim... - eu me replico, chateada.
- Mary, sua boba! - eu mesma me corrigindo - Como não tem? Deixa de ser vacilona, menina! "Toca Scorpions" agora, vai, vai!!!!
Hahahaha Não é que a banda tem mesmo uma canção com lógica para o post????
Foi com aquela surpresa agradabilíssima que, ao adquirir o último álbum Sting in the tail, notei de cara que meu TDB Klaus Meine juntamente com Eric Bazilian, Fredrik Thomander, Anders Wikstron compôs uma música de nome Lorelei!
Pena ela não ter surgido há uns dois anos mais ou menos, pois eu a usaria no meu TCC, sem sombra de dúvida...
Lorelei para todos nós!




(Imagem:
http://cantinhomagicodahelena.blogspot.com)

6 comentários:

rebloggando-requeri disse...

então, tá vendo???
é sempre assim ... uma coisa puxa a outra e, no rock'n roll, tudo, absolutamente, tudo!!! é completo, não deixa espaços vazios, jamais!!!

Mary Miranda disse...

Rê,

Foi a sensação que tive ao terminar o post! rsrs
Que o rock se reinventa,ele nunca nos deixa na mão!...
E todas as coisas estão ligadas de alguma forma; quem explica isso?
Beijos,
Mary :)

rebloggando-requeri disse...

isso se deve ao brilhantismo da inteligência dos caras do rock. em nenhuma outra área da arte, pop ou não, existem pessoas tão excepcionais inteligentes, tão completas musicalmente. o povo do rock sabe tudo, faz música clássica, faz música pop, com a mesma facilidade. são virtuosos - vide, por exemplo, richard "rick" christopher wakeman, mike oldfield, steve vai, brian may, slash, mark knopfler, billy joel, jimmy page, john paul jones, chris squire ... iiiiiiiiiiiiih num dá!!! é muita gente ...
é assim que se explica ... rock é tudo.
beijo.

Mary Miranda disse...

Pois é, menina!

Dia desses entrei numa "discussãozinha" com meu pai e meu irmão por causa desse predomínio do rock na cultura (eles acham que há estilos igualmente bons, que é questão de gosto).
Mas afirmei que até para fazerem músicas românticas, eles são melhores que os ditos artistas românticos ( claro, toda regra tem exceção!).
Por exemplo, o Foreigner, que não é bem rock, mas também não é pop, compôs um dos maiores hinos românticos de todos os tempos: "I wanna know what love is", sem ser meloso, com letra profunda e objetiva.
Scorpions (Oh, já venho com eles de novo! Mas fazer o quê, se eles são bons demais???? rsrs)construiu um dos melhores álbuns pops quando se aventuraram em "Eye II eye" ( Quem fala mal do álbum é porque espera aquela "pauleira" do hard rock que aqueles alemães sabem fazer como ninguém!)
E a banda Verve "deitou e rolou" com o rock sinfônico de "Bittersweet symphony", provando que rockeiro faz o que bem entende!
Ah, e sem contar que os casamentos mais duradouros e românticos estão no mundo do rock!
Klaus Meine e a Gabi dele, Sting e sua musa, Bono Vox, Bruce Springsteen ( que andou se separando mas voltou para a esposa), Kurt Cobain( aquele adoravaaaaaaaaaaaaa a Courtney Love!), o guitarrista Santana que pediu sua amada em casamento no palco (Que lindo isso!) e até o maluco do Marilyn Manson fez declaração de amor em público para a sua atual namorada, pedindo-a em casamento...
Eu sei que me empolguei, mas rock é bommmmmmmmmmm!!!!
Beijos,
Mary :)

rebloggando-requeri disse...

a gente vai ficar aqui falando, até o amanhecer ... sem contar as reuniões rockeiras que são extraordinárias, as superbandas, wilburys, blind faith, a pioneira no gênero, de capa polêmica ....

amo rock'n roll ... chega senão eu choro .... beijo.

Mary Miranda disse...

rsrs Verdade mesmo!
Paremos por aqui, então...
Mas que dá vontade de continuar, isso dá!...
Beijos,
Mary :)

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