PARA QUEM AMA GATOS

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sábado, 3 de setembro de 2011

Aprendendo a me perdoar




Muito se fala do perdão ao próximo; é bíblico e sagrado.
No entanto o perdão a si mesmo se estagna em alguma parte da consciência mostrando bem pouco a face!
Por que carregamos tanto o masoquismo do "Eu não mereço ser perdoado"?
Por que a cada erro cometido, um vazio nos toma inteiros, arrastando-nos por tempos infinitos por aquela torpeza de sensação, extraindo nossa vivacidade, nos prendendo a um passado que deveria ter passado?...
Há muita gente que diz:
- Eu magoei pessoas, e pessoas que eu gostava!
Quando nos posicionamos como "magoadores", estamos nos colocando na altura de um "deus", com seus fricotes de "soberano", distribuindo castigos e temores.
Naturalmente que só magoamos quem gostamos!
Porque quando são pessoas pelas quais não nutrimos qualquer afeição, ocorreu uma ofensa; mágoa é dor destrutiva ligada a sentimentos.
Esse status de "deus" que arrumamos para estabelecermos no patamar de "providência maléfica", não nos deixa enxergar que além de um céu físico que as vistas alcançam, há um "deus" (que denominemos Alá, Jeová, Big Bang e até mesmo, Acaso), onde "maus" e "bons" são aprendizes da vida, cuja conotação se faz restrita quando nos rebaixamos diante da depressão, onde desesperança não é parelha de crescimento a ninguém...
Lembremo-nos que "magoador" e "magoado" vieram desse "deus", e acreditemos na justiça que lhe é peculiar: o "magoador" sofrerá mais que a "vítima"!
Mais cedo ou mais tarde, as pedras rolarão para os seus eixos; o causador da dor continuará com a responsabilidade, se tomou para si, a função de "todo-poderoso da maldade", e o "magoado" pousará em seu recôndito de ultrajado, pondo-se em continuidade de vida, brotando em si o perdão - é de lei perdoar!- e é divino.
Por isso não devemos nos postar como "meliantes", porque só erramos por sermos humanos!
Mágoa, todo mundo causa a alguém; apenas deve-se evitar novas tristezas que venham por nossa "conta e risco".
Paremos com o gênero mea culpa e paremos de persistir nos mesmos erros!
Ao invés de chorarmos "pelo leite derramado", aprendamos a nos aperfeiçoar como pessoas!
Agredi com palavras, magoei muita gente, fui maldoso (a) em dadas situações? Fui errado(a), admito, mas quero melhorar para não cometer os mesmos desatinos!
Já é meio caminho andado reconhecermos o quão falhos somos; agora é aprendermos a evitar, através do aperfeiçoamento, a não mais prosseguir com os mesmos enganos.
Interessante que aprender a se perdoar é um gesto de amor que temos com nosso semelhante!
Quem perdoa verdadeiramente o seu próximo, é aquele que admitiu que as suas próprias falhas são humanas, por isso entende que os erros alheios são iguais aos seus, ou seja, passíveis de perdão.
É como dizer que só quem levou um grande tombo, entende quando alguém lhe diz que caiu da bicicleta: sabe o quanto são dolorosas as feridas que se formaram após a queda...
Aqueles que choram a vida toda por um mal que provocou, no fundo querem uma desculpa para não buscar melhoria. Acomodaram-se em seus escuros caos internos, achando mais fácil se auto destruírem, do que tentar achar a luz!
Trazem também a tristeza nas mãos e a trancam dentro delas; é como se o mundo fosse um reservatório de lágrimas e o riso, prestígio para os "escolhidos" para serem eternos contentes...
Não há "escolha" alguma: todos nós estamos aqui, sem favorecimento, na batalha para acharmos a tão buscada felicidade!
"Eu sofro porque sou mau!", é o pensamento desses, sem se darem conta de que podem virar o jogo, transformando em bondade, a maldade que habite a consciência.
Muito tempo passei me lamentando por erros que cometi, pelo rastro de dor que muitas vezes deixei, percebendo que em nada ajudei as pessoas a minha volta.
Muito pelo contrário: semelhantes falhas vieram e semelhantes dores também!
Aprendi que o lamurioso "mantra" entoado pelo mea culpa, não me fazia uma pessoa melhor.
Pedir perdão era apenas o começo do caminho, tendo noção que o percurso estava longe de estar completo.
Só quando compreendi que "A palavra dita não volta atrás", é que pude finalmente achar a via de acesso para me encontrar: evitar cometer os mesmos erros e aprender a me perdoar, faz de mim um ser mais útil aos meus iguais!
Novos erros virão, são inevitáveis, mas posso dizer que ao menos os velhos erros, não os repetirei!
Acaso numa insanidade de momento me desabe novamente em falhas parecidas, que eu redobre vigilância sobre meus atos, para que cause a menor dor possível a outrem.
Estou nessa luta contínua, aprendendo a me perdoar a cada gesto de injúria que provoco ao meu redor.
Não sou um "deus da maldade", não vim ao mundo para propagar a dor!
Um ser incompleto e imperfeito está aqui, em plena atividade, em plena sede de aprendizagem.
Ao dizer "Estou aprendendo a me perdoar", quero expressar a mais pura bondade e solidariedade que posso ter para com alguém.
Estou, na verdade, informando:
-Sou igual a você, e não tenho "poder" algum, nem de fazer o mal.
Indo mais longe, algo bombeia, qual o sangue no organismo, eclodindo em amor:
-Vida, estou de volta! Permita que eu prossiga e possa espalhar mais flores que espinhos!
E ela, a generosa e linda vida, me responde, com a mansidão dos sapientes:
- Meu(a) filho(a), seja bem-vindo(a)! Nunca esqueça que há sempre uma luz no fim do túnel, por mais escuro e interminável que ele se apresente!
Um dia de auto-perdão, é sempre o dia mais iluminado que todos os outros...



Coloquei abaixo o vídeo da belíssima expoente do rock nacional Primeiros erros, com o talentosíssimo Kiko Zambianchi.
A letra fala do sentimento de culpa que carregamos às vezes pela vida toda, ao cometermos nossos "primeiros erros" lá na adolescência ou mais cedo, e não nos perdoamos.
Parece que uma chuva nos molha o tempo inteiro e o sol, se mostra bem inalcançável...
Linda e tocante, é escutar, refletir e se emocionar!


Primeiros erros - Kiko Zambianchi

(Composição: Kiko Zambianchi)

Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde vou
Meu destino não é de ninguém
Eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende, não vê
Se não me vê, não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Minha mente virasse sol
Mas só chove e chove
Chove e chove
Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar chover
Nos primeiros erros
O meu corpo viraria sol
Minha mente viraria
Mas só chove e chove
Chove e chove






(Imagem:
http://recriarcomvoce.com.br

Edição de imagem:

http://marymirandafatosdefato.blogspot.com)

16 comentários:

Dú Pirollo disse...

Olá minha querida amiga Mary!!!
Belo texto minha amiga, repleto de bons ensinamentos para a vida plena, adorei!!!
Minha amiga, nesta grande viagem que é a vida, a primeira coisa que devemos fazer é arrumar a casa, é condição essencial para uma vida em harmonia e paz. Nesta viagem erramos muitas vezes, reiniciamos constantemente, vamos aprendendo e evoluindo, não faria nenhum sentido ficar preso aos erros do passado, devem servir apenas de lição. Uma alma que carrega a culpa não pode se libertar para a felicidade, haverá sempre trevas pelo caminho.
Parabéns pela excelente postagem!!!
Tenha uma linda e abençoada noite!!!
Abraços e muita paz!!!

Mary Miranda disse...

Boa noite, Edu!

É primordial a harmonia. Sem ela, fica inconcebível o prosseguimento!
Remoer o passado, como você bem falou, só se for para aprendermos com os erros.
Se continuarmos nos acusando de "imperdoáveis", jamais teremos paz de espírito.
"Errar é humano", diz o velho ditado, e é nele que devemos nos mirar para nos reerguermos.
Enquanto houver um só sopro de vida em nosso copro, temos que tentar o aprimoramento, sem "mea culpa", sem tristeza...
Evitar repetir os mesmos erros é o caminho mais proveitoso para nosso enriquecimento pessoal e de nossos semelhantes.


Obrigada, querida amigo, pelo comentário oportuno comentário!

Um forte abraço!

Mary:)

JOILSON MENDES disse...

Olá Mary,
parabéns pelo texto é isso mesmo, sentimento de culpa gera estagnação a pessoa fica parada e não progride já passou da hora de aprendermos a reconhecer os erros e seguir em frente, entendendo que também somos um ser em evolução.
Paz e Luz
Joilson

Larissa Bohnenberger disse...

Que lindo e inspirado este texto. E que emoção ao vê-lo ser encerrado com essa música simplesmente MARAVILHOSA!

É impossível ser humano e não errar. E é impossível passar uma vida se relacionando com pessoas e não magoá-las. Sentir culpa quando isso acontece, é natural. Se fôssemos capazes de fazer os outros sofrerem sem nenhum tipo de remorso, isso seria até preocupante. Sentir-se mal ao causar o mal é sinal de humanidade. Mas ora, se não podemos voltar no tempo e mudar o passado, de nada adianta ficar se martirizando. Como você mesma falou, vamos usar este sentimento para crescer. Que os nossos erros deixem de ser terríveis catástrofes e passem a ser aprendizado.

Bjs, bjs!

Felipe disse...

Moça Bonita

É próprio do homem que acredita, ainda, que Deus castiga achar que por ter errado não merece perdão.
E leva a vida (na verdade a perde), curtindo essa ressaca moral ou autoflagelação moral,propalando aos quatro ventos que não merece perdão.
Ora, quem é ele para julgar a si e ao seu semelhante?
Soa falso este "arrependimento" sem busca de reforma interior.
A grande verdade é que o homem não aprendeu ainda a pedir perdão por seus atos e prefere tentar enganar a si mesmo.
Fosse mais humilde, tivesse mais amor no coração, pediria perdão dos seus erros e perdoaria o mal que lhe fazem. (Ninguém é perfeito).
William Shakespeare já nos dizia: "...não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso".
Então, que o homem se dispa deste falso sentimento de culpa e aprenda a gostar de si primeiro para depois amar seu semelhante.
Mais um lindo texto minha presidenta.
Beijão

Mary Miranda disse...

Joilson,

O caminho é esse mesmo, não podemos correr!
Admitir o erro e prosseguir tentando encontrar a evolução, pois perdoar-nos significa que estamos nos aceitando como seres falhos, portanto, precisamos crescer espiritualmente.
Estagnar-nos em nossas consciências "pesadas", não estará ajudando a ninguém!
Só nos perdoando de verdade é que poderemos buscar a melhoria de nossos espíritos...

Forte abraço, amigo!
Obrigada pelo elucidativo comentário!

Mary:)

Mary Miranda disse...

Querida Lari, tudo ok?


Obrigada desde já pelo elogio e comentário tão profundo!
É triste sermos responsáveis pela dor que causamos ao próximo; há dores que machucam tanto, que nos parecem que não cessarão nunca mais!
Mas aí é que está: também nunca fomos magoados? Somos tão "acima" assim que passaremos pela vida sem que nunca alguém nos entristeça de maneira profundamente dolorosa?
Insisto que o "magoador" veio da mesma origem que o "magoado" e se estamos momentaneamente na condição de "algozes", em outro momento seremos os "mártires"!
Pois é, amiga!
A mágoa, os erros que cometemos só devem ter uma única função em nossas vidas: aprender com eles, evitando repeti-los!
O remorso é importante porque somos gente, temos sentimento.
Mas a culpa sem transformação interna não está valendo.
No jogo chamado vida, só ganha aquele que demonstrou interesse e luta sincera para o aperfeiçoamento do caráter.

Beijos, minha linda!
Adorei mesmo seu comentário!!!!
Ah, "Primeiros erros" é minha música de "ordem"! rsrsrs

Mary:)

Mary Miranda disse...

Meu Canceriano Favorito, boa noite!

Reforma interior: a chave para nossa plenitude, no que magistralmente você nos elucidou, querido!
Há algo de sentimento de "superioridade", quando não nos perdoamos pelos atos falhos que cometemos.
Como se pudéssemos magoar nosso semelhante, "arriá-lo" em sua moral, e o nosso irmão não tivesse vindo da mesma "ceiva" que nós; dispomos de seus destino : "Eu magoei por que quis!", como se não houvesse algo maior acima de nós que só permite que a "vítima" sofra, até cessar a porção de seu sofrimento.
Findo o tempo da dor do "magoado", ele prosseguirá, refará a sua vida, porque o "algo maior" é soberanamente justo e bom!
E o que restará ao "magoador" acomodado e se sentindo "deus", que acha que pode dispor da vida das pessoas?
NADA!
Novamente retomando sua perfeita colocação, meu amigo, só a reforma interior poderá salvar o "magoador" de seus erros passados!
Admitamos que erramos, admitamos que somos pessoas, tentemos modificar nossos procedimentos!
Vamos pedir perdão? Sim!
Vamos nos arrepender pelas falhas? Óbvio!
Vamos sair do ostracismo mental e da maldição do "mea culpa"? COM CERTEZA!
Pedir perdão sem uma renovação verdadeira interna, de nada adiantará ao nosso semelhante!
Arrependamos e melhoremos; não há opção!
Depressões, choros, lamentos... Do que adiantará isso?
A palavra dita é igual flecha lançada: não volta atrás!
Sabemos que há dores que causamos, as fortes cicatrizes de alma que aparentemente jamais serão perdoadas.
Talvez não sejam mesmo perdoadas por quem entristecemos tão profundamente.
Mas só em estarmos lutando para que não cometamos iguais injúrias com outros, lutando bravamente ao policiar-se, já é a prova do amor que sentimos pelas pessoas.
Tentar não cometer os mesmos erros é uma prova de amor filantrópico que damos aos nossos irmãos!...
Realmente, meu amigo, nos parece falso aquele discurso: " Eu não devia ter feito isso! Eu me arrependo tanto..." e continua na mesma, causando dores aos outros, mantendo o seu "posto" intacto de "magoador", um "todo poderoso da tristeza"!

Seu comentário é MARAVILHOSO, meu anjo!
Por essas e outras que sou fã; sua sabedoria sempre me emociona!

Beijos dessa presidenta que te adora!

Mary:)

Flora Pires disse...

Mary querida amiga!
Teu texto maravilhoso destaca uma emoção extremamente importante na vida de todos nós!
A famigerada culpa!
Esta “madrasta” poderia ter sido uma boa mãe orientando seus filhos a terem cuidados e limites.
Mas depois que muitas religiões confundiram a “graça de Deus” com o poder pessoal de seus “escolhidos”, esta tal de culpa foi exacerbada e vergonhosamente usada para manipular as populações como se fossem uma “manada” de pecadores incorrigíveis.
A única e verdadeira salvação do homem está em ser livre e saber usar esta liberdade com generosidade, bondade e sabedoria!
Podemos e devemos continuar tendo fé, mas em “Deus” e nos livramos do jugo dos homens que quando são lideres, em qualquer escala, acham mais fácil controlar seus liderados pela tal da culpa!
Belo tema amiga e muito complexo em toda a sua abrangência!
Beijos no coração!

Ps. A musica foi um lindo coroamento do tema!

Valdeir Almeida disse...

Mary,

Verdade: “A palavra dita não volta atrás”. Tudo o que dizemos tem suas consequências inevitáveis. O que precisamos fazer é perdoarmos a nós mesmos, verdadeiramente. E isso, de fato, já significa o início de nossa evolução como pessoa.

O auto-perdão é fundamental para que haja esse “melhoramento”. Sempre gostei da música interpretada por Kiko. Ela põe a nu uma verdade: “meu destino não é de ninguém”; só eu tenho a “capacidade” para mudar uma realidade que eu mesmo provoquei. Não no sentido de voltar atrás e “obrigar” a nos perdoar, mas não cometer os mesmos erros, e ter o despreendimento de se perdoar.

Beijão, Mary, e ótima semana para você.

Mary Miranda disse...

Flora, meu anjo!

Sempre há pontos ainda não vistos e você, foi diretamente nele: a culpa induzida!
Por motivos sociais, religiosos, familiares, etc. costumamos nos entregar à dor, pois há alguma coisa no ar que diz: "Você é um pecador e merece sofrer!".
Mas será possível que quase nunca paramos para pensar que TODOS NÓS SOMOS PECADORES?
É sempre o caminho mais "fácil", minha amiga, entregarmos nas mãos de nossos "superiores" o caminho de nossa "salvação" e continuemos em nossa "indigência", na nulidade de vida, nos vícios, no comodismo...
E a verdadeira transformação?
Cadê o encarar o espelho e ver que nele há alguém ali que quer "saltar" e pede por uma nova chance?
Lá no fundo sabemos que só pedir perdão a quem magoamos não basta...
Mas optamos na "vitimidade" da situação: "Eu fiz um mal enorme e vou ter que sofrer por toda a existência!".
Adorei sua analogia, querida, da culpa sendo "madrasta" quando na verdade deveria atuar como "boa mãe".
O remorso pelos erros tem mesmo que ocorrer para a aprendizagem, mas se não nos fortalecemos no firme propósito de evitar os novos dissabores, de anda valerá pedir perdões e as lamúrias!
Uma "boa mãe" critica, mas nos ensina.
É assim que a culpa deve funcionar dentro de nós: como uma crítica construtiva!

Amiga, seu comentário é daqueles, que eu já não sei mais viver sem eles! (Você já me acostumou mal! rsrsrs)

Beijo enorme e, sobre a música, creio que "Primeiros Erros" seja unanimidade entre aqueles que gostem de arte com qualidade...


Mary:)

Jackie Freitas disse...

Minha queridíssima amiga e Alteza Mary!
Li ontem o seu maravilhoso texto, mas deixei para comentar hoje, com tempo merecido para uma postagem tão linda e emocionante. o Top Ten dos seus textos está cada vez maior...rsrs...e esse aqui, sem dúvida nenhuma, é digno de estar entre os primeiros! MARAVILHOSO!!! PARABÉNS, amiga por tamanha sensibilidade e maestria na condução de um tema tão profundo como este!
Esses dias ouvi na TV alguém dizer que perdão é uma palavra transformadora. Fiquei aqui pensando comigo sobre o perdão, mas não como uma palavra e sim um ato transformador, renovador e que exige muita humildade tanto de quem pede quanto de quem concede o perdão. Acho que o seu texto traduz exatamente o que eu gostaria de dizer para a pessoa que viu o perdão apenas como palavra.
Perdoar é um dos atos mais difíceis do ser humano, talvez porque ele nos obrigue a derrubar as defesas que nos cercam e a nos mostrarmos nús, limpos e de peito aberto àqueles a quem magoamos. Não é fácil mostrar nossas fraquezas e, principalmente, nossos erros; entretanto, o perdão nos coloca num patamar muito maior do que qualquer vaidade. Sempre digo que quem perdoa precisa fazer com o coração tão limpo quanto quem pede, porque senão tudo perde o seu sentido. Quando revemos nossos erros (e acho que a música escolhida não poderia ser outra melhor do que a escolhida por você), temos vontade de voltar ao início e fazer tudo diferente. Mas não precisamos voltar! Podemos continuar de onde estamos e refazer, renovar, redirecionar os nossos passos de modo que eles nos levem à conquista de nossa própria grandeza. Não devemos, JAMAIS, nos culpar pelos erros e, por isso, é importante que também saibamos nos perdoar, nos olhar com mais brandura, tendo em mente que somos exatamente assim: humanos, errando com o intuito do aprendizado.
Muitas vezes exigimos o perdão daqueles a quem magoamos, mas nem sempre somos capazes de fazer essa mesma viagem interior e nos perdoar também. Exigimos de nós uma perfeição tão meticulosa que acabamos sendo nós mesmos os nossos eternos carrascos!
Somos livres e a liberdade precisa ser saboreada com sabedoria para que as culpas não nos aprisionem!
Amei, amiga! Amei de verdade tudo o que você escreveu! Gostaria de te pedir autorização para linkar esse texto a um post que estou fazendo! Acho que quanto mais pessoas lerem esse seu pensamento, mais exercitarão esse difícil ato!
PARABÉNS, PARABÉNS!!! Estou aqui, curvada diante de tanta beleza e sabedoria, diante de uma amiga tão grandiosa como você!
Grande beijo,
Jackie

Mary Miranda disse...

Querido Valdeir,

Quando nos perdoamos, significa que nos aceitamos como seres falhos, e é mesmo o começo de uma evolução; concordo contigo inteiramente!
Nunca entendi bem, meu amigo, o porquê do "complô" para o sofrimento!
Parece "crime" a felicidade, o sorriso, a vontade de viver!
Se um pessoa comete um erro muito grave, aparenta ser a ela, melhor que "ganhar na Mega Sena"!
Surgiu aí a oportunidade de não se lutar por mais nada: é só debruçar sobre as lágrimas derramadas, e destruir-se, na espera da morte, que virá, mais cedo ou mais tarde para todos nós...
Uma professora minha de matemática uma vez falou: "Depois que "inventaram" o "Desculpe!", todo mundo fala isso a todo momento, e nem sente o que diz..."
Ela estava coberta de razão!
Pedimos perdão, choramos, nos lamentamos, e continuamos no mesmo esquema de dor: magoamos, pedimos perdão, choramos, cometemos falhas iguais, com novos perdões...
E a vida segue nesse "ciclo de tristeza"!
A nossa frente está lá, o "vale de lágrimas", sem que façamos a verdadeira reforma íntima!
A música do Kiko Zambianchi fala sobre essas "culpas" que carregamos, mas que sabemos que só a nós cabe o prosseguimento de caminho!
"Eu não deixo meus rastros no chão" pode ser entendido pelo sentido que, se cometi meus erros, aqueles que foram atingidos pelas más consequências de meus atos, continuarão suas vidas e eu, serei oportunamente esquecido(a)...

Amigo, é isso aó!
Estamos aqui para a aprendizagem e crescimento!
Temos que nos perdoar para fazer valer a nossa existência, ajudando com o nosso sorriso ( e não com a lágrima) ao nosso semelhante!

Beijos, e o meu obrigadíssima por seu maravilhoso comentário!
(Sabe o quanto adoro todos os seus comentários, né?)

Mary:)

Mary Miranda disse...

Doce e queríssima Fênix do Bem!

Responder a um comentário seu, é um desafio pois é sempre tão esplendoroso, que não há muito o que dizer...
(Mas você sabe que adoro um desafio, né? rsrsrs)
Perdoar... Palavra fácil de ser pronunciada.
Mas poucos de nós entra no sentido real do que significa!
Penso, amiga, que tanto o perdão para o semelhante quanto o auto-perdão, deve ser trabalhado no sentido para se evitar que ocorra os mesmos erros novamente!
Essa conceituação do perdão a si mesmo andava ecoando em minha cabeça, e eu tenho me auto-conduzido, já há alguns anos, a me perdoar, me motivando para me levar ao acerto, e não ao erro.
Sabe, meu anjo, fico imaginando aquela pessoa que tem certeza de que quase nunca será perdoada por causa dos "pecados" que cometeu, por ter causado dor demais, cicatrizes profundas, jamais esquecidas ou apagadas por quem sofreu as consequências.
Como será a existência de um ser responsável por uma dor nesse nível?
Conselho nunca foi bom, o ditado já diz, mas duas pequenas dicas eu poderia dar:
1) O "torturador" deve se conscientizar que o que fez, seja leveou bem grave, não voltará atrás (ele não pode mudar o passado);
2) Chorar, lamentar-se, remoer-se de remorso e culpa, não ajudará a ninguém, nem a si próprio (muito pelo contrário: o "magoador" que se auto-destrói causa mais danos ainda a sua volta!).

O que fazer, então?
É o fim da linha? Deve se suicidar?
NÃO, a vida segue em frente e o tempo passa.
Mais à frente, por mais longínquo e escuro seja o túnel, há uma luz no fim dele!
Como você falou, querida, não é a palavra "perdão" que é transformadora, mas a atitude que há na significação dela!
Se nos mostramos mais firmes no propósito de melhoria de caráter, quão bem faremos às pessoas, incluindo as "vítimas" de nossas "maldades"!
Pois é, minha Fênix, você foi de uma lucidez, fez uma leitura nas entrelinhas, que "fisgou" alguma parte dentro de mim nessa passagem: "Muitas vezes exigimos o perdão daqueles a quem magoamos, mas nem sempre somos capazes de fazer essa mesma viagem interior e nos perdoar também. Exigimos de nós uma perfeição tão meticulosa que acabamos sendo nós mesmos os nossos eternos carrascos!"
Que hipócritas somos, não, ao pedirmos perdão por aquilo que nem nós mesmos vemos viabilidade para tal?!
E é essa a sensação que temos todos, de "carrascos" próprios, não admitimos que ninguém nos açoite: se pedimos perdão, o "magoado" deve nos perdoar imediatamente!
Nós mesmos fazer isso?
Não!!!!
Somos um "deus" muito do soberbo e mau, que pára quando quiser a dor que causou a si por "vontade"...
Partir de onde está e ir para frente, deixar o passado "passar", como deve mesmo ocorrer, é o caminho!
É triste admitir que somos tão falhos ao ponto de entristecer alguém profundamente pois "Ninguém aqui é puro, anjo ou demônio", como diria Sandra de Sá em "Bye, bye, tristeza", portanto, estamos todos no mesmo barco.
Ter remorso, é normal, mas se deixar levar pela culpa, sem nenhuma tentativa de transformação, já se torna desumano...

Oh, minha amiga, aqui você não pede, manda!
Meu Deus! Que honra ter um link do meu post em seu blog!!!!
Pode levá-lo, quando quiser e/ou puder!
Obrigada por essa alegria!!!!
Aliás, obrigada pelo elogio, incentivo, comentário inenarrável, por suas maravilhosas palavras, que me envaidecem e alegram tanto!...

Beijos e beijos!
A Alteza Imodesta pára por aqui!
Mas antes uma "chuva no molhado" básica: TE ADORO!
(Eu não podia terminar sem essa, né? rsrsrs)

Mary:)

Valéria Braz disse...

Oi Flor... óia eu aqui travies...hehehe
Sabe Mary, acredito qeu o verdadeiro perdão ao próximo só ocorro quando somos capazes de olhar a nós mesmos e entendermos o que nos faz cometer erros...
Se apenas por sermos humanos e falíveis...
Se porque teimamos em ser perfeitos...
Ou se porque apenas esquecemos de nos ver no outro!
No momento em que nos enxergamos com os olhos da verdade benevolente, deixamos de ser senhores da verdade, ou da busca dela e começamos a entender que vários caminhos nos fazem chegar ao mesmo lugar, e que só depende de nós a distância a ser percorrida!
Beijo no coração

Mary Miranda disse...

Val, minha Flor!

Quando nos colocamos no lugar que devemos estar, de meros mortais "pecadores", passamos a ver nossos erros por outro prisma.
É, sim , amiga, ninguém aqui é senhor de verdade alguma, e o que nos resta é crescermos, começar de onde o erro se instalou, seguindo em frente, buscando melhoria.
Temos que pensar assim: "Eu não errei porque quis, e nem sou mau (a) de tal modo que sinta gosto em magoar as pessoas!".
Só a consciência de nós mesmos (adorei sua retorica!) é que nos levará à melhoria espiritual, o que nos interessa!

Beijos, docinho!

Bem-vindíssima seja você sempre! (Até me permiti um neologismo, viu? rsrs)

Mary:)