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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Malandragem - com Cássia Eller

 
 
 
Hoje estou analisando a letra da música Malandragem, com Cássia Eller, uma composição de Cazuza e Frejat, e que saiu no álbum Cássia Eller (1994). Essa canção elevou Cássia ao status de estrela do rock nacional.   
Uma curiosidade, antes de analisar a letra, é que foi composta especialmente para Ângela Rô Rô, no final dos anos 1980. Ângela não quis saber da música por ter achado a letra "um absurdo", ao ser apresentada. Confessou ter se arrependido, num show que foi do Frejat, anos mais tarde.
Bem, pelo meu entendimento, Malandragem dá a impressão de ser discurso de quem cresceu, mas não aceita certas imposições da vida adulta.
Já no título, percebe-se que o intuito não é a malandragem como se consagrou na língua portuguesa. Malandragem não é coisa de gente que quer se dar bem ou quer enrolar o outro. Aqui, o sentido é de "malícia", "menos ingenuidade".
Nos primeiros versos:
 "Quem sabe ainda sou uma garotinha/Esperando o ônibus da escola, sozinha", temos a noção de que a mulher feita da música, fica se indagando sobre a falta de tato com esse mundo tão "real", tão "amadurecido".
"Cansada com minhas meias três quartos/Rezando baixo pelos cantos/Por ser uma menina má"; os versos continuam nos dando a ideia de infância e seus temores.
"Quem sabe o príncipe virou um chato/Que vive dando no meu saco" , notamos que a marca do sonho feminino desde a infância, que é encontrar o tal Príncipe Encantado, vai se perdendo com o tempo. Após tantos "sapos" ou "chatos" que se encontra por aí. As fantasias são questionadas diante de tantas frustrações:
"Quem sabe a vida é não sonhar?" 




No refrão: "Eu só peço a Deus/ Um pouco de malandragem/Pois sou criança/E não conheço a verdade", dá a sensação de que a personagem da letra realmente não tem o jogo de cintura para aceitar os problemas. É como se quisesse achar o seu lugar no mundo e não tivesse ainda a maturidade que a chamada "vida adulta" tanto pede. Na parte: "Eu sou poeta e não aprendi a amar" soa como um contrassenso. Onde já se viu poetas, ou seja, pessoas sensíveis, que não sabem amar? É como se ela percebesse que o que chamam de amor, não foi o que aprendeu lá, no passado, quando era apenas uma garotinha...
"Bobeira é não viver a realidade/ E eu ainda tenho uma tarde inteira"
Nesse momento da música, a personagem está mais pragmática, isto é, se dá conta que viver de passado ou futuro, é uma bobagem , viver é aqui e agora. Reparem que ela não diz: "E eu tenho uma vida inteira". Diz que tem "uma tarde". Por quê? Porque está mais concisa de que amanhã pode não chegar e ela quer o tempo de hoje, que é o que tem em mãos.
"Eu ando nas ruas/Eu troco um cheque/ Mudo uma planta de lugar/Dirijo o meu carro/Tomo o meu pileque/E ainda tenho tempo pra cantar".
Para provar que a vida chamada "real" é essa que vivemos, ela anda, troca cheque, muda planta, dirige, toma umas doses, e ainda sobra tempo para fazer coisas das quais gosta, como cantar , por exemplo.
O refrão volta com a personagem pedindo "um pouco de malandragem" porque se ela conseguir ser mais esperta, tudo o que almeja, há de acontecer um  dia. Enquanto isso, ela vai vivendo o momento para tentar ser feliz, como todo mundo almeja.
E, afinal, "um pouco de malandragem", um pouco de malícia e tato para lidar com os problemas, não faz mal a ninguém...




 
Letra e vídeo da música logo abaixo!

Malandragem - Cássia Eller
(Cazuza/Frejat)

Quem sabe eu ainda
Sou uma garotinha
Esperando o ônibus
Da escola, sozinha

Cansada com minhas
Meias três quartos
Rezando baixo
Pelos cantos
Por ser uma menina má

Quem sabe o príncipe
Virou um chato
Que vive dando
No meu saco
Quem sabe a vida
É não sonhar

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar

Bobeira
É não viver a realidade
E eu ainda tenho
Uma tarde inteira
Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Pra cantar

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar

Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Pra cantar

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar

Quem sabe eu ainda sou
Uma garotinha




(Imagem:
Fonte desconhecida
Edição de imagem:
https://www.facebook.com/MaryDifattoOficial)

Um comentário:

Marilene Lima disse...

Esta música retrata minha história......"Quem sabe ainda sou uma garotinha"......