PARA QUEM AMA GATOS

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sábado, 17 de dezembro de 2011

Não fui criada por vó!...


Êta povo nosso, que inventa expressão para tudo!
Vejamos quando alguém se mostra um pouco educado demais, do tipo que não gosta de se arriscar (principalmente se for do sexo masculino), logo alguém diz:
- Chega de "frescura", cara! Parece até que foi criado por vó!...
Desse "mal" nunca vou morrer porque não conheci nenhuma dessas criaturas, as chamadas por muitos de "segunda mãe", a que é "mãe duas vezes", as queridas
avós!
Não fui criada por vó!...
Gêneros feminino e masculino não existem no meu vocabulário dos "progenitores duplos", porque também os avôs escorregaram do meu espaço-tempo, eu a caçula e temporona, que deu um "Alô!" para a vida quando os quatro tinham partido há muito...
Fui mordida pelo bichinho da inveja - sou uma humana comum, me deixem em paz!- ao ler duas joias literárias emotivas familiares, patrocinadas por amigos meus queridíssimos na blogosfera, adoráveis, inteligentes e emocionantes, que narraram de maneira fluente e orgulhosa (eles têm esse direito!), as passagens marcantes de seus respectivos avós.
Falo da Anjinha Adriana Helena, tão delicada, exuberante, falando da guerreira vovó Zilda em suas 9 décadas de existência em
Homenagem a minha Vovó Zilda pelos 90 anos completados hoje! e do Musical/Contista, que veio trajado de Restart no 3.o aniversário do Fatos de Fato, o meu companheiro de Arca de Noé diHITTIANA José Sidney (amigo, essa eu não resisti, e nem fiz questão de tentar! ha) que em Quando a MPB concede-nos o sagrado direito de sermos melancólicos , nos brindou com um texto brilhante, canções de saudade do avô, aquele que era um senhor bem louco por futebol!
Meus amigos, jamais terei a vivência que tiveram (ou têm) com seus amados avós, mas também trago história, porque os herdeiros que ficaram foram fiéis (acho!) às personalidades do quarteto saudoso!
Pegando dados relevantes dos meus pais, tios, irmãos e primos, aqui repasso alguns "pescados", que sintetizam a persona de cada um.
Sendo ou não verdade o que me disseram (e dizem), vai ficar como aqui escrevo.
Porque a partir de hoje está nos autos, assino e faço fé!...

Avós paternos

VÔ JOÃO

Era mineiro, mas passou mais tempo no Rio do que em outro lugar, trabalhador braçal da roça, calmo, pouquíssimo estudo, um pisciano bem tímido.
Não era o que se poderia chamar de bonito, mas tinha bom porte!

De poucas palavras, só abria a boca quando bebia, algo que frequentemente ocorria nos fins-de-semana (puxei isso dele, de só me permitir beber meus vinhos, longe dos dias úteis).

Mas ele, além de falar muito, ficava um tanto agressivo, que assustava minha vó e os filhos. (Nunca bateu em nenhum deles, só que era uma situação bastante delicada).

O motivo da separação dele da minha avó, foi o fato que queria se dedicar à agricultura no pequeno sítio onde moravam, e minha vó queria criar galinhas soltas, no que atrapalharia a plantação.

Mesmo separados, continuaram bons amigos!...

Vô João teve morte trágica, com nota em jornal da época pela gravidade.

Por falta de condições de serviço adequadas ao trabalho que desempenhava (era escavador de barreiras), morrera pelo desabamento de uma tora imensurável de terra.
Meu pai teve que reconhecer o corpo, e jamais esqueceu a cena...



VÓ AUGUSTA


Essa minha vó era uma revolucionária para a época!
Mineira, uma leonina porreta aquela "veinha" que fugia do roçado para estudar quando jovem, ela que fora instruída que mulher não precisava saber ler nem escrever!

Por conta disso, de sua "rebeldia", passou a ser uma das poucas letradas, e escrevia cartas a pedido dos vizinhos, quando necessitavam se comunicar com parentes longínquos.

Minha vó Augusta era uma "tampinha", mais baixa ainda que eu, e como reza a "lenda", bem "esquentada"! ( Todo baixinho é nervoso!...)

Quando cismava com alguma coisa, ía até o fim, , parecendo uma máquina de velocidade, sempre muito irrequieta!

Nasceu no dia 13 de agosto, não numa sexta-feira, sem guardar superstição do seu dia, mas "embaçava" com algumas crendices como não passar embaixo de escada ou parar com braços abertos na porta.

Tão moderna e imperiosa em tantas situações, quedou-se em birra esquisita, o maior de seus "empacamentos": odiava tirar fotos!

Uma vez meu pai e o cunhado dele armaram uma "arapuca" para ela sair no retrato sem saber.
Quando revelaram as fotografias, o filho quase apanhou de cabo de vassoura...
Essa minha querida avó morreu no hospital após 17 dias em coma, por motivo que não lembro.
Meus irmãos foram levados pelo nosso pai para se despedirem dela, antes que partisse.

A cena que mais lembram é de seu sorriso, tocando as mãozinhas miúdas e inocentes deles, que ainda não entendiam na
da de separação por morte...


Avós maternos


VÓ CELINA


"Linda capixaba, uma mulher de beleza natural!", se gabam os filhos e netos que a conheceram ( a vi na foto e era mesmo muito bela!).
Não se dava conta de aspectos exteriores, trancando a parte física em roupas fechadas, sorrindo muito pouco. (No caso dela, um dado interessante, já que era libriana, que é o signo da vaidade...)

Era católica fervorosa, do tipo que rezava a cada meia hora, não xingava um só palavrão, fazia o gênero "carola".

Trazia os filhos sob supervisão severa, embora pouco disso tenha valido porque, dos 7 filhos, quatro "se perderam" no Rio de Janeiro, causando-lhe um certo desgosto ( "se perder", na opinião dela, era não seguir os preceitos católicos e deixar o lar antes do casamento).

A sua morte prematura, aos 50 e tantos anos, deveu-se a uma operação de vesícula, que ninguém sabe explicar por que não deu certo.

Ela estava muito bem mas, ao dormir, não acordara no outro dia...
Minha vó, tão bela, adormeceu para sempre!... (Embaixo de seu travesseiro ficou intacto um dinheiro mensal que um dos meus tios "desertores", sempre a enviava do Rio.)



VÔ OSÓRIO


Juntamente com minha vó Augusta, seria meu avô predileto, se eu pudesse conhecê-lo!
Ele era fantástico; possuía todos os ingredientes para eu o idolatrar!

Um leitor compulsivo e um escritor dos melhores, compunha músicas, poemas, textos diversos, um canceriano risonho, bem comunicativo.

Cada filho ganhou suas "letras", através de canções ou quadrinhas.

Também capixaba como minha vó, tinha o sotaque bem forte ( há quem diga que parecia ter uma "batata na boca" ao falar, algo que mamãe também puxou). Torcedor do Botafogo, esse fanático por futebol, grudava no radinho e não largava mais!
Gol do Fogão, e grito ouvido no bairro inteiro!!!!

Tinha uma caligrafia de dar inveja a qualquer um, tanto é que trabalhava como livreiro ( algo como escriturário hoje em dia), no que ganhava um parco salário, mas que dava para sustentar a família grande.

Aliás, tinha nascido para ser pai pois, do tipo "babão", amava os filhos como nunca se viu um pai amar! Os maiores sacrifícios fazia para ver seus rebentos felizes!... (Pai "coruja" é termo pequeno para definir sua adoração...)

Sua particularidade mais forte - nunca conheci ninguém como ele! - é que detestava açúcar! (Rejeitou o leite materno por conter um pouco de glicose natural.)

Nada que fosse ligeiramente adocicado digeria, logo não curtia nenhuma fruta, salvo o abacate, no qual colocava uma pitada de sal (!), para dar um "temperada".
Um romântico, doce homem-menino, ainda que no auge de seus mais de 1,80 m! Morreu três anos depois que vovó partira, de derrame. Seu amor era imenso, não suportou a dor da separação.
Há uma "lenda" que diz que sua cegueira, logo após a morte de minha vó, foi emocional. Creio, porém, que seja pelo motivo que citarei a seguir: só depois de morto, é que descobriu-se que tinha diabetes.

O que poderia ter sido uma maldição, foi uma bênção: não suportar açúcar é a melhor coisa que pode existir para quem tem esse tipo de doença...


Essa foi uma forma de agradecer a existência deles na minha história, do quanto seus bons ensinamentos resultaram em filhos que, se não são perfeitos, são pessoas com valores, espírito de luta e vontade de encarar o que vier!
Adoro saber que meus avós não foram pessoas diferentes, melhores, ricas ou brilhantes.
Sobretudo, o que mais adoro mesmo saber é que, antes de mais nada, eles foram PESSOAS!...


(Imagem:
http://heylittlecookie.blogspot.com
Edição de imagem:
http://marymiranda-fatosdefato.blogspot.com)

22 comentários:

Bia Hain disse...

Mary, adorei saber um pouco da sua história. Eu convivi com o avô paterno e com a avó materna, e não acho que isso me estragou! Mais um mito criado pela scoiedade! Parabéns pela bela história.
Um abraço!
www.revoltaeromance.blogspot.com

JFelipe disse...

Moça Bonita.
Meus irmãos me chamavam de "filho da vó".
Não que tenha sido criado pela minha avó paterna (a materna faleceu quando minha mãe tinha 8 anos), mas por morarmos em casas pegadas, com um quintal imenso, passava mais tempo com minha avó do que em casa.
Quando meu avó faleceu (tinha 14 anos na época) passei a dormir na casa da vó Teresa e tenho todas as manias daquela mulher linda e bem educada que virou a cabeça de meu avô.
Nos finais de ano meus pais viajavam com meus irmãos e eu ficava só com minha avó.Asistíamos a corrida de São Silvestre (naquele tempo era a meia noite), conversavamos um pouco e íamos dormir.
Quando ela resolveu morar sozinha aos 70 anos de idade, fui eu quem escolhi os móveis de seu apartamento (um por um).
Daí ter muitas manias de minha avó e só tenho a agradecê-la por isso.
Faleceu aos 93 anos e deixou um grande vazio apesar de eu já ter a Iva.
Beijão do presidente vitalício

Isa Oliveira disse...

Oi Mary querida!

Que linda homenagem feita aos seus avós! Parabéns!
Realmente amiga, eu sempre escuto alguém dizer isso. "Que menina dengosa, com certeza foi criada pela vó!"
Engraçado, para muitos ser criado por vó, é como se eles estragassem a criança, pelo excesso de carinho.rsrs
Nossos pais foram bem educados por eles, e com tudo que aprenderam nos educaram. E hoje, eu costumo ouvir as pessoas dizerem que não gostam que os filhos sejam criados pelos avós. Eu sinceramente, não vejo problema, e adoraria ter sido criada pelos meus avós. Pena que todos os meus avós morreram enquanto eu ainda era criança, não tive tempo de conhecê-los e curti-los muito.
Acredito que todos os nossos avós possuíram/possuem uma sabedoria única, a qual Deus reservou somente para eles.

Ah! A pedido seu, não vou excluir a conta do Dihitt, vou deixá-la ativa, e quando puder eu volto.
Só estarei comentando nos Blogs quando sobrar um tempinho.

Bjokas e um Feliz Natal!! :)

Mary Miranda disse...

Bia, minha amiga!

A sociedade cria muitos mitos e um deles é esse, de quem é criado por vó ser "fresco" ,
Pena eu não ter tido essa felicidade, de ter convivido com meus avós, nem um sequer...

Abração, Bia!

Obrigada por sua linda vinda!!!!

Mary:)

Mary Miranda disse...

Ai, que inveja, meu Canceriano Favorito! rs

Achei sua vó tudo de bom, e durou um tempo grande, tempo que serviu para você curti-la bastante, aprendendo e ensinando a uma criatura tão cheia de sabedoria!
Sabe, meu amigo, mesmo que não tenha conhecido meus avós, é como se tivesse os conhecido; tão vívidas são as lembranças dos que tiveram contato com eles!
Minha vó Augusta e vô Osório parecem que estão sempre por perto, e os ouço, do modo que sabemos ser possível acontecer, não é mesmo, meu querido presidente?!
Fico imaginando como seria bom tê-los aqui, eles me paparicando, e eu paparicando-os... (Eu faria tanto por eles, como se fossem meus pais!!!!)

Beijos, querido!

Adorei sua inestimável presença!!!!!

A igualmente vitalícia te saúda!

Mary:)

Mary Miranda disse...

Isa, boa noite, querida!

Você ainda teve a alegria de conhecê-los, mesmo pequena. Eu, nem isso... ( Problema sério ser caçula e temporona! rsrs)
Acredito também na sabedoria dos avós e acho que ser criado por vó não quer dizer ser "fresco", cheio de "não-me-toques".
Se uma pessoa é extremamente educada ou sensível é da natureza dela, nada a ver se criado ou não pela avó!...
Mas contente mesmo eu fiquei por saber que uma síplica minha valeu de alguma coisa: bom demais a sua permanência no diHITT!
O que você está fazendo é ótimo; participar do site quando possível.
Não há necessidade de eliminar o perfil, mesmo porque a maioria que assim procede, retorna, mais cedo ou mais tarde! rs

Beijos, amiga!

Felicidades para você neste Natal e no Ano Novo, que está já está chegando!!!!

Mary:)

Valéria Braz disse...

Oi minha Flor... que linda homenagem a estas pessoas maravilhosas que nem todos tem a honra de conviver!
Querida, eu e meus irmãos não conhecemos nossos avós paternos, porque minha avó morreu ao dar a luz a meu pai (ele era o casula) e meu avó morreu quando meu pai tinha 7 anos assassinado na frente dos filhos (meu pai falava muito pouco sobre isto).
Já por parte de mãe, conhecemos meu avó já velhinho e um pouco caduquinho... tadinho, a gente aprontava muito com ele... hehehehe
Já a minha avó por parte de mãe, sempre morou com a gente, e te afirmo que ela é quem nos criou. Mulher maravilhosas. Italiana de fala alta e gestos exagerados, mas sempre de bom humor e sua alegria irradiava por todos da casa.
Ela era uma mulher forte, e me ensinou muito sobre tudo o que hoje tenho como "regras de conduta". Foi uma mulher sofrida, mas capaz de através de todo seu sofrimento continuar feliz....
Eu amei ser criada pela minha avó...
Adorei seu post... me trouxe muitas lembranças e traquinagens da infância sempre tendo minha vó na figura de mãe, seja nas brincadeiras ou nas broncas, que amiga, por ela ser italiana eram muito aumentadas.....hehehehehe
Beijo no coração

Cecilia sfalsin disse...

Minha estimada e linda amiga Mary, :).

Vou repetir um termo que adicionou ao teu texto quando se referiu a vó Augusta ,para dar um tcham em meu comentário..posso? ahhh, mesmo se não puder la vai .Eita que teu texto ficou "porreta" (Rsrsr), amiga este termo a que se refere no inicio tipo um dito popular eu não conhecia :), e realmente tem tudo haver até mesmo porque mimo de avós acho que estraga um pouquinho, rsrs.Mas em questão de ser criados com a presença deles eu fui, apenas não conheci um que foi meu avô materno, mas paterno tive a chance de conhecê lo apesar dele não me conhecer, rsrs,pois tinha alzheimer,epor isto ele mal conhecia minha avó pra se ter idéia, agora cá pra nós eu não tive duas avós e sim duas mães e 3 com a minha claro,pois elas sem dúvidas me paparicavam muito e até brigavam por mim, primeira neta, e levo o nome de uma delas minha querida "vó" Cecilia, a unica presente até hoje com 92 anos,a materna faleceu mas foi uma grande e admirável mulher, que tenho muitas saudades. Agora para que o assunto não seja tão sério aprendi a diferenciar avô de avó ao escrever lembrando que avó usa grampinho e avô chapeuzinho, rsrsrsrsr...Brincadeirinhas parte...

Amiga adorei sua sensibilidade e naturalidade ao descrever seus avós apenas por ouvir falar, mas conseguiu envolver me com teu texto..adorei...

Beijos em seu coração, com muitas felicidadesssssssss....

Gosto muito de ti...:)

Mary Miranda disse...

Que histórias tristes com seus avós, Flor Val!

As que mais mexeram comigo foi as da sua vó morrendo no parto e do seu vô morrendo em frente ao seu pai... (Algo parecido aconteceu com meu próprio pai, que teve que reconhecer o corpo do meu avô, que ese encontrava num estado deplorável...)
Que delícia deve ter sido a você, receber o aconchego da vovó italiana (minha bisa, de parte de mãe, também era); considero isso uma bênção, compartilhar momentos com avó queridos!
Engraçado, flor, que vivencio e imagino cada gesto dos meus, ainda que jamais meus olhos tenham pousado sobre eles...

Obrigada pelo relato delicado de suas vivências!
AMEI cada letra aqui transpassada por você!

Beijo enorme, do tamanho de sua lindíssima história com os "progenitores duplos"!

Mary:)

Mary Miranda disse...

"Porreta" foi o seu comment, Ceci! rs

Esse termo é nordestino, quando uma pessoa quer dizer que algo ou alguém é muito bom. (Aqui no Rio, ainda que seja a Região Sudeste, aprendemos muitas termologias do País inteiro! rs)
Que inveja boa tenho de você, por ter tido avós-mães, algo que deve marcar qualquer pessoa para o resto da vida... No seu caso, então, ahn? Nome da avó eternizado em você! Que lindo isso!!!!
Assim como a vovó da Adri, a sua é também longeva, com seus maravilhosos 92 anos (ela ainda está lúcida?).
"Avô" tem chapeuzinho e "avó" tem grampo, não esqueça, hein? É de praxe as professoras ensinarem os acentos desse modo para todo mundo...

Beijos, amiga e doce Ceci!
Seu comentário enobreceu o post!!!!

Mary:)

Rô Moraes disse...

Convivi com meus avós: paternos e maternos...e, se contar aqui, todas as lições que aprendi com os quatro, daria, pelo menos, quatro livros..rs..: uma biografia de cada um. E, nessa época, tudo o que recordo é que todos nós nos reuníamos. Não havia essa de avós paternos e maternos. Todos juntos e fim! Familia italiana. Uma alegria só...Fotos e mais fotos com os netos, depois bisnetos...eu, nos colos de um e de outro...(fui muito mimada, confesso...rs...fui uma das últimas a nascer...demorei 10 anos prá nascer, depois que meus pais casaram, mas mimada em termos de carinho!!!). Enfim...fui sortuda!!! Ou melhor, sou! porque acho que consegui ter um pouquinho deles aqui ♥ dentro!. Beijinhos, Mary. Lindo demais teu texto...

Mary Miranda disse...

Rô, amiga minha!

Que linda a sua história!!!! (Poxa, só eu que "vi navios" com meus avós... rs)
Os avós são aquelas criaturas deliciosas que guardamos para sempre no coração, mesmo quando não os conhecemos, como eu!
A parte de mamãe é constituída de italianos e franceses, por isso a "carolice" do catolicismo arraigado (minha vó foi a criatura mais fanática que se teve notícia! rs) e havia entre eles muito "esquentamento", de gente que falava alto, se reunia em longas mesas no almoço, com orações em horários marcados e talz!
Interessante, amiga, que além da tradição herdada dos italianos, havia também o costume dos capixabas na época, de chamarem os vizinhos pelos sobrenomes (os mais conhecidos eram os Barcini, os Vieira (primos de mamãe), se eu não me engano os Pereira (portugueses) e os Miranda (eles próprios)).
Pelo que dá para notar, é como se eu tivesse estado lá; sinto até o cheiro, por mais incrível que pareça!...
Sobre mimos, não posso reclamar: se não recebi dos avós, recebi da família inteira, dentre os pais, tios, irmãos e primos! (Sou caçula da família inteira, alguém pode comigo???? rs)

Comentário seu que é de muita importância neste post, minha querida!

Obrigada por tê-lo deixado aqui conosco!

Beijos mil da Mary pra você:)

Anônimo disse...

Eu tive avós...meu avô se sentava ao meu lado no sofá da sala (sofá esse q hoje mora aqui em casa)c/ um gibi...eu apontava p/ um quadrinho e perguntava: "e aqui vô?" e p/ cada quadrinho ele inventava uma história...me lembro até hoje do cheiro do misto quente q minha avó fazia p/ mim no tostex..foi bom demais!!! :)

bjss

Silvia

Adriana Helena disse...

Mary, minha querida... puxa vida linda, cheguei tarde mas ainda a tempo de ler esta maravilha..
Isso sim, é uma homenagem digna , perfeita para todos os seus lindos avós!!Quanta emoção amiga, senti em cada palavra, em cada frase, todo o seu respeito e admiração para cada um deles, pois mesmo não os tendo conhecido, sabe com perfeição toda a história de vida deles e tem muito orgulho disso amiga, é isso que importa!!!
Seus avós foram pessoas fortes, guerreiras, sábias sérias, trabalhadoras...e eu me simpatizei demais com sua vó Augusta, a "baixinha arretada".. e acho que você querida amiga, herdou alguns traços da personalidade forte dela sim...
Já sua vovó Celina, que partiu tão jovem, parecia ser muito fechada para o mundo, pois seguia sua consciência e suas convicções , mas igualmente encantadora....
Querida amiga, agradeço tanto por ter mencionado a homenagem de minha avozinha na sua matéria querida... CONFESSO QUE FIQUEI TODA ORGULHOSA!!
Mas eu já te disse que sem avó você não fica e mesmo que não tenha sido criada na infância e adolescência por seus avós, por favor, sinta-se acolhida por minha Vovó Zilda que vai ter o maior prazer de te dar um abraço que vai te deixar com os olhinhos apertados: sim querida, o abraço dela é de nos deixar até sem ar de tanto que ela aperta..rsrs
Um beijo minha linda e agradeço novamente por tanto carinho e generosidade de sua parte!!!
Mil beijos Mary!!!

Antonio Rubilar B. Valente disse...

Família é família,e ainda bem que temos uma né?Estou seguindo vc!Desejo em 2012, onde muitos loucos ou céticos dizem que é "fim do mundo", você reconsidere que no fundo é o COMEÇO de um novo tempo, de um novo e FELIZ percurso, é o momento em REVER os deslizes que você cometeu e se possível, corrigi-los.


Enfim, desejo do fundo de meu peito que o Bom DEUS e somente Ele tem esse poder, te ilumine e te coloque por um longuíssimo TEMPO, no rol desses que Ele quer ver distribuindo sorrisos e bons gestos no MUNDO, me permitindo dizer: VOCÊ É FORTE, VOCÊ É FELIZ, VOCÊ É UM TIGRE!"

Um FELIZ 2012!!
São os votos do amigo do Blog BRASIL DA PENA,
Rubi Valente.
(Fujioka-Shi, Japan)

Mary Miranda disse...

Sílvia, querida, que lembrança boa!!!!

Legal o sofá ter resistido ao tempo e ajudar, de alguma forma, em sua história de vida!
Um avô criativo, inventor de historinha, que delícia isso!!!!!!!! (Quem adorava criar conto infantil, era meu irmão do meio, um adolescente não-rebelde na época que tomava conta de mim enquanto meus pais trabalhavam.)
Misto quente já é gostoso por si só, o que dirá feito pela nossa "mamãe dupla"?!(Deve ser bom demais!...)

Amiga, AMEI sua passagem de convivência com seus avós!
É maravilhoso ter-se essas boas recordações de pessoas especiais!!!!

Beijos,
Mary:)

Mary Miranda disse...

Anjinha Adri, não chegou tarde, e sim, na hora certa!!!!

Você não tem noção do quanto sua fabulosa homenagem à vovó Zilda me tocou!
Tudo muito envolvente, delicado, doce, uma ternura imensurável quando você contou-nos sobre a sua linda vovó!
Confesso que senti uma pontinha de inveja(rsrsrs), coisa que o Sidney também tinha colaborado para esse meu sentimento não muito aceitável... (Ter inveja é feio e eu sei disso! rs)
Meus avós foram pessoas boas, o que me dá muito orgulho, sabe?
Vó Augusta e Vô Osório eu queria muito conhecê-los!!!! Acho até que não largaria do pé deles, todo dia iria querer dar beijos em suas bochechas e pedindo pra vó pra fazer paçoca (meu pai aprendeu com ela; uma gostosura!!!!)e pro vó escrever ou ler algo bem bonito!
Vô João era muito calado, e como sou moleca demais, talvez ficasse meio distante. E vó Celina viria com uns conselhos moralistas, que também iria me deixar um pouco "na minha". (Mas tenho certeza que amaria os dois!!!!)
Tenho traços de minha vó Augusta, meu pai sempre diz que sou irrequieta, falo "na lata", coisa que ela igualmente "sapecava" sem dó! rsrs

Beijos, meu doce!
Sua presença foi e é algo de inestimável pra mim!

Meu obrigada mais sincero, viu?

Mary:)

Mary Miranda disse...

E, é claro, que vou "catar" vó Zilda pra mim! rsrs

Se um dia eu vier a conhecê-la, vou dar tanto abraço e beijo nela, que a "veinha" vai lamentar com você mais tarde:
-Ô, Adriana, onde você arrumou uma "neta" dessas tão grudenta? Já estou ficando enjoada de tanto mel... (rsrsrs)
Querida, manda meus sinceros votos de felicidade a ela! Diga que já me sinto sua neta e o quanto seu histórico de vida me emociona!

Beijos,
Mary:)

Mary Miranda disse...

Boa noite, Rubi!

Uma das melhores coisas que Deus permite que temos, é a família!
Claro que nenhuma é perfeita e há várias com muitos problemas de relacionamento, tristezas,etc.
Mas, de um modo geral, a família é a base de todo ser humano.

Um forte abraço e obrigada por ter vindo, participando do blog!
O mesmo que me felicitou, desejo a você, para o Natal e o Ano Novo que se aproximam!

Mary:)

Valdeir Almeida disse...

Mary, querida!

Saudades de estar aqui e me deliciar com seus textos*.

Entendo que você ficou com o “gostinho na boca” de conhecer pessoalmente seus avós. Mas creio que a figura deles foi transmitida com tanta fidelidade e apreço pelos seus familiares que é como se você os houvesse conhecido. Esse texto é uma demonstração disso.

Todos os seus avós tiveram um “enredo” que mereceria ser retratado no mundo mágico da TV ou do cinema. Vó Augusta por quebrar tabus e dominar a escrita numa época em que era negado às mulheres tal direito; além disso, escrevia cartas a pedido – e por prazer – quando “Central do Brasil” nem “sonhava” em ser produzido.

Do vô João, o destaque é o motivo da separação da esposa: as galinhas dela que prejudicavam a plantação (é ou não um tema para a sétima arte e para telefolhetins?)

Infelizmente, vó Celina morreu cedo. Estava no auge de sua vida como avó. A religiosidade estava presente nela, mas era muito apegada aos filhos que se “perderam” pelo Rio. E a cena do dinheiro debaixo do travesseiro? Comovente.

Nota-se até mesmo pelas linhas a mais dedicadas ao vô Osório que ele seria (é) o seu preferido. Também, pudera, era bom leitor, escritor idem, e comunicativo...! Lembra-me alguém que possui as mesmas características “de fato” (rsrs). Só ficou em mim uma curiosidade? Você tem algum escrito dele? Eu queria conhecer (desculpe-me pela indiscrição, rsrs).

Pois é, Mary, ser criado por avós ou conviver intensamente com eles não deveria ter a conotação negativa que costuma ter. Os avós são os segundos pais, mas embora sejam responsáveis e queiram o bem de seus netos, transmitem afeto com altas doses de conhecimento sem a obrigação de educá-los da mesma forma que os pais.

Gostei, Mary. Gostei. Mais uma vez, parabéns!

Beijos e tenha um Natal Felicíssimo.

* Eu estava um pouco atarefado, não pude vim visitá-la nos dias recentes.

Mary Miranda disse...

Valdeir, como está, meu querido?

Antes de qualquer coisa, como é bom tê-lo aqui no Fatos de Fato!
Também senti muitas saudades suas (ô vida nossa, que abocanha o tempo...)e só estou na net com certa frequência porque "invento" um tempo que não existe, para poder descontrair (se não, eu piro legal)! rsrs
Também me recordei demais de minha vó Augusta quando vi o filme "Central do Brasil".
Era aquilo ali mesmo, sem tirar nem pôr! (Como eu disse no post, ela e meu vô Osório seriam meus preferidos...)
Além da sua citação de enredo para a sétima arte para vô João ( a briga por causa da plantação, separando-se de minha vó por causa disso), havia a questão do alcoolismo e da morte bem trágica, que não quis estender no texto para não dar um tom tristonho já que o objetivo não era esse, e sim, de homenageá-los.
Concordo que todos renderiam bons enredos cinematográficos!
Minha vó Celina já me lembra a personagem de Meryl Streep em "Dúvida", uma freira bem rigorosa. (Assista! É um filme cheio de diálogos intrigantes, que nos envolvem do princípio ao fim.)
E vô Osório com sua "boemia do bem"(não era mulherengo, não bebia e nem ficava em noitada)? Também renderia uma história maravilhosa!...
Um poeta, um sonhador, muito alto, sorridente, que lia versos e escrevia bem à beça! (A Mary imodesta está aqui e diz que puxou a ele, menos na altura! rs)
Já ouvi falar que avó é "mãe doce" porque faz tudo o que as mães fazem, mas de maneira delicada, sem obrigação de educar, como você sabiamente falou.
Os avós jamais deveriam ter conotação ruim porque eles, no mínimo, são os responsáveis por nós estarmos aqui, através de nossos pais!...


Beijos, meu amigo!

OBRIGADA, DE VERDADE, por seu magnífico comentário!

Natal e Ano Novo plenos pra você!

Mary:)

Mary Miranda disse...

P.S.: Já ía me esquecendo: meu vô Osório deixou muitos escritos, mas com o advento de sua morte, os filhos venderam a casa com tudo dentro, incluindo móveis, pertences, etc. Naturalmente quem encontrou seus textos não teve a mínima consideração e respeito para lê-los e guardá-los...
Apenas uns versinhos infantis feitos para mamãe e uma música igualmente infantil para meu tio Célio, são lembrados até hoje. Para mamãe eis aí:

"Olá, filhinha, como vai?
Com tanta pressa, que pressa é essa?
Não olha pra frente, nem olha pra trás
E nem dá um beijo
De bom-dia no papai?"

(Foi inspiração "de estalo"! Minha mãe tinha acordado e não o tinha visto, no que o sensibilizou para criar os versos. É por isso que eu seria (sou) fã desse cara! rs)