PARA QUEM AMA GATOS

PARA QUEM AMA GATOS
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A verdade chinesa


Teses não satisfazem quando queremos apurar conceitos do campo humano...
Olha eu aqui, tomada por um impulso de questionamento do que seria a verdade!
Ouvidos são para ouvir , sendo eu pega dessa vez pelos acordes de Verdade chinesa (cantada de tal maneira estupenda por Emílio Santiago, que a pergunta é: a música seria tão linda se ele não emprestasse o seu gorjeio límpido para a citada canção?), fazendo eu coro junto aos duvidosos, tentando descobrir o que a verdade - e chinesa- seria, afinal.
Verdade é tudo aquilo que seja oposto de mentira, que seja realmente de acordo com o fato.
Se eu derrubo um copo e ele se quebra (aconteceu comigo ontem!) a verdade é só essa: o copo quebrou-se!
Se eu entro embaixo do chuveiro e a água cai sobre o meu corpo, obviamente que irei me molhar! É fato, é verdade!
Mas a verdade é ampla e não se restringe aos limites físicos...
Há uma conceituação do povo chinês antigo que diz que a verdade é tudo aquilo que você entende como resposta para pergunta que resulte em bem-viver.
A verdade para um faminto, por exemplo, só é uma: alimentar o seu corpo.
Ele não quer saber de estatísticas que dizem que o seu país está progredindo, que enviou satélites intergalácticos , que o índice de analfabetismo caiu para 1%, que o povo tem mais sortimento alimentício...
O faminto só tem fome, sendo que a resposta para sua pergunta tem que ser satisfatória, e comida no seu organismo é a única satisfação, a única verdade...
Alguém que perdeu o emprego não quer escutar 'verdades' que o maltratam, tipo: "Você passou dos 50 anos, vai ser difícil agora arrumar outro...", "É, cara, lamento informar , só que as suas contas estão vencendo, e você sem emprego..."
Verdades que levam ao desespero, desânimo, são mentiras!...
'Mente pra mim, me ajuda a viver', diz uma canção do José Augusto.
'Mentiras sinceras me interessam', diz uma outra do Cazuza.
Já foi constatado que as mentiras geralmente são inventadas para proteger alguém ou por insegurança do inventor delas.
Há momentos em que SOMENTE as mentiras podem ajudar!
Não digam nunca para alguém que quer perder peso que todo o seu esforço não valeu a pena e que essa pessoa nem sequer moveu os ponteiros da balança...
Dizer que o seu corpo está esquálido, já é mentir demais, mas dizer que ela está melhor que antes, não vai fazer mal a ninguém...
Mentir para alguém para ajudá-lo, não é mentira, quando você quer mesmo colaborar com o bem-estar alheio!
E as tais 'mentiras sinceras' seriam aquelas em que você quer tanto que o sonho do(a) amigo(a) se realize, que até você mesmo(a) acaba acreditando nas palavras proferidas!
O mundo é feito, então, por mentiras?
O mundo é feito de verdades que favoreçam, tornem as pessoas mais reconfortadas, ajustadas, de alguma forma dentro de um contexto!
Para delirarmos mais com essas verdades, miremos no padrão de cores que o mundo dispõe aos nossos olhos.
O meu azul, é o mesmo azul que a outra pessoa vê? Do mesmo jeito, com a mesma tonalidade?
Cientista nenhum no mundo chegou à uma conclusão sobre como aquele olho que vê, enxerga no corpo que o detém...
As nuvens que vejo às vezes formam pássaros.
Aponto para a mesma direção no céu e meus alunos, falam: "Parecem cabritos!..."
A verdade chinesa seria, na verdade (sem trocadilho!), aquela que é conceitual, subjetiva, particular, filosófica...
A minha verdade nunca é a mesma que a do meu semelhante.
Uma das maiores escritoras do Brasil - senão do mundo - Clarice Lispector, começou sua obra Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres com uma vírgula (,) e finalizou-a com dois pontos(:).
E quem vai dizer que ela não usou a sua verdade de escritora competente, contrariando a gramática, embora fazendo de seu trabalho um dos maiores de seu repertório literário?
Ainda citando os mesmos chineses filósofos, esse povo não se preocupa com passagem de ano.
Enquanto explodimos nossos fogos de artifício, abrimos champanhe (ou sidra), felicitando um novo ano cheio de promessas quase nunca cumpridas, eles, os sinos, mantém sua paz interior sabendo que o planeta Terra só deu a sua voltinha costumeira de 365 dias e 6 horas...
Resumindo todo discurso, 'calando nossas bocas mentirosas', impedindo qualquer contradição,
digo que só há duas verdades que ninguém contesta, ninguém foge, ninguém pode negar que são dignas de todo o crédito:
ESTAMOS AQUI PARA SERMOS FELIZES E DEIXARMOS NOSSOS SEMELHANTES SEREM FELIZES TAMBÉM!
Essas são as mais belas e melhores verdades que possam existir!...


Degustem agora a voz singular de Emílio Santiago, com sua Verdade chinesa.
É nessas horas que eu me jogo de joelhos e agradeço a Deus por ter ouvidos e poder escutar a bênção de voz que é Emílio! Eta camarada para ter voz bonita!!!!!!!!! (Outra verdade indiscutível...)

Verdade Chinesa - Emílio Santiago

(Composição: Carlos Colla/Gilson)

Era só isso
Que eu queria da vida
Uma cerveja
Uma ilusão atrevida
Que me dissesse
Uma verdade chinesa
Com uma intenção
De um beijo doce na boca...

A tarde cai
Noite levanta a magia
Quem sabe a gente
Vai se ver outro dia
Quem sabe o sonho
Vai ficar na conversa
Quem sabe até a vida
Pague essa promessa...

Muita coisa a gente faz
Seguindo o caminho
Que o mundo traçou
Seguindo a cartilha
Que alguém ensinou
Seguindo a receita
Da vida normal...

Mas o que é
Vida afinal?
Será que é fazer
O que o mestre mandou?
É comer o pão
Que o diabo amassou?
Perdendo da vida
O que tem de melhor...

Senta, se acomoda
À vontade, tá em casa
Toma um copo, dá um tempo
Que a tristeza vai passar
Deixa, prá amanhã
Tem muito tempo
O que vale
É o sentimento
E o amor que a gente
Tem no coração...

(Repetir a letra)

(Final):
Senta, se acomoda
À vontade, tá em casa
Toma um copo, dá um tempo
Que a tristeza vai passar...
Deixa, prá amanhã
Tem muito te
O que vale
É o sentimento
E o amor que a gente
Tem no coração...(2x)



(Imagem:
http://sanatoriodanoticia.blogspot.com
Edição de imagem:
http://marymiranda-fatosdefato.blogspot.com

sábado, 29 de janeiro de 2011

Crossdressers - Eles são normais II


Talvez eu não voltasse a falar desse assunto tão cedo, mas acho que o tema merece uma atenção maior de minha parte devido ao teor controverso que o próprio traz.
Eu havia escrito no diHITT o post Crossdressers - Eles são normais, e por motivos que não sei explicar, o conteúdo sumiu, restando apenas o título.
Lá eu contava a historia de um rapaz ( há dois anos e tal) que eu assisti na TV, precisamente no programa Bom dia, mulher (RedeTV!), apresentado pela até então Olga Bongiovanni, onde seu maior sofrimento era esse, já que ninguém aceitava: gostar de vestir-se de mulher, sendo heterossexual!
Bonito, músico, jovem, trabalhador, romântico, porém, afugentava as namoradas quando confessava esse seu comportamento diferente.
Tudo começou quando ele, ainda criança, encantado com as lingeries da mãe, experimentou usar sutiã, calcinha, maquiagem (sem ela saber, claro) e se olhou no espelho.
Gostou do que viu!
Achou-se atraente e pensou seriamente em se vestir assim em seus momentos sozinho.
Já adulto, o rapaz costumava sair às ruas inteiramente vestido de mulher, ouvindo cantadas masculinas, sem ceder a elas, considerando a hipótese de um relacionamento íntimo com homens, totalmente fora de questão!
Não retira nenhum pêlo de seu corpo; ele gosta de ser homem!
A sua feminilidade só aparece mesmo em dados momentos previamente escolhidos por ele próprio, o que não interfere em sua masculinidade de modo algum!
Crossdressers ('vestidos ao contrário'), para quem não sabe, é uma espécie de fetiche onde um homem tem gosto em se vestir de mulher, e mulher, de homem, sendo heterossexuais! ( A versão feminina é mais difícil de se encontrar, embora o preconceito seja o mesmo.)
Em São Paulo já há até clubes voltados para isso.
É normal reunirem-se uma vez por semana (até mais!) e conversarem assuntos masculinos, vestidos de mulher.
Nem bissexuais eles se auto-intitulam!
O contato com o sexo oposto é, realmente, algo que não pertence aos seus mundos...
Perguntado por um psicólogo, o rapaz da reportagem explicou que não entende esse seu gosto. Nem tampouco se sente anormal!
Em sua concepção, ele considera seu comportamento apenas diferente e seu sonho é encontrar uma mulher que o aceite desse jeito!
Eu, particularmente, luto contra qualquer preconceito ou pré-julgamento.
Em pesquisas que fiz, não consegui conhecer ninguém ao vivo que seja assim ( ou se algum é, não teve coragem de admitir), e pela internet, averiguei que há mais casos nesse sentido que eu poderia sequer imaginar!
Centenas e centenas de homens e mulheres que vêem no vestuário do sexo oposto, seu sentimento de 'encontro', um prazer imensurável, não explicado, nem aceito pela nossa sociedade ocidental.
Devo fazer uma pequena ressalva a certos valores que trazemos em nossos íntimos.
No teatro oriental medieval, por exemplo, era NORMAL, CERTO, OBRIGATÓRIO atores masculinos vestirem-se com trajes femininos e vice-versa, sendo o ERRADO, atores trajarem roupas concernentes aos seus gêneros...
Extendo a minha ressalva a alguns comentários edificantes que recebi no post original, que ajudaram a me elucidar sobre o tema, já que se trata de pessoas que têm esse comportamento.
É nessas horas que eu sinto aqui comigo uma constatação: seja assim ou de outro modo, são pessoas como quaisquer outras...
Pagam contas, sonham em casar, ter filhos, se alimentam, dormem, vivem!
A vida nunca é fácil para ninguém, seja crossdresser ou não.
Então só me resta dizer: crossdresser é normal!!!!


(Imagem:
http://sinfromundo.blogspot.com/2010/11/crossdressing.html)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Rua Barão de São Félix, 119


Só quem conhece bem o Rio de Janeiro pode confirmar com exatidão o quanto aquela letra do Fausto Fawcett está certíssima: "Rio 40 graus/Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos".
Apesar do extremo amor que tenho por essa terra, o Rio de vez em quando me abate...
Nessa semana tive o desprazer de ter que resolver um probleminha. Adivinhem onde?
Algo próximo à Central do Brasil!...
Para os incautos e desavisados, aquele espaço é um muquifo, um dos piores lugares que alguém pode querer ficar ou estar!
Bem longe da ideia pitoresca e até romântica que poderia transmitir o filme Central do Brasil(aliás, um grande filme, que se valeu muito pelas interpretações ímpares de Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira), aquilo parece "Terra de Ninguém".
Uma junção de vadias e sujeitos exploradores, gente correndo atônita, a espera de transportes que ultrapassam o que vier à frente e um 'roupeiro' de camelôs para todos os lados!
Para onde fui mais precisamente, o lugar era limpo e arejado, mas a chateação já havia começado na rua Venezuela, me deparando com um entra-e-sai de caminhões e seus combustíveis fedorentos, uma zoeira na cabeça com o barulho ensurdecedor de uma talvez-fábrica- que-até-hoje-não- descobri-o-que-é, a tal Moinho Fluminense.
Retornei dos meus objetivos realizados com sucesso, vindo andando a pé de lá, da Venezuela até a Central, ouvindo sempre aquele comentário assustado: "Mas é muito longe..."
É longe, mas parece que as pessoas não atentaram para duas informações:
1.0) Andar faz bem à saúde;
2.0) Existem pessoas que amam andar( eu sou uma dessas!).
E o que a rua Barão de São Félix, 119, tem a ver com o pagode?
Ai, para quê 'inventaram' uma coisa chamada 'memória afetiva'?...
Vinha eu lá do início da mencionada rua, sentindo um calor daqueles, de óculos escuros para proteger as vistas, me abanando de vez em quando para espantar a quentura e o suor.
Cansada pra danar, doida para chegar ao meu destino que era pegar o "frescão" (ônibus confortável e com ar condicionado que, apesar de bem mais caro, faz qualquer um se sentir chique!), parando para olhar a 'paisagem'.
Deus nos livre desse logradouro de miséria!
Casas literalmente em ruínas, um mal cheiro horroroso, pinturas descascadas, inspiração para filmes sorumbáticos de trash americano...
A rua Barão de São Félix é enorme!!!!
E seria a melhor rua do mundo se não fosse o descaso que o Governo dá à ela!...
Tem transporte para vários lugares, dá para se descansar no Campo do Santana ( outro que virou reduto de infratores!), dela a pessoa pode ir a pé para TODOS os prédios culturais do Centro do Rio, como: Centro Cultural da Light, CCBB, MNBA( Museu Nacional de Belas Artes), Teatro Municipal, os teatros mais populares Carlos Gomes, João Caetano e Rival, e querendo andar mais um pouco ( eu já fiz isso!), dá para seguirmos para a o Museu de Arte Moderna, um recanto de paz e cultura, contando com o mar lindo logo atrás, para nos avisar que a Cidade é Maravilhosa!
Até para quem adora uma tragédia ela é boa!
Dali viu-se de 'camarote' quando o camelódromo pegou fogo ano passado, tirando o trabalho de muita gente, vê-se brigas de prostitutas e bêbados, e acidentes de automóveis inesquecíveis de tão graves que são...
Eu ficava profanando aquela rua feia o tempo todo enquanto andava a passos rápidos, até prestar atenção na numeração.
Estava eu próxima ao número 43 ou 44, quando lembrei de 119...
Acho que todo mundo tem um tio 'garganta', que adora contar suas peripécias, e forçar piadas que não existem...
Tive um tio que perdi o contato (até agora não entendi o que ocorreu) que metido a garanhão, 'pegador' dos bons ( Nós, os sobrinhos, ríamos à beça! Aquele ali não pegava nem resfriado...), repetia até estourar nossos ouvidos:
- Mulher comigo não tem muita conversa, não! Levo logo ela para a Barão de São Félix, 119, e fica tudo certo!
De tanto repetir esse mesmo bordão, uma vez eu o antecedi:
-Já sei, tio! O senhor leva logo para a Barão de São Félix, 119, e fica tudo certo...
É claro que encontrou-se naquele momento uma risada estrondosa na sala por todos e um tio boquiaberto, que demorou para se recompor...
Pois é... O número 119 já foi cenário de 'amor furtivo'!
Era um motelzinho muito do fuleiro, que só uma mulher estando 'à deriva' para aceitar se deitar com algum homem naquele lugarejo sórdido...
Bom evidenciar também que ela já foi a sede da União dos Operários da Construção Civil (só agora descobri isso!)
Sendo fato da minha 'memória afetiva' qual não foi minha curiosidade para ver-lhe a sacada fétida e horripilante!
De frente estava eu ao número-agora carinhoso-e a surpresa explodindo às minhas vistas!
O lugarzinho de 'pecados' e 'sussurros' virara espaço para louvores e adorações!
A rua Barão de São Féilix, 119, é uma igreja pentecostal...
Por mais que eu adote todas as religiões, admito a minha decepção ao constatar-lhe a mudança.
Motelzinho barato e imundo me traz mais satisfação por lembrar-me passados engraçados pois me dão muita saudade, do que esse espaço que espera-se ser santo.
Volte, Barão de São Félix, 119, do jeito que era antes!
Afinal, você é a única 'sujeira' que me traz alguma recordação limpa...
Minha estada no Rio só valeu a pena nesse dia por causa dessa minha lembrança!...
Quem diria?!

P.S.: A propósito: pouco sei sobre esse homenageado toponímico, o tal Barão de São Felix!
Já rodei a internet inteira e não descobri nada além de que ele era discípulo de Francisco Mont Alverne num convento!...
Quem souber mais alguma coisa, por favor, me fale, que eu acrescento ao post o nome da pessoa, dando os devidos créditos!
Obrigada desde já!

(Imagem:
www.panoramio.com)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Atemporal


Pedaço de sonho no meu breu de imagens.
A esperança vestida de paz entardecida no meu olhar.
Esperar o que me vem, não parece tão louvável, quando se quer muito o que traz o infinito, a imensidão de estrelas vivas que me fazem surtir algum efeito...
Vou em frente porque é certo não sabermos querer!
Se o passo que dou é para me arrepender, outro turno eu tomo!
Falar de disparate quando se é falho?
Opto pela ignorância dos que ainda não vieram...
Peco porque sou gente, erro porque sou incapaz de reconhecer os meus erros, descaso dos meus impropérios abomináveis, mais que aquele Homem das Neves!
Ser um caminhante humano não é mais que isso, indução ao desacerto porque não há exemplo anterior!
Droga de ensaio eterno e 'ao vivo', ensaio aberto, numa peça, peça de teatro, palco-sobrevivência, desmérito de quem ainda não entendeu o jogo...
Meu desconserto é não me colocar na pele alheia, é não entender o que passa em mentes inóspitas, é não prosseguir na lei bastarda de que me faço 'melhor', se eu ignoro o semelhante...
Droga! Mantenho minha dignidade, mas perco!
Não sou ignorante, mas perco!
Sou inteligente, mas perco...
Meu tempo-espaço-tempo me força à uma humildade que não disponho, tola parca gargalhante porque venci!
Nesse palco vida-tempo não tem bis, não tem retorno, já que dispomos de um só momento, ÚNICO para reagirmos contra o erro...
Ah, bilionésimo de segundo ridículo que não calou minha boca faladeira e não me impediu blasfemar!
Por que, joça de boca faladeira, não resignou-se ao silêncio, aquele do "Em boca fechada, não entra mosca?"
O ato comunicativo, mesmo estilhaçado em mínimos pedaços, pode causar estrago...
Se digo o que não quero, aquele bilionésimo de segundo me trai, me destrói, me corrompe, na miserabilidade hipócrita de 'Palavra de rei, não volta atrás!"
Sua Majestade, troque de opinião, seja humilde o suficiente para dizer que não soube se conduzir verbalmente!...
Eu minto, ah, minto, toda vez que mantenho a palavra!
Ah, me engane e diga que o que eu achava há dez anos, ainda percurte na mente como algo verossímel!
Ah, me engane e diga que o que eu sentia diante da idade adulta era o mesmo de quando eu tinha 5 anos de idade!...
Se mantivermos nossa palavra -Palavra de rei, não volta atrás- somos tão mesquinhos que qualquer chance de evolução se faz impossibilitada de acontecer!
Manchetes nos jornais mudam, taxa de glicose alta muda, tecnologia muda, até o conceito do que é prosperar muda!
Por que não as palavras????
Que manuseio, hein, que faz você do acerto em dizer sempre a VERDADE?!
A minha verdade é a sua, é a minha mesma ou será que eu não sei como conduzir os meus méritos?
Jogo no chão minha "realeza" e me abstenho de votar!
Admito:
'SÓ SEI QUE NADA SEI!', o recorrente Sócrates nos seus momentos de não-celebridade...
Não sei o que pensar!
Não sei o que dizer...
SÓ SEI QUE NADA SEI!
Realezas das patavinas, esses 'Reis' da Inglaterra, de Voz, de Música e de Futebol...
Haha, façam-me rir!
Duvido que as suas palavrinhas 'reais' já não tomaram outro curso várias e várias vezes...
Sou imperiosa quando tenho certeza!
Ou calada para 'não entrarem as moscas'.
Aqueles que não me tomam por mentirosa, também não me gostam!
Minha sinceridade é mal recebida...
(Esses 'ataques' de majestade ainda vão me arruinar, Reino caído, espatifado em terras desconhecidas!)
Ô, Vaquinha de Presépio, ainda tem um lugarzinho aí pra mim?
Desisti de ser Rainha, e aceito o balançar monótono e 'concordino' de cabeça incansável!
'Tudo muda o tempo todo no mundo', sr. Lulu Santos, que não é santo, graças a Deus, é aquele contraditório delicioso que vira o time, a casaca, as ideias, as palavras, 'na boa'!
Se tudo muda, por que não podemos mudar de opinião?
Disse que gostava de pimenta calabresa e agora não a degusto porque me faz mal, então sou contraditória?
Gente, arremessem as flexões verbais do pretérito no saco de lixo!
Ninguém pode mudar de opinião, logo, a vivência será uma eternidade de 'hojes'...
Não se pode reclamar da monotonia; enfadonho que a folha caiu do mesmo jeito antes da meia-noite?
Piadinha sem graça, não se troca de ideia nunca! Deixemos as folhas curtirem a embriaguez de tortura contínua também!
Não quero ministrar aula de etiqueta urbana prosaica!
É sublime oferecer a face a quem nos feriu anteriormente!
Aqueles que feriram esquecem; os que receberam o tapa, amargam o infortúnio...
A dimensão de dor que alguém causa a outrem nunca deve ser medida pelo algoz causador!
Ele nunca acha que doeu tanto assim...
Todo mundo considera 'mágoa branca' aquela desferida ao seu próximo!
Não indiquei um amigo para um concurso que lhe proporcionaria vantagens?
O que que tem?
Ai, esqueci, ele vai entender!...
Não lembrei que um amigo tem uma data em seu calendário que o deixa contente?
Não tem problema, invento desculpinha insossa e idiotinha e o doce amigo irá entender!...
'Palavra de rei, não volta atrás', nem mesmo quando se é para se fazer meritório aos olhos do ofendido!
Mantenho minha realeza, e continuo na demagogia amigável!
Minha lista cheia de números, de conceituações parvas, de amigos-não-amigos, que formam fila 'num crepúsculo cinzento, não conhecendo nem a vitória nem a derrota...'(Theodore Roosevelt)
Eu estou aqui para isso?
Para me tornar número quando sou letra????
Para não pôr palavra unida à outra e formar divagações?
Para ser embuste de lista, estatística, estilística, calculista de podridão de mares ondulantes de pústulas sociais que me arrefecem o bem-viver????
NÃÃÃÃÃÃÃAO!!!!
Eu volto atrás no que idealizo!
Oh, venham imperfeições humanas!
Oi, Mundo, eu sou humana...
Cálidas mãos minhas me enchem de júbilo transitório apertando-se acima da cabeça quando meu time faz gol!
Frias mãos minhas caem desoladas quando meu time recebe o gol...
Mudo de ideia quando o momento surge; palidez de mistério, o grande mistério das noites turbulentas onde o mote é assistir filme sobre andorinhas...
O ato da comunicação deve servir apenas para o que foi concedido através dos cinco sentidos que se fazem funcionais: transmitir ideias.
E se as ideias mudam, as palavras devem acompanhar!
Não permitamos deixar no campo imaginário o que pensamos...
Existem tantos termos eufêmicos (tá, podemos aliviar os ouvidos alheios) para endignarmos sem ofender!
Que façamos o uso da comunicação como indutora de ideias!
Comunicação para sermos notados, sermos nós mesmos.
E que a palavra, sendo de PESSOA, que volte atrás toda vez que se fizer necessário...

(Imagem:
http://ciaatemporal.blogspot.com/2009/04/o-teatro-na-cia.html)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Não me conformo...


Não venho com flores na mão para espalhar por quem passar por mim.
No meu peito só há vazio e revolta!
Não há pedido de tolerância por quem me provoca as lágrimas, essas que parecem não ter mais fim...
NÃO ME CONFORMO!
Não me conformo que a vida humana seja tratada como roleta-russa, onde um giro ao acaso e pessoas morrem, como indigentes, como lixo, como lama misturada e suja na vala dos inescrupulosos!
Um giro e todos nós morremos juntos, nos compadecendo com os irmãos que sofrem...
Escolher localidades onde vai ser investido o dinheiro?
Milhões que 'voam' , enquanto nós nem lhes vimos as asas...
Será (que eternidade maldita!) que todo mês de janeiro, todo ano, toda a vida, sempre, SEMPRE, vamos ter que ligar nossos televisores, rádios, abrir nossos jornais, acessar a internet, conversar com os amigos e saber, sempre, SEMPRE, que há SERES HUMANOS morrendo por causa da cretinice, do verbo 'surrupiar enquanto podem' o dinheiro dos cofres públicos que era para ser usado em benefício da população?
Miseráveis! Ainda colocam a culpa no aquecimento global, nas chuvas, nos rios; miseráveis, vocês vão pagar com moeda forte, bem mais forte que o atual e cobiçado Euro!
Não me conformo...
E nem peçam ternura e muito menos, tolerância!
Estou doendo por dentro, desde ontem, desde há muito tempo, porque sempre sei que SERES HUMANOS, que não são números, são catalogados em estatísticas dispensáveis e humilhantes, todo mês de janeiro, todo ano, por toda a vida...
Há uma mídia forçosa para o relato de dor!
Esse jornalismo nefasto, essa política sanguessuga, gosta do 'Vale de Lágrimas' que surge nesse período!
Juntam as lágrimas com as águas das chuvas, para derrubarem mais barrancos, ter mais gente sofrendo, o ciclo infindável: mais chuva, mais choro, mais desgraça, e mais choro -MAIS IBOPE, logo, MAIS DINHEIRO, para os fétidos bolsinhos deles!...
Párem, seus pulhas miseráveis, de culparem a natureza!
Ela só toma o curso que lhe foi dado e do qual ela tem todo o direito!
Se políticos malfadados não conseguem enxergar que TUDO o que fazemos tem consequências devido à lei imutável de 'causa e efeito', só tenho que gargalhar vitoriosa!
Um dia eles verão que o dinheiro que desviam, tem cheiro de sangue humano e como SERES HUMANOS NÃO SÃO NÚMEROS, aquele vil metal escomungado se voltará contra eles, esses canalhas; a vida humana tem um preço, é bem caro e cobra com juros altos!
Não me conformo...
E nem quero me conformar!
As vidas que se foram não voltarão, mas podemos impedir que outras se vão!
Ou, então, as que ficaram após o caos, perdendo seus entes queridos, destroçadas na alma e no corpo, juntem os cacos de esperança que ainda sobraram e façam valer os seus direitos!
Usem a linguagem dos inescrupulosos ambiciosos, sedentos de sangue, para arrancar dinheiro: peçam INDENIZAÇÃO!
Mexam nos imundos bolsos desses pérfidos; não os deixem sair impunes!
Dinheiro que é de direito, nunca chega sujo às mãos!
Ele pega um tanto das águas limpas das chuvas de janeiro, se lava, reverenciando a paz de espírito pelo dever cumprido.
Proporcionem às pessoas que amam e que se foram, uma sensação de justiça feita.
Se temos que 'Dar a César o que é de César', que recebamos como ser humano, o que é do ser humano:
DIGNIDADE E RESPEITO AO PRÓXIMO!

(Dedico esse post a todos que tiveram suas vidas abaladas devido às tragédias que poderiam ter sido evitadas no período das chuvas , que ocorreram no Brasil nesses últimos dias. Deixo-o em forma de minha mais sincera condolência e solidariedade. Perdoem, meus irmãos, mas não tenho palavra de afeto, nem de conforto, para proporcionar-lhes! No meu coração, que chora junto aos de vocês, só traz essa dor e uma vontade muito grande de gritar o meu inconformismo aos quatro ventos!)

(Imagem:
http://mensagens.amaneira.com/lagrimas.html)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sol e chuva, casamento de viúva


Gota à gota, um traçado de pingos e raios formou-se naquele quintal vespertino.
As folhas chamuscadas de luz e encharcadas de lágrimas celestes.
Vi o território de pés descuidados cheio da água límpida e brincalhona, voluptuosa, sem o decoro coerente à chuva de verão comum.
Fascinante aquela água traduzida em Sol, um canto harmônico sobre os frutos em formação!...
Ah, que delícia seu frescor arrancado do chão ainda acre do calor do dia!
Que liberdade de expressão em poucas palavras!
Um quê de ternura e parcimônia, ao mesmo tempo que esbanjava beleza e ardor!
Quem nunca se emocionou ao descortinar sua janela e avistar o encontro amoroso do Sol e a chuva, o casal risonho que molha os anseios e seca as amarguras?
Os pássaros, quando se recolhem, não imaginam essa proeza que o céu tinha na sua cartola natural para fazer a mágica.
Os bem-te-vis ficam tinindo de frustração porque a Mãe Natureza roubou-lhes o legado do dia, de serem os mais falados e argumentados, com seus debochados cumprimentos: "Aham, bem te vi!"...
Já era!...
Sol e chuva pegaram emprestadas as pipas dos fios dos postes e fizeram um balanço cordial com os fluxos tilintantes do começo do despertar da luz elétrica.
Umas cigarras metidas tentaram entrar na roda mas, preocupadas com a própria sobrevivência, seu canto de acasalamento teve que se resguardar para outra ocasião...
Nunca tinha ouvido tantas crianças gritando de frêmito por uma chuva!
"Ah, mãe, 'tá chovendo, 'tá chovendo!...", alardeavam pelo megafone pueril.
Um corre para guardar as roupas da corda.
Um corre para botar os chinelos na sala.
Um corre para ver se o cachorro tinha entrado na casa.
Um corre para a fresta da janela...
E um vozerio másculo, em bando, avisando o que todos já sabiam:
"Olha ela aí, rapá! Não é que ela veio mesmo?", entremeando as frases com uma risada gostosa, mais delirante que, ao invés de chuva, fossem suas namoradas chegando...
Porque ela não era uma chuva.
Era "Sol e chuva, casamento de viúva"!
A viúva que me perdoe, mas ela é apenas fosco objeto de rima, porque as estrelas que brilham de verdade são o Astro-Rei e sua namorada, a repentina Chuva, que mesmo às vezes fazendo seus estragos, tem no companheiro caloroso sua redenção de qualquer dor causada.
Que paradoxo biruta, de vermos lógica em quente/frio se misturando!
A partir de hoje vou pingar sopa fervendo no sorvete!
"Kibom!", alguém vai gritar!...
Brincadeira imbecil porque existem casamentos que não funcionam...
Mas Sol e chuva é casamento que funciona, sim, porque, apesar de opostos, se casaram por amor!
Se ambos fossem gente, fico delirando e idealizando seu diálogo:
"Amor", diria a Chuva, "faz um chazinho pra mim! Estou com um frio danado..."
Ele, o Sol, romântico, amoroso e prestativo, diria:
" 'Tá bem, amor!"
Só que ele tem suas cálidas fantasias, e pediria à ela, após vê-la aquecida em seus braços:
"Querida, dá pra partilharmos agora uma cervejinha?", com um beijo quente estalando na boca sedenta da amada.
E ela, mais acalorada pelos braços vigorosamente masculinos do marido:
"Hum, até que não seria má ideia..."
Assim viveriam felizes para sempre, qual nos contos-de-fada, sabendo respeitar as diferenças de gosto que cada um tem.
Não sei por que mas sempre tenho um sentimento de explosiva diversão quando os dois se encontram!
Parece que ambos querem nos ver tangidos no bom-senso, algo de espetacular sutileza ecoando na razão: "Eis a contradição que pode ser normal!", o cérebro em desalinho, responde.
Toda vez, toda vez, eu páro os meus momentos de paz para devanear Sol e chuva!
A cançãozinha ribombando enfadonhamente alegre na cachola: 'Sol e chuva, casamento de viúva; chuva e Sol, casamento de espanhol!"
Uma reverberação que se forma na gotícula do flamboyant é para alertar que água é incolor, mas traz todas as cores!
Revelação para os distraídos, que pensam que a vida é absoluta, quando é relativa, qual um grão de arroz ser apenas resto de comida no prato humano e banquete de dias para as formiguinhas que correm desarvoradas sobre a mesa onde 'cataram' o mesmo alimento branco...
Às vezes acho que essa molecagem que o imprevisto nos prega é para sabermos da indigência com que tratamos os nossos afazeres, nosso viver, nosso estar aqui, qual cavalos com sua 'viseira', olhando para um lado só!...
Eu poderia ter saído mais cedo para comprar umas coisinhas, mas deixei pra depois!
-Não vai chover hoje! Com esse Sol!...
E ele, o Quinta Grandeza lá em cima, 'zoando', chamou a amada para curtirem com a minha cara!
- Aninha é muito mais alta que o namorado,- alguém pode dizer em algum lugar nesse Planeta - não vão formar um bom par...
E Aninha e o namorado se casam, tem filhos, e nunca se viu casal mais lindo e entendido entre si!
Osvaldo mora perto do trabalho, não precisa pegar transporte e se encontrava insatisfeito; esse trabalhador agora pega dois ônibus, tem que inteirar a passagem e o sorriso está estampado em cada canto da boca!
Venham contrastes, venham imprevistos, venham porque vocês também são amados e aceitos!...
Assim, gota à gota ligada, encerrou minha tarde chuvosa-solar.
A noite vinha, me entreguei ao cansaço do dia.
Fui tomar banho, e ler Seleções.
Numa outra oportunidade eles vêm, o Casal Maravilha, e mais uma vez gastarei meu tempo me 'preocupando' com seu vitorioso enlace.
Entregue às coisas do tempo, faço-me refém do ambiente que a natureza me transmite!
Sol e chuva, aquele do casamento de viúva, são a melhor resposta para meu desconserto, e se 'roubam' a minha paz, entorpecendo minhas ideias momentaneamente, trazem a fantasia e o sonho de uma vida inteira!
Eu me rendo!...

P.S.: Esse encontro Sol/Chuva ocorreu na bela tarde de 6 de janeiro de 2011.


(Imagem:
http://danielalabarce.blogspot.com)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Com passo, compensa!

No passo, desfaço,
No passo, disfarço,
No passo, tropeço;
No passo, 'tropaço'...

Passo Universo,
É passo de espaço;
Se passo, trapaço,
Se danço, compasso...

Faço que faço pra ver se passo,
Sem pressa, com um só traço,
Passo, passado:
Passa, passado!
Passo sem laço...


Passo-enlace, passo, enlaço;
Passo-sapato, ando com braço...
Passo na fumaça do maço, do macho, do Masso...
Passo a ferro, sem amasso;
Galináceo, não asso, passo!
Se o passo é em Volta, Cidade do Aço!...


Saio passando, saio 'passada', perco o passo;
Saio pisando, saio ponderando, saio do passado;
Passa boi, passa boiada, passo os dias 'corujando',
Passa o tempo, passatempo, passo passeando...
Se passo, não lavo, mas se eu lavo, passo!

Passo pensando, passo pousando, passo passando...
Danço, canso, passo!
Como, bebo, embaraço!
No próximo passo,
Refaço!

Assim-assado, frango mal-passado.
Assim-assado, meu casaco passo.
Passo mal, mas bem passo!
Passo 'down', mas não 'embaço'!


Passo-pássaro: sanhaço!
Passo-passe : golaço!
Passo-posse: palácio!
Passatempo: Palhaço...


Passo professora,
Passo passageira,
Passo prazenteira...
Passo!...

Peço que passe, pessoa!
Passe perseverando no passo-peça:
Licença pra passear,
Licença pra pensar,
Licença pra passar...

Mas...
Passo que é passo,
Não pára, não passa.
Passa pra trás, sim, o passado,
O futuro que sempre passa,
Sem licença, sem consciência, passa, passa...
Na pressa ou na praça:
Passa!
Vem a prazo, na graça ou de graça:
Passa!
Sabendo disso, passo;
Sabendo daquilo, cansaço...

O passo é sempre à frente:
Passo!
Que atrás, vem gente:
Que passo!...

(Imagem:
http://estudio2002.blogspot.com/2009/09/unesco-declara-o-tango-patrimonio.html)
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