PARA QUEM AMA GATOS

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Rua Barão de São Félix, 119


Só quem conhece bem o Rio de Janeiro pode confirmar com exatidão o quanto aquela letra do Fausto Fawcett está certíssima: "Rio 40 graus/Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos".
Apesar do extremo amor que tenho por essa terra, o Rio de vez em quando me abate...
Nessa semana tive o desprazer de ter que resolver um probleminha. Adivinhem onde?
Algo próximo à Central do Brasil!...
Para os incautos e desavisados, aquele espaço é um muquifo, um dos piores lugares que alguém pode querer ficar ou estar!
Bem longe da ideia pitoresca e até romântica que poderia transmitir o filme Central do Brasil(aliás, um grande filme, que se valeu muito pelas interpretações ímpares de Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira), aquilo parece "Terra de Ninguém".
Uma junção de vadias e sujeitos exploradores, gente correndo atônita, a espera de transportes que ultrapassam o que vier à frente e um 'roupeiro' de camelôs para todos os lados!
Para onde fui mais precisamente, o lugar era limpo e arejado, mas a chateação já havia começado na rua Venezuela, me deparando com um entra-e-sai de caminhões e seus combustíveis fedorentos, uma zoeira na cabeça com o barulho ensurdecedor de uma talvez-fábrica- que-até-hoje-não- descobri-o-que-é, a tal Moinho Fluminense.
Retornei dos meus objetivos realizados com sucesso, vindo andando a pé de lá, da Venezuela até a Central, ouvindo sempre aquele comentário assustado: "Mas é muito longe..."
É longe, mas parece que as pessoas não atentaram para duas informações:
1.0) Andar faz bem à saúde;
2.0) Existem pessoas que amam andar( eu sou uma dessas!).
E o que a rua Barão de São Félix, 119, tem a ver com o pagode?
Ai, para quê 'inventaram' uma coisa chamada 'memória afetiva'?...
Vinha eu lá do início da mencionada rua, sentindo um calor daqueles, de óculos escuros para proteger as vistas, me abanando de vez em quando para espantar a quentura e o suor.
Cansada pra danar, doida para chegar ao meu destino que era pegar o "frescão" (ônibus confortável e com ar condicionado que, apesar de bem mais caro, faz qualquer um se sentir chique!), parando para olhar a 'paisagem'.
Deus nos livre desse logradouro de miséria!
Casas literalmente em ruínas, um mal cheiro horroroso, pinturas descascadas, inspiração para filmes sorumbáticos de trash americano...
A rua Barão de São Félix é enorme!!!!
E seria a melhor rua do mundo se não fosse o descaso que o Governo dá à ela!...
Tem transporte para vários lugares, dá para se descansar no Campo do Santana ( outro que virou reduto de infratores!), dela a pessoa pode ir a pé para TODOS os prédios culturais do Centro do Rio, como: Centro Cultural da Light, CCBB, MNBA( Museu Nacional de Belas Artes), Teatro Municipal, os teatros mais populares Carlos Gomes, João Caetano e Rival, e querendo andar mais um pouco ( eu já fiz isso!), dá para seguirmos para a o Museu de Arte Moderna, um recanto de paz e cultura, contando com o mar lindo logo atrás, para nos avisar que a Cidade é Maravilhosa!
Até para quem adora uma tragédia ela é boa!
Dali viu-se de 'camarote' quando o camelódromo pegou fogo ano passado, tirando o trabalho de muita gente, vê-se brigas de prostitutas e bêbados, e acidentes de automóveis inesquecíveis de tão graves que são...
Eu ficava profanando aquela rua feia o tempo todo enquanto andava a passos rápidos, até prestar atenção na numeração.
Estava eu próxima ao número 43 ou 44, quando lembrei de 119...
Acho que todo mundo tem um tio 'garganta', que adora contar suas peripécias, e forçar piadas que não existem...
Tive um tio que perdi o contato (até agora não entendi o que ocorreu) que metido a garanhão, 'pegador' dos bons ( Nós, os sobrinhos, ríamos à beça! Aquele ali não pegava nem resfriado...), repetia até estourar nossos ouvidos:
- Mulher comigo não tem muita conversa, não! Levo logo ela para a Barão de São Félix, 119, e fica tudo certo!
De tanto repetir esse mesmo bordão, uma vez eu o antecedi:
-Já sei, tio! O senhor leva logo para a Barão de São Félix, 119, e fica tudo certo...
É claro que encontrou-se naquele momento uma risada estrondosa na sala por todos e um tio boquiaberto, que demorou para se recompor...
Pois é... O número 119 já foi cenário de 'amor furtivo'!
Era um motelzinho muito do fuleiro, que só uma mulher estando 'à deriva' para aceitar se deitar com algum homem naquele lugarejo sórdido...
Bom evidenciar também que ela já foi a sede da União dos Operários da Construção Civil (só agora descobri isso!)
Sendo fato da minha 'memória afetiva' qual não foi minha curiosidade para ver-lhe a sacada fétida e horripilante!
De frente estava eu ao número-agora carinhoso-e a surpresa explodindo às minhas vistas!
O lugarzinho de 'pecados' e 'sussurros' virara espaço para louvores e adorações!
A rua Barão de São Féilix, 119, é uma igreja pentecostal...
Por mais que eu adote todas as religiões, admito a minha decepção ao constatar-lhe a mudança.
Motelzinho barato e imundo me traz mais satisfação por lembrar-me passados engraçados pois me dão muita saudade, do que esse espaço que espera-se ser santo.
Volte, Barão de São Félix, 119, do jeito que era antes!
Afinal, você é a única 'sujeira' que me traz alguma recordação limpa...
Minha estada no Rio só valeu a pena nesse dia por causa dessa minha lembrança!...
Quem diria?!

P.S.: A propósito: pouco sei sobre esse homenageado toponímico, o tal Barão de São Felix!
Já rodei a internet inteira e não descobri nada além de que ele era discípulo de Francisco Mont Alverne num convento!...
Quem souber mais alguma coisa, por favor, me fale, que eu acrescento ao post o nome da pessoa, dando os devidos créditos!
Obrigada desde já!

(Imagem:
www.panoramio.com)

10 comentários:

Principe Encantado disse...

Sua descrição esta corretíssima quando a localidade, seu texto é divino amiga Deus abençoe suas mãos para que possamos sempre ter leituras tão interessantes como esta.
Show de Bola na Barão de São Felix 119.
Abraços forte

Mary Miranda disse...

Oi, Príncipe querido!

Ah, então você conhece o Rio, né? rsrs
Poxa, tenho maior curiosidade em saber mais detalhes sobre esse Barão de São Félix...
Obrigada, amigo, pelo elogio!
Você é daqueles que moram no meu coração!

Um abração pra você da Mary:)

CLAUDIA disse...

Linda Mary!
Querida,seu espaço para mim,é como estar bem pertinho de você.
Sabe que você conseguiu fazer eu rir?
Seu texto é indiscutível,apesar de não conhecer essa rua no RJ,conheço o centro,mas tenho que confessar que realmente é um sufoco,me sinto tonta quando vou ao RJ.
Gostei muito da parte do seu tio,eu tenho um também parecido com o seu,toda a família acha ele divertido.
Como sempre seus textos são maravilhosos,parabéns amiga.
Adoro você menina.
Bjos em seu coração com cheirinho de Jasmin.

Mary Miranda disse...

Mas a intenção foi essa, Cacau, meu doce: fazer rir: rsrsrs

Eu andava muito 'underground' nos escritos (só nos escritos, não no dia-a-dia) e precisava dar uma relaxada literal...
Mas essa foi engraçada, ahn?
Tio falastrão, que quer passar por 'Eu sou o bom!', tem em toda família, acredito...
Lembro que às vezes ele torrava nossa paciência com a mentirada dele (sabíamos que não passavam de 'causos'!), mas admito que hoje em dia até sinto saudades!...

Beijos, querida, e obrigada por estar aqui comentando e me colocando pra cima!
Também te adoro!!!!

Mary:)

vidarealdasam disse...

Olá minha querida Musa da escrita !!

Mais um texto maravilhoso que nos envolve e descreve com uma exatidão palpável, assim fazendo com que tudo tomasse forma na minha imaginação !
Adorei saber mais sobre esta região e me diverti com as histórias do seu tio e com os termos incríveis que você usa e torna seus textos tão atraentes e deliciosos !!
Aproveito para dizer que fiz a postagem-desafio sobre meus pets e devo postá-la amanhã ou terça, acho que você vai gostar !
Agradeço muito por ter me sugerido o tema, pois precisava mesmo de algo descontraído e alegre para compartilhar com vocês ! Foi muito gostoso escrever sobre isso !
Mil beijocas e que sua semana seja maravilhosa !

Mary Miranda disse...

Olá, Menina Sorriso, minha doce amiga!

Já começo agradecendo: obrigada, minha querida!
Ah, meu tio é uma figuraça!!!!
Fala umas coisas às vezes sérias, mas quem o leva a sério? rsrs
Esse meu post foi pra dar uma alegrada no blog, que andava muito emblemático, cheio de discursos filosóficos... ( Mas, logo, logo, vou postar algo bem intimista. Aguarde! E eu resisto? rsrs)
Esse post seu dos pets espero com ansiedade!
Espero ser a primeira a comentar!
Será que consigo dessa vez, eu que chego sempre attrasada no seu blog? rs

Beijos, minha flor!
Dessa que te adora,
Mary:)

joselito bortolotto disse...

Grande Mary, depois de toda esta incursão urbana e dos perrengues passados você é minha heroina ...rsrsrs

Mary Miranda disse...

Oi, Joselito! Tudo bom?

Quem me dera ser uma heroína! rsrs
Estava tão cansada nesse dia, que a coisa mais legal que aconteceu foi avistar a 119 na Barão de São Félix...
(Como as coisas estavam bem brabas! rsrs)

Abração da Mary pra você! :)

Ebrael disse...

Mary, eis uma crônica de respeito que, embora me fale de um lugar desconhecido pra mim, me prendeu até o final, tamanha a variedade de fatos!

Sobre o muquiifo do n. 119, me lembrei do Zeca Baleiro em "Detesto Coca Light":

- Da boate fazem igreja e da igreja fazem boate...kkkk

Bjs!

Mary Miranda disse...

Olá, Ebrael!

Não poderia deixar de constatar a sua honrada presença aqui, que já se fazia infrequente há tanto tempo!
Como está, amigo?
Zeca Baleiro é sempre bem-vindo em qualquer citação musical, não? rsrs
Essa dele não conhecia, mas coube perfeitamente no contexto do post!
É a sensação que tenho quando passo perto de certas instituições que se dizem religiosas! rsrs

Um abração, amigo!
Bom te ver!!!!

Mary:)