PARA QUEM AMA GATOS

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domingo, 6 de março de 2011

Muro de Berlim


Descortinando mistérios de pútrida escolha dentre toadas de esmaecimento fugaz, trago em mim vexames íntegros em esfera singular...
Parede concretista, saia rodada da imparcialidade, escondo aqui, ou deveras ser eu uma vagueadora vagabunda expondo o que é infético fazer?!...
Tomates verdes espalham-se para vermelhos e, fritos, deixam de ser imaturos!
Indecência de costume esse, todos nós absorvendo miséria, legado de traquejo infundado em socialitè deplorável, com guardanapos sobre mesas ou coxas, encoxadas por debaixo dos panos...
Vergonha vermicida a de rapapés indecorosos, falsos lapsos de recolhimento ultrajante, passo de inefável ardor por obscuridade; não abro a boca, contraponho o imaginário...
Querência de rasgar o verbo, a roupa, o desmantelo, desuso do perfurante frescor da manhã, retirando trajes de dormir para panecos-aparência, o convir com o ambiente de sondagem questionável...
O cartão telefônico quebrado inteiro em orelhões insensatos; escondidinho, dando uma "fugidinha" em entradas exibidas!
Salário minimamente solúvel para despesas caras-de-pau, um óleo de peroba para amainar a rudeza, temos que manter o brilho...
Espeto de pau na casa do ferreiro e a velha guarda de sons inconfundíveis, rangidos indecorosos exibicionistas, equilibristas, bairristas, cronistas, ai, lembrei de inseticida...
Pernas pro alto! Baratas caindo por todo o lado: "Cento e cinquenta com muito carinho/Vai ter que me dar um pedacinho de.../ Baygon, Baygon, Baygon, Baygon, BAY-GON(?)!..."
'Cardápio' ardiloso...
Pesco a captação da mensagem, honorável Quem!
Visto de preto para aqueles que vitimaram o porvir!
Saindo de um arremedo de favor, esquento a barriga no fogão e não a esfrio no tanque, máquinas, quebrantes de tecido, lixívia deteriorante, detentora de buracos no tecido , expondo obcenidades...
Vestido acima do joelho: - Que assanhadinha!
Biquíni cavadão na praia: - Que lindo! Onde você comprou?
Vergonha é roubar...
Vergonha é roubar e não levar!
Pára! Pára tudo!
Não sou ladra; levo o que adquiri com o suor do meu trabalho, suor que trato de lavá-lo com sabonete (VERGONHA!) , a água que escorre pelo mundo afora para o desespero dos omissos!
Pratos limpos: não se pede almoço na casa em que se chega!
Sorteio de cesta básica: - Ganhei! Ganhei!, danças de vitória de time, o Brasil ganhou a Copa que ainda não veio...
Nasço nua e me visto pelada, corro algemas de incertas carências falastronas, do tudo é imensamente escaldante em terras de destino caloroso; um short que embarrera o básico, o sol que mostre o resto!
Calados! Hospital tem idosos e gestantes!
Qual é? O carro não cortou o 'jegue' da Av. Brasil? Gritos para surdo ouvir!...
Pecado dengoso, uma vastidão de calamidades à mostra!...
Vergonha de poder, vergonha de ser rico, o alcance do pobrismo; não se paga com notas de cem!
Acaso eu sou veterana de mesquinhez da fortaleza séria de peregrinação auto-suficiente, expositora de bel-prato fornecedor? Minha salada ainda é verde...
Perdão por me emocionar com os sentimentalismos dramáticos, lágrimas escorredoras de lagos oculares...
Espatifo sorrisos abertos monstruosos debochados do riso fácil, subversivo e mal: sem licença para matar, morro de rir, na cara!
Para aqui e acolá somos todos os fornicadores de noite, lascivos pensamentos por trás de portas, cortinas, descortinadas talvez pela modernidade de um piripaque de intensas profundidades para a sinceridade, indevidas e intrépidas, rasteiras sondas deduzidas por brechas em fechaduras...
Batinas sócias de fantasias: delírio de quem gosta do que está por baixo...
Parasitando para fora de senso crítico volúvel, a textura dos objetos calcados não mostra o valor, abstraída que se colocara na periférica sutileza dos dissabores; ter valor coisifica a inesquecível Inês: quem dá mais? Leilão de gente...
Privo e imploro para desenredar o óbvio, máscaras de favores, sem tato para o cotidiano porque ninguém acredita sem ver, São Tomé não está no Céu com seus anjos parentes...
Mas os abstratos chafurdam com a questão de órgão da visão, fazendo-nos sentir desavergonhadamente o que sentimos, escorregando da órbita de uns redondos abaixo das sobrancelhas!
Parelha a isso, temos um jato de pregadores rurais, enfornando num círculo desigual a família sonora, uma igreja que toca dia e noite, vigílias sibilantes, sem medo de acusações de quebra do silêncio noturno!
Explosão! BUM! Meus ouvidos que acordaram desatentos...
Um tinido, um bramido de 'piolhos' musicais em carros mega bytes de potência...
Isso às 8, de uma manhã-feriadão, que insistem em dizer que é para se ser depravado!...
Alguém saiu de algum motel com o marido de... quem?
Quero dar uma 'fugidinha' com... quem?
Deviam reinventar esses funks... Saudosa de atemporal Rappers Delight!
As mãos são mecanismos do corpo estranhamente indecifráveis!
Paguei mico lançando ao rosto umas palmas lépidas recordistas, e se a dança é sem-vergonha, as palmas dão uma puxadinha repentina e sexy na saia, que insiste em vir à tona, mas as mãos logo desistem...
Alçando alguns anos, sutiã tinha alça invisível e agora é troca de dicas...
Firmamento de estrelas era para a poesia, mas shoppings abertos se desnudam vigorantes...
Atravessar enviesado pode parecer descomunal se os tempos são outros e tijolo a tijolo qualquer fato esparrama pela grama...
Construção em decorrentes voltas birrentas, falanges embrionárias da melancia na cabeça!
Famílias discordantes; pois a panela vertical de cultura nunca se retrai ou enche!
Iguais e tapados, reais num solistício outonal!
Atrás daquele muro ninguém espera; ele não prospera mais...
Você tem medo de quê?
Você tem vergonha de quê?...
Palidez de medo da crítica invasora:
Sereno é aquele que diante de passar vicissitudes de perda, esquece o pano do apego e se refaz na vitória, obscura, crua, tampada, mas sua!...



(Imagem:
http://kenjisama.blog126.fc2.com/blog-entry-49.html
Edição de imagem:
http://marymiranda-fatosdefato.blogspot.com )

10 comentários:

ebraelshaddai disse...

Mary minha!

Conteúdo forte e pungente! falar do absurdo e do surreal requer mesmo palavras calcitrantes! kkkk

Para além das aparências e dos muros-máscara de nossa personalidade forjada e alienada se descortina o que? Apenas, a máscara que resguarda os fundilhos da máscara...

Nesse baile interminábel e burlesco de Arlequins e Pierrots em que se tornou a realidade (??) de nossas sociedades (deploráveis elas são!), a impressão que me fica é que, mesmo retirando toda a maquilagem com cuidado exemplar e caridoso, ainda nos arderiam os olhos da Consciência.

Nu, todo ser humano é igual! Vestidos, as roupas andam sozinhas, pois o ser humano é abduzido pela maré de ilusões...

Ficou bom?? kkkkkk

Bjs!

CLAUDIA disse...

Olá Mary menina!
Querida meu coração palpitou de acordo que ia lendo, que fortaleza essa sua postagem, ufffa!
Como dizia uma velha música que muitos dizem brega,aparências nada mais sustentaram nossas vidas...
Sereno é aquele que diante de passar vicissitudes de perda, esquece o pano do apego e se refaz na vitória, obscura, crua, tampada, mas sua!...
Nossa Mary,você se supera cada vez mais,foi essa visão que tive de viver e estar com tantas pessoas que perdem,que caem,mas que levantam,mais fortes e dignos que somos falhos,mas somos capazes de mudar a qualquer hora e que não é vergonha perder mas sim ficar preso num lodo de ilusões.
Seu texto maravilhoso bilhões de vezes,você merece um Oscar da verdade sublime contida em seu texto.
Parabéns por mais essa obra prima.
Te adoro menina-mulher!
Bjos em seu coração com cheirinho de Jasmin.

Fatima Zanin disse...

Olá amiga Mary,mais um exelente artigo, gostei.
Beijo.

Jackie Freitas disse...

Olá Alteza!!! Salve, minha rainha, minha amiga e escritora admirável, notável, notada e apreciada!
Quanta força nesse seu texto! Enquanto lia, uma música começou a tocar em minha mente: "...Brasil, mostra a sua cara...".
E quando se fala em verdades ( e não necessariamente a verdade), quantos não se escondem em suas hipocrisias? Parece que tudo é feito meticulosamente para programar e iludir falsas verdades... E no final o que vale é o que pesa ou o que pesa é o quanto vale? Povo permissivo, vendável e vendido... Não sei exatamente se está no contexto do seu belo texto, minha amiga, mas estou com vontade de colocar isso para fora!
Bem...meu marido acha melhor eu parar por aqui...kkkkkk...diz ele que estou ácida demais hoje! hahaha
Grande beijo,
Parabéns, parabéns!!!
Jackie

Mary Miranda disse...

Olá, Ebrael!


Que espetáculo de comentário esse seu, nem sei o que dizer!...
Vão acabar achando que odeio a sociedade já que, escreveu, não leu, eu a cutuco de alguma forma... rsrsrs
Essas máscaras as quais você citou, como as de Carnaval, por exemplo, são impraticáveis quando se trata de se estabelecer a nu, mostrando quem você é, embora sejam necessárias para delimitar - vamos dizer assim- uma tribo, uma ideologia (as pessoas têm sede de ideologia! Diria Cazuza: EU QUERO UMA PRA VIVER!)...
Gosto da vida social, só que não tolero as parcialidades que ela nos traz, como o vestido ser curto demais porque está acima do joelho, e os biquínis cavadões serem a coisa mais decente, e até morais, numa praia!
Essa parte do seu comentário - Nu, todo ser humano é igual! Vestidos, as roupas andam sozinhas, pois o ser humano é abduzido pela maré de ilusões... - frase digna de estátua!
A nudez é uma falta de decoro porque nos abre demais para o nosso Quem interior...
E o certo é preservamos esse Quem e só abri-lo para o amor, que deve ser nu e puro, sempre, em qual aspecto for...
Você me perguntou se FICOU BOM, e te falo que FICOU ÓTIMO pois não existe resposta pronta pra nada...

Um abração da Mary pra você! :)

Mary Miranda disse...

Olá, Cacau, querida, um Doce Chocolate!

Confesso, sem modéstia, que meu texto foi bem escrito, mas o que seria dele sem comentários tais como o seu, de grande entendimento e acréscimo ao post?
Passagem como essa - mas somos capazes de mudar a qualquer hora e que não é vergonha perder mas sim ficar preso num lodo de ilusões- se você parasse por aí seu comentário, ainda assim ficaria completo!
Não há vergonha alguma em se defender teses, vertentes, verdades!
Vergonha é não sair do lodo social, numa rotina infeliz e troca de valores que não entendemos como ou onde a coisa vai parar...
Obrigada por sua estada tão valiosa aqui!

Beijos,
Mary:)

Mary Miranda disse...

Olá, Fátima!

Ótima sua presença, amiga!
Bom demais por você ter gostado!

Beijos,
Mary:)

Mary Miranda disse...

Olá, Jackie, a Fênix, minha amiga, fabulosa, maravilhosa e querida!

Sempre quero inovar com alguns adjetivos, mas o MARAVILHOSA é o que melhor te define, minha amiga!
Povo vendido, sociedade vendida...
É duro encontrar a nudez da verdade em nossa sociedade, Jackie, pois a importância que dão é à nudez das vestes!
Hipocrisia... Nossa! É um termo recorrente para esmiuçar os preceitos e conceitos de moral onde vivemos, não só em nosso País, mas no Mundo!
Esse BRASIL, MOSTRA A TUA CARA como você sabiamente mencionou, pode ir, por extensão, ao Planeta e seus afins!
Já reparou, amiga, que as pessoas têm mais vergonha de fazerem o correto, do que exporem suas inadequações como, por exemplo, quebrarem telefones públicos ou sujarem as calçadas?
Se elas se emocionam por motivos dignos, lascam logo as mãos no rosto e pedem desculpas por terem sido humanas, simples assim!
Não achei que você foi amarga em seu comentário! (Por que seu marido disse isso?)
Sua sinceridade explodiu de forma espontânea e muito bem-vida a esse post !
Só tenho mais a te dizer é o meu OBRIGADA e será redundância dizer que seus comentários são sempre BEM-VINDOS, CONSISTENTES E QUE SÓ ACRESCENTAM AO POST????

Beijos, Fênix vitoriosa!
Mary:)

Ademar disse...

Noooossssaaaaa! Fiquei sem palavras, que critiva feroz,cheia de intertextos e hiper sofisticada, confesso tive que ler mais de uma vez para tentar captar toda a maestria de suas palavras e ainda acho que foi insuficiente! Terei que me acostumar com tua escrita, que é bastante forte e rica, e com certeza vai me enriquecer, tenho muito a aprender aqui!
Um afetuoso abraço Mary.

Mary Miranda disse...

Olá, Ademar ! Tudo bom?

É como eu falei num dos comentários: de tanto que falo mal da socidade, vão acabar achando que eu a odeio... rsrsrs
A sociedade tem seus parâmetros absurdos, mas não a odeio, só discordo de muita coisa!
De vez em quando me vem essa maneira mais solta de escrita, uma espécie de falta de compromisso com a razão, e eu tenho aprendido a gostar disso, a ousar mais e ficar mais verossímel com meu sentimento diante dos fatos.
É com grande contentamento que recebo tão elogiosas palavras suas, mas devo te alertar que estamos todos aprendendo uns com os outros.
Essa troca de sabedoria entre nós todos, é que nos faz crescer mais e viver melhor, tendo consciência que ninguém nasce pronto; o aperfeiçomento se faz necessário!
Muito obrigada pelo comentário!

Um forte abraço,
Mary :)