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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Império e Boogie Oogie: novelas com cara de novela!



Sou uma noveleira típica, daquelas que quando se aproxima o horário dos folhetins favoritos, agilizo o que estou fazendo para dar tempo de assisti-los sem interrupção. Para tal, se eu estiver na rua (algo costumeiro em minha vida ultimamente), apelo para celular ou GPS com TV.
Embora me descrevendo como a criatura acima - "noveleira típica" -, creio que as globais (as únicas que assisto), andam meio "aleatórias", como numa roleta russa, onde nunca sabemos em quais apostar para ver até o final.
É que de uns tempos para cá, quase sempre um personagem ou outro que salva a novela e não o enredo em si. E uma vez escolhido o personagem "salvador", os outros ficam esmagados com diálogos patéticos ou, puramente, somem de circulação.
No entanto, como uma eclipse ou cometa que aparecem de tantos em tantos tempos, com as novelas ocorre o mesmo. Num acesso de criatividade ou outro, surgem magnificências como Cordel Encantado, Cheias de Charme, Avenida Brasil ou, indo mais longe um pouco, A Favorita. Haja espera para conseguirmos ficções elaboradas assim! Nesse ínterim, ficamos com que eu costumo chamar de "entre safras".
Mesmo no começo, mesmo que ocorram falhas aqui e ali (mas qual obra não contém erros?!), aposto em Império e Boogie Oogie  como a safra das grandes ficções da vez. A Globo matou a pau, como dizemos popularmente, ao permitir  humanizar todos os personagens destas duas obras.  A primeira passa às 21h e é escrita por Aguinaldo Silva; a segunda, às 18h, escrita por Ruy Vilhena.
Sim, temos as boazinhas típicas, porém, boazinhas rebeldes, que não aceitam os desmandos dos metidos a superior, como a Sandra (Ísis Valverde em Boogie Oogie) e a Cristina (Leandra Leal em Império). Lutam, gritam, dão a volta por cima, falam o que pensam e continuam as mocinhas adoráveis que tanto apreciamos.
Elas não ficam em casa esperando. Sandra perdeu o noivo; Cristina perdeu a mãe.  Passado o choro da tristeza, que tanto abate o físico e o emocional, já estão elas no trabalho,  no conflito amoroso (ambas envolvidas sentimentalmente por outros sujeitos após tragédias);  parecem feitas de ferro. Nem por isso moças calculistas que não têm seus momentos de reflexão e dor.
Dá-lhe vilões com alto grau de vilania e com ataque de humanidade! Temos em Império os representantes em forma de Cora (Drica Moraes), Téo Pereira (Paulo Betti) e Maria Marta (Lília Cabral). São mauzinhos toda vida, mas sabem ter tristeza, lembranças, "paixonites". Boogie Oogie já traz Carlota (Giulia Gam), Vitória (Bianca Bin) e Fernando (Marco Ricca) com essas características. De quebra nesta novela, colocaram uma pestinha na pré- adolescência, a tal Cláudia (não sei o nome da atriz-mirim), que não temos coragem de ter raiva. Nesta idade encontra-se certas crianças sendo bem egoístas... (Ainda bem que só algumas!)
O que dizer da nova era dos mocinhos com cara de bandidos? Olhemos para Zé Alfredo (Alexandre Nero) em Império e o que levantamos de seu perfil do passado/presente? De um aprendiz de calhorda tradicional! Um mocinho que construiu seu império do ramo das joias na base do contrabando, que namora uma quase criança ( por pouco não seria pedófilo: sua Maria Ísis tinha completado 18 anos há apenas um mês na época  do começo do romance!), ignora a existência da filha mais velha, despreza o filho João Pedro (Caio Blat) e ainda sapateia na autoridade de sua mulher. Em Boogie Oogie o bom moço Rafael (Marco Pigossi) é menos mau, só que uma queda para a vilania também está lá. Namorado de uma garota, paquera outra, quando esta  vestida de noiva, no dia de seu próprio noivado sai correndo atrás da atual amada, bota no prego um brilhante da tia sem esta saber e o pior: poderia ter salvado a vida do noivo da amada, mas não o fez. Ele tem crise de consciência, é claro, como todo bonzinho. Só que não. Desfila com a atual amada como se nada lhe importasse. Poderíamos perdoá-lo pela quase morte sua num acidente aéreo. E perdoamos, tudo bem. No entanto, mais um pouco só, sr. Rafael seria um vilão de primeira, não?
Sobre os  segredos, ah, como os ADORO!!!!  Ambas têm, dos mais sórdidos. É um tal de personagem jogar com o outro, perguntar, pesquisar na surdina pormenores não abertos a ninguém,  um tal de "Eu tenho algo para contar mas não posso...".  ADORO, simplesmente, A- D-O-R-O!
Outra coisa que voltou às duas novelas são aquelas mesas enormes com brigas memoráveis entre personagens que não se bicam. Um podre surge de repente, e alguém sai falando miséria! Nós, telespectadores, temos a nítida impressão que alguma fruta ou salada vai voar até o nosso sofá depois da querela mal resolvida. Também ADORO!!!! (Essa prática nos folhetins retornou com força após Avenida Brasil).
Tudo isso que aqui mencionei faz parte do que chamamos de novela. Esse tipo de obra cabe - e deve ter mesmo - muitos elementos de humanização, com o toque de surrealismo. Ninguém é bobo de achar que a vida real deve aparecer plenamente numa tela, seja ela pequena ou grande de um cinema. Contudo, a identificação do humano em nós, deve  ocorrer nos folhetins. É isso que faz a diferença das obras que ficam para sempre,  para as comuns facilmente esquecidas.
Aguardo os próximos capítulos com ansiedade, numa expectativa de que as obras citadas se confirmem na história da dramaturgia televisiva.
Por ora, é repetir com alegria que Império e Boogie Oogie são novelas com cara de novela!


(Imagens:
Fontes desconhecidas)

2 comentários:

regina claudia brandão disse...

eu sou uma noveleira contumaz ... viciada, maníaca, irrecuperável, ...
atualmente saio da das 18h00 quase direto pra assistir chiquititas ... adoro!!! depois vou pro império ...

tem época que junta malhação, 18h00, 19h00, sbt, e a das 8, que agora é às 9 ...

Mary Miranda disse...

Olá, Rê!

Não assisto a nenhuma de outro canal sem ser a Globo (tive que escolher...Senão iria pirar com tanta novela! rs).
Escolhi duas, aliás, três para acompanhar (incluo "O Rebu")e estou adorando!
A safra está boa e não posso perder essa, né?

Beijos e adorei que tenha vindo aqui!

Mary :)