PARA QUEM AMA GATOS

PARA QUEM AMA GATOS
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quinta-feira, 7 de junho de 2018

"I Was Born To Love You" - Freddie Mercury



Música bonita, interpretada de maneira esplêndida, que surgiu numa época perfeita para sons melodiosos e que foi tema de novela inesquecível, só podia dar nisso: se tornar um dos maiores clássicos românticos de todos os tempos!
Estou falando aqui de I Was Born To Love You, cantada por ninguém menos que Freddie Mercury, famoso por alcançar oitavas inimagináveis.
Esse som magnífico foi o segundo tema romântico do casal Jô e Fábio em A Gata Comeu ( o primeiro e incontestável era Forever By Your Side, com The Manhattans).
Como fã da novela, e da trilha sonora nababesca que a produção escolheu para o folhetim, selecionei cenas doces de vários casais apaixonados, além do próprio par central, naturalmente.
Sem mais me estender, vamos a elas, cenas inebriantes de amor liberto, coisas que só o coração pode nos permitir!...


I Was Born To Love You - Freddie Mercury



(Imagem:
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Alice e Rafael - Tema


Volta e meia estou trazendo algum vídeo envolvendo a novela A Gata Comeu.
Desta vez, escolhi um que produzi, exibindo cenas do casal Alice e Rafael, cujo tema era a música Crazy For You, cantada por Madonna.
Infelizmente, por questões contratuais da gravadora na época, a mencionada canção teve que ser retirada da trilha sonora.
Considerada uma das maiores perdas para nós, fãs da novela. E quem tem a trilha original a incluindo, guarda o álbum feito relíquia!
Adorei as poucas cenas onde aparecia Alice (Sônia Regina), já perdidamente apaixonada por Rafael (Eduardo Tornaghi), embalada por esse som romântico da superstar Madonna. Tão lindas e fascinantes imagens!
Bom, sem me esticar muito, deixo as várias cenas onde o casal teve os seus momentos, alguns alegres, outros nem tanto, e que aos poucos foram se mostrando "crazy" um pelo outro...

Alice e Rafael - Tema


(Imagem:
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Zé Mário e Babi


Há bem poucos dias montei um vídeo, onde coloquei cenas do casal Zé Mário e Babi, da novela
Gata Comeu, com o fundo musical Still Loving You, da banda Scorpions.
Desta vez, resolvi trazer a música original que embalava os dois apaixonados: Heaven, de Bryan Adams.
É sempre emocionante falar da novela A Gata Comeu, que é a que eu mais amo na vida!
Unindo-se a isso, tem o fato que o casal é um dos que mais adoro na obra, e além disso tudo, a música Heaven, é uma das que mais me tocam, numa parte de minha sensibilidade que não sei explicar...
Sem modéstia, o vídeo ficou muito bom!
Para conferir, basta clicar logo abaixo!...

Zé Mário e Babi - Tema Heaven



(Imagem:
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domingo, 3 de dezembro de 2017

Entrevista com Élcio Romar


Foi uma honra para mim ter entrevistado o ator e dublador Élcio Romar para a Rádio Mirandela FM 98,7 (https://www.radiomirandelafm.com).
Élcio, para quem não sabe, dublou o Rei do Rock - Elvis Presley -, em filmes como Louco por Garotas, Viva um Pouquinho, Ame um Pouquinho e Loiras, Morenas e Ruivas, entre outros.
Famoso por dar voz em português aos atores Michael Douglas e Woody Allen, é considerado um dos maiores dubladores do país.
Como ator de novelas, são muitos os seus personagens, em mais de 25 folhetins. Um dos mais marcantes foi em A Gata Comeu, onde interpretou o Zé Mário.
Atualmente está em Belaventura, onde interpreta o dono da estalagem, o Quixote Mascate.
Eu, na condição de muito fã, conduzi a entrevista mais como um agradável bate-papo, pois Élcio é extremamente atencioso e generoso, no que nos incentiva mais ainda a sermos seus eternos admiradores.
Confira! Tenho certeza de que você vai gostar!


Entrevista com Élcio Romar



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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Entrevista com Cícero Pestana - Banda Dr. Silvana & Cia


Com  muito orgulho, trago para o blog Fatos de Fato, a entrevista que fiz com o vocalista e guitarrista da banda Dr. Silvana & Cia, o Cícero Pestana.
Foi muito interessante conhecermos um pouco mais o trabalho desse grande artista, que já está na estrada há muitos anos, e sempre mostrando-se um profissional de altíssimo nível e competência.
Dentre os muitos assuntos, Cícero nos contou sobre a sua carreira, o que acha do rock atual e dos anos 1980, o que o agrada e o incomoda no cenário musical, e os muitos amigos que formou através dos anos.
A entrevista foi concedida em seu próprio estúdio, o DRS Produções, indo ao ar na Rádio Mirandela FM >>>> www.radiomirandelafm.com, dentro do programa Rock, Pop Entre Outros Sons, que rola todo sábado, às 17h.
Confira!

Entrevista com Cícero Pestana - Banda Dr. Silvana & Cia 


(Imagem:

sexta-feira, 3 de março de 2017

Ouça o Programa "Rock,Pop Entre Outros Sons", na Rádio Mirandela FM, às 17 horas



Todo sábado, a partir das 17 horas, temos um encontro marcado.
É hora que se inicia o programa  Rock, Pop Entre Outros Sons, apresentado por Mary Difatto, pela Rádio Mirandela FM, 98,7.
Voltado para os estilos musicais rock e pop rock, toda semana o programa traz análise de letra, biografia de um(a) cantor(a) ou banda dentro desses estilos, informação sobre músicas e o quadro Papo Geral, que é uma conversa agradável sobre assuntos da atualidade, com participação de Henrique Difatto.
Confira!!!!

(Imagem:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Programa "Rock, Pop Entre Outros Sons", agora na Rádio Mirandela


O programa Rock, Pop Entre Outros Sons é um projeto musical idealizado por Mary Difatto, voltado para o rock e o pop rock, nacional e internacional, trazendo informação e muita música dentro desses estilos.
Tem a participação do mano Henrique Difatto, que faz o que chamamos de "auxílio luxuoso".
Não deixe o ROCK morrer!
Todo sábado, a partir das 17h, pela Rádio Mirandela FM, 98,7
Você também pode ouvir em: www.radiomirandelafm.com

A apresentação é de Mary Difatto.

Estreia: dia 4 de março de 2017.

(Imagem:
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

10 Celebridades que Já Foram Atletas



Vemos artistas diversos, praticamente todos os dias, de diversas nacionalidades, de variados âmbitos dentro da arte.
Mas antes de serem famosos, eram pessoas que tinham, muitos deles, outras atividades.
No vídeo abaixo, trouxe apenas aqueles que já foram atletas, em algum momento de sua trajetória de vida.
No canal Mary Difatto.
Confira!

           10 Celebridades que Já Foram Atletas
       





(Imagem:
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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Análise de "Metamorfose Ambulante" - Raul Seixas


Do ano de 1973, Metamorfose Ambulante foi cantada e composta por Raul Seixas, lançada no álbum Krig-há, Bandolo! (Curiosidade: Esse nome se refere ao grito do Tarzan, cuja tradução mais aproximada é: "Cuidado, eu mato!")
Mas, do que se trata a letra? Fala do quanto é ruim sermos acomodados, sempre à espera que os outros façam, eternamente agarrados a dogmas antigos.
É uma letra tão completa, que pode ser usada em qualquer esfera de nossa sociedade, seja na educação, na política, no trabalho, no dia-a-dia. Como se fosse um abaixo-assinado contra a monotonia, um grito libertador para evitar o preconceito e a pré concepção de ideias, que geralmente são frutos da paralisação mental, algo passado de geração para geração por uma espécie de preguiça para mudar o rumo de qualquer situação insatisfatória.
Já no título, temos uma boa visualização da mensagem da música: Metamorfose Ambulante.
Todos nós, seres humanos, temos capacidade de mudar de opinião, conceitos. E no início dos versos, o personagem afirma:
"Prefiro ser/ Essa metamorfose ambulante/ Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo." Ele esclarece que ser essa coisa "esquisita", vamos dizer assim, algo que muda tanto, é melhor que ser acomodado, achando que é sábio, muito inteligente, com algumas informaçõezinhas que adquiriu na vida.
Ele prossegue:
"Eu quero dizer/ Agora o oposto do que eu disse antes/ Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante". Aqui, uma das marcas de Raul Seixas: a ironia. Raul era tão irônico, que eu tomo a liberdade de argumentar que ele era o nosso Machado de Assis na música brasileira. A parte sarcástica se encontra em: "o oposto do que eu disse antes". Oras, ele não falou nada de contrário! Continua afirmando que prefere ser uma metamorfose ambulante. Como dissesse: "Se você ainda não me ouviu, ouça agora!"
Nos versos: "Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo/ Sobre o que é o amor/ Sobre o que eu nem sei quem sou", ele mostra a sua fragilidade enquanto ser, aquele dos "porquês" da vida, que surgem. Afinal, quem sabe com exatidão sobre o amor, sobre quem é você mesmo(a) com total verdade? Muitas vezes não sabemos nem o que queremos, somos, e já temos "fórmulas mágicas" para resolver problemas alheios, "teses" que, na prática, de nada adiantam.
A  mutação do próprio existir, da inconstância da vida, se dá em:
"Se hoje eu sou estrela/Amanhã já se apagou/Se hoje eu te odeio/Amanhã lhe tenho amor/Lhe tenho amor/ Lhe faço amor/ Eu sou um ator". É  tudo tão passageiro, efêmero... Hoje você tem brilho, amanhã pode não ser assim. Um dia você odeia, amanhã ama, depois odeia de novo, tem prazer, finge que ama, finge que odeia... É porque a pessoa está no palco da vida, e ela é um tanto cíclica, bem inexplicável, por isso a importância de mudarmos o jeito de pensar, as atitudes, muitas vezes. A vida, por si só, é uma grande metamorfose;  nada continua da mesma forma que inicialmente era...
Ele prossegue afirmando que não gosta de comodismo:
"É chato chegar/ A um objetivo num instante" e usa novamente de ironia:
"Eu vou desdizer aquilo tudo que eu disse antes/ Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante". Até o fim ele frisa, para que as pessoas todas compreendam bem, que ele repugna as ideias que não permitam o livre pensar, repetindo várias vezes que quer ser alguém sem amarras, com pensamento próprio.
Um hino contra toda a imposição. Afinal, um dos axiomas dos seres pensantes é: "Todo homem nasce livre". E se temos o livre arbítrio, temos o direito de sermos quem queremos ser, ou pensamos que queremos ser...

Vídeo de Metamorfose Ambulante - Raul Seixas

Em tempo: Essa análise teve certas passagens usadas no vídeo do Gui Farias, do canal Pensando Nisso.
Meus agradecimentos ao Gui pela generosidade.
Quem quiser conferir, clique abaixo!



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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Análise de "Codinome Beija-flor", com Cazuza



A música é Codinome Beija-flor, composta por Reinaldo Arias, Cazuza e Ezequiel Neves, do álbum Exagerado, de 1985.
Cazuza escreveu a letra quando estava deitado no Hospital São Lucas, e observava beija-flores na janela.
Qual é o foco principal da música? Um amor que ainda existe, mas que o relacionamento não terminou bem.
Poderíamos parar aqui a definição. Mas em se tratando do Poeta do Rock, ninguém menos que Cazuza, vale a pena destrinchar cada verso deste lirismo, contado e cantado com outras palavras.
Aliás, era uma das grandes sacadas dele. Falar de amor com palavras próprias, explicando exatamente o que não tem explicação.
No começo, temos:
"Pra que mentir/ fingir que perdoou/ Tentar ficar amigos sem rancor?"
É a primeira atitude quando um romance acaba: fingir que o alvo de nosso amor não nos interessa mais, que as mágoas ficaram pra trás.
"A emoção acabou/ Que coincidência é o amor/ A nossa música nunca mais tocou"
Uma espécie de ironia ocorre aqui: como se o personagem gargalhasse da falta que sente do ser amado. Agora que ele não tem mais o alvo do amor, é que descobre o quanto a pessoa é importante em sua vida.
"Pra que usar de tanta educação/ Pra destilar terceiras intenções?/ Desperdiçando o meu mel/ Devagarzinho flor em flor/ Entre os meus inimigos, beija-flor".
Aqui o personagem abre o verbo e expõe sua mágoa mais evidente, de que o ser amado usa de educação e o transforma numa pessoa mais gentil, melosa do que costuma ser, fazendo-o "desperdiçar o mel",  tendo tratamento doce, quando na verdade a amargura de uma relação mal resolvida está lá. E ele age desta maneira com outras "flores", ou seja, pessoas que conhece e que nem merecem. Até mesmo com inimigos age como um beija-flor, delicado, generoso.
"Eu protegi seu nome por amor/ Em um codinome Beija-flor/ Não responda nunca, meu amor/Nunca/ Pra que um na rua, Beija-Flor".
A explosão da poesia e do amor acontece aqui nestes versos. Ele sabe que a amada não pode ser mais dele - talvez esteja casada ou num relacionamento estável, logo, ele não pode dizer o seu nome. O modo que encontrou para mencioná-la, sem correr risco de atrapalhar seu novo romance, é usando um apelido. E se por acaso ele sem querer disser o nome dela, que ela não responda jamais: "Pra qualquer um na rua, Beija-flor".
"Que só eu que podia/Dentro da tua orelha fria/Dizer segredos de liquidificador".
Quando uma pessoa ainda ama, é natural ter ataque de narcisismo, do tipo que só ela pode amar a outra de maneira superior.
A passagem "segredos de liquidificador"  ainda é um mistério, a despeito dos 30 anos que a música foi lançada.
Eu, Mary, tenho uma opinião sobre o que pode ser.
Já li em algumas matérias, que Cazuza adorava filmes. É possível que ele tenha visto o mesmo filme que eu, um que a Globo passou (era um trabalho já antigo; a Globo estava reprisando num desses Corujões), onde o personagem, quando foi contar algo secreto para a namorada, pediu à moça que ligasse o liquidificador,  para que o barulho alto atrapalhasse a audição de quem quisesse tentar ouvir o que diziam.
Talvez a referência seja exatamente essa do nosso Poeta do Rock: contar um segredo tão obscuro ou profundo, que só a amada poderia saber. É claro: para a moça poder escutar, só ele contando bem pertinho do ouvido. Embora seja um segredo importante, ela parece não ligar muito, por isso ele diz: "dentro da sua orelha fria". Coisas do amor que só se dá valor quando perde...
Nos versos: "Você sonhava acordada/Um jeito de não sentir dor/ Prendia o choro/ E aguava o bom do amor", vemos que ele relembra junto a ela, que o romance acabou muito pelo seu calculismo, o tipo de pessoa que não se entrega inteiramente à relação. Mas apesar da não-entrega, guardava ressentimentos. Não chorava no momento que era magoada. Só liberava o rancor, nos momentos de prazer do casal. Esse "aguava o bom do amor" pode significar as lágrimas que derramava na relação, mas também pode ser uma metáfora, significando que ela quebrava o clima, ficava gelada, "aguava" o romance deles.
Quando um relacionamento termina e ao mesmo tempo foi mal resolvido, sempre há um desconforto quando o ex-casal se reencontra., sobretudo, em lugares públicos.
O máximo que os ex-companheiros podem se auto- exigir,  é que sejam civilizados o suficiente para não atrapalharem os novos relacionamentos que cada qual tenha, nem trocar injúrias um ao outro.
Perfeita na sua essência, Codinome Beija-flor soube expressar essa sutileza de pessoas que amam, embora em sua realidade não caiba mais os floreios de antes.
Agora é construir novos jardins, com outras flores, para que eles se tornem bons beija-flores em novos amores!...

Em tempo: Gosto tanto de beija-flor, que uma vez escrevi um post sobre ele. Confira neste link:
http://marymiranda-fatosdefato.blogspot.com/2010/09/o-beijo-do-beija-flor.html


 Vídeo de Codinome Beija-flor - Cazuza




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domingo, 8 de maio de 2016

Análise de "Nem Luxo, Nem Lixo", com Rita Lee



A música escolhida para análise é Nem Luxo, Nem Lixo, cantada por Rita Lee, de composição dela e Roberto de Carvalho. Do ano de 1980, do álbum Rita Lee, é uma das mais conhecidas da cantora e compositora.
A obra parece falar da dualidade humana, do jogo de contradições, que é o nosso objetivo de vida.
Uma hora queremos uma coisa; em outra hora, outra coisa. Rita Lee, como uma das maiores letristas da música popular brasileira, trabalha com as palavras como ninguém.
Comecemos já pelo título: Nem Luxo, Nem Lixo. "Luxo" algo glamouroso, chique; "lixo", algo desprezível, brega. Troca-se uma letra, de "u" para "i" e temos um oposto tão conhecido em nossa língua!
Desbravando os versos, vemos:
"Como vai você/ Assim como eu/ Uma pessoa comum/ Um filho de Deus/ Nessa canoa furada/ Remando contra a maré/ Não acredito em nada/ Até duvido da fé". Rita, nesses versos, mostra com nitidez o jogo que lhe é tão particular: fazer o oposto. "Nessa canoa furada/ Remando contra a maré", nos dá o entendimento de que a pessoa está nesta enrascada, mas que acredita que vai se safar, praticamente querendo o improvável. Demonstra ser uma pessoa de fé, que acredita no Deus do impossível, embora haja uma contradição nos versos que seguem. Analisemos: "uma pessoa comum , e "um filho de Deus", mas que "não acredita em nada", que "até duvida da fé", como pode imaginar que vai conseguir sobreviver as intempéries da vida? Que coisa mais oposta a pessoa acreditar que é "filho de Deus", e "não ter fé" ao mesmo tempo que rema com vigor contra os problemas, crendo que tudo melhorará...
Uma curiosidade é que Rita, nos últimos tempos, não sei a pedido dos fãs ou igreja - ou simplesmente uma mudança de ideia dela própria - não canta mais "Até duvido da fé", e sim, "Só não duvido da fé". Realmente a letra original era um tanto pessimista...
No refrão:
"Não quero luxo/ Nem lixo/ Meu sonho é ser imortal, meu amor/ Não quero luxo/Nem lixo/ Quero saúde pra gozar no final". Aqui esbarramos com o "luxo" e "lixo". Interessante que a personagem parece não ligar muito para a vida que leva, mas tem certo apego à ela, já que sonha em ser imortal. Só que na contradição típica do ser humano, ressalta que "quero saúde" para "gozar no final" da vida. Se a pessoa sabe que vai morrer um dia, por que então vai sonhar com imortalidade quando estiver na trajetória derradeira de sua estada terrestre? É que até mesmo as pessoas ditas "comuns" como sugere a letra, têm sonhos megalômanos, como o já citado o de ser "imortal", como que, no fundo, não quisesse ser "mais um" andando na multidão.
A personagem não se satisfaz com as condições que a vida lhe impõe, mas não reclama. Querer mudar o rumo de sua própria história é normal.
E não querer "luxo" e "lixo" é da natureza humana, é da busca incessante de se auto afirmar.
Se analisarmos com maior profundidade, "luxo" não é tão diferente de "lixo" assim. O que é "luxo" de hoje, será o "lixo" de amanhã, assim como o "lixo" de hoje é o "luxo" futuro, através da condição chamada reciclagem.
Buscas de afirmação sempre esbarram com contradições. Se em uma hora se é forte, em outra, o vigor se esvai.
Deve-se viver desse ou daquele modo, entre sonhos e incertezas. O negócio é prosseguir,  não se deixar levar e "remar contra a maré", ainda que "a canoa" esteja "furada"...

Vídeo de Nem Luxo, Nem Lixo - Rita Lee




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terça-feira, 29 de março de 2016

Análise de "Televisão", com Titãs


A música Televisão, interpretada pela banda Titãs, é do álbum homônimo
Televisão, do ano de 1985, composta por Marcelo Fromer, Tony Bellotto e Arnaldo Antunes.
Uma curiosidade: o álbum foi produzido por Lulu Santos.
Sem dúvida, a letra é uma clara crítica a essa mídia tão conhecida e difundida chamada televisão.
Não há disfarces ou subterfúgios; a linguagem usada é ácida. Porém, em muitas passagens, tenha conotação cômica.
Praticamente o primeiro refrão - ou os primeiros versos - já define o que o personagem da música acha da TV:
"A televisão me deixou burro/ Muito burro demais". Temos aqui a capacidade de anulação do pensamento que este veículo comunicativo oferece ao público. É como se deixássemos que a televisão pensasse por nós.  Essa tônica procede por toda a letra.
Vejamos também:
"Agora todas as noites me parecem iguais". Sim, se a TV pensa por nós, obviamente que tudo que acontece é igual, pois todos nós nos tornamos iguais, na mesma limitação de raciocínio.
Em: "O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida/ E agora toda noite quando deito/É boa noite, querida". O  sarcasmo evidente! Se o comercial que passou de sorvete na TV exerceu uma influência, já que o personagem naturalmente comprou o produto, é como se ele ficasse tão gripado, que daria a sensação de que não passaria nunca. Aí, tchau, romance! Ele deita na cama e dorme, literalmente...
A parte mais intrigante para mim, pois não sabia do que se tratava (tive que pesquisar bem), foi essa:
"Oh, Cride, fala pra mãe/ Que eu nunca li num livro que o espirro fosse um vírus sem cura/ Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura/ Oh, Cride, fala para mãe!". Esse "Cride, fala pra mãe", conforme apurei, era o bordão de um humorista já falecido de nome Ronald Golias, que de tanto que repetia, o público falava a todo instante, por todo lugar. Além de criticar as pessoas que são "papagaios" de tudo que ouvem e veem, a letra também mostra a contradição dos cérebros preguiçosos de pensar: se o sorvete o deixou "gripado pelo resto da vida", como é que ele  nunca leu "num livro que o espirro fosse um vírus sem cura"? É que, a mesma TV que vende sorvetes, produtos que supostamente causam gripes, também vende os antigripais, antifebris, analgésicos, etc., que acabam ou diminuem os sintomas. Quer dizer, a TV faz o que bem entende com a sua audiência!
Com certeza a crítica mais feroz está nestes versos:
"A mãe diz pra eu fazer alguma coisa/ Mas eu não faço nada/ a luz do sol me incomoda/ Então deixa a cortina fechada/ É que a televisão me deixou burro/ Muito burro demais/ E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais". Aqui significa que, além de desprovido de senso crítico, o personagem se tornou também um indolente, já que não deseja perder nada que passe na TV. A luz do sol não incomoda propriamente. O chato é que reflete na tela, atrapalhando a visão, por isso que o ideal é deixar a cortina fechada. Devido ao seu desespero em ver tudo o que o veículo transmite, ele admite que ficou burro, ou seja, um animal irracional, e como muitos dos quadrúpedes, vive preso em jaulas, junto aos seres iguais a ele.
Ele repete um dos refrões:
"Oh, Cride, fala pra mãe", e complementa: "Que tudo que a antena captar, meu coração captura". Como ele não tem pensamento próprio, repete exatamente o que a TV transmite. É como se fosse um "maria-vai-com-as-outras", totalmente desprovido de qualquer senso crítico e/ou ideológico.

Embora seja uma crítica objetiva e clara, a música se atém ao tipo de pessoa influenciável, e não a todos os telespectadores, no que exime a própria TV de boa parte da culpa.
Pessoas de personalidade forte, vão saber separar o tal "joio do trigo", e perceber que esse veículo comunicativo ainda é muito bom, basta que saibamos absorver o que nos cabe de melhor em nossas vidas.
Até mesmo a banda Titãs, cujos componentes compuseram a obra musical, reconhece o valor dessa mídia, sempre aparecendo na TV toda vez que se faz possível.
É naquela: quem procura, acha. E a televisão tem suas qualidades. Até mais que os defeitos, se formos pensar com libertação de ideias.
Nem preciso ir muito longe: foi num canal de TV que eu, Mary, tive a alegria de ver, pela primeira vez, a apresentação da já muito mencionada e aplaudidíssima banda Titãs...
Se não fosse pela TV, talvez eu nunca os conhecesse, e nem estaria aqui fazendo essa análise da letra!...

Um vídeo com Televisão, dos Titãs!




(Imagem:
Fonte desconhecida
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Página Mary Difatto)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Análise de "Sobre o Tempo" - Nenhum de Nós



A música Sobre o Tempo é do álbum Extraño, de 1990, composta por Thedy Correa, interpretada pela banda gaúcha Nenhum de Nós.
Nem precisamos quebrar a cabeça: o título define bem a letra. É sobre o tempo que se trata. Fala da ambiguidade e do quão é efêmero o tempo, das impressões ou mudanças que ele pode nos impor.
Na verdade, a música funciona como metáfora em nossas vivências: assim como o tempo tem seus opostos - o que é bom hoje, pode não ser amanhã - ,  a nossa vida em si também traz esses contrastes.
Pessoas muito apegadas aos
bens materiais, a coisas de modo geral, que coloca muito valor no que é passageiro, costumam se decepcionar com o decorrer do tempo.
Nós nos alegramos, entristecemos, nos alegramos de novo,  ganhamos, perdemos como, repito, é a própria vida e suas idiossincrasias. Falar de tempo é o mesmo que falar de vida.
Vejamos: "Os homens trocam as famílias/ As filhas, filhas  de suas filhas/ E tudo aquilo que não podem entender". Quando as pessoas se casam, acreditam que será para sempre, mas o tempo nos mostra, muitas vezes, outros lados daquela convivência. Por causa de diferenças irreconciliáveis, as pessoas acabam se separando, e os membros de uma família hoje, passam a não fazer mais parte daquela família amanhã, perdendo uma determinada "hierarquia" dentro do cenário familiar. Por exemplo:  muitas vezes não criamos nossas filhas, mas criamos as filhas delas como sendo filhas! E isso é louco demais para o nosso entendimento já que, se formos levar a ferro e fogo a nomenclatura adequada, as crianças filhas de nossas filhas seriam nossas netas.
"Os homens criam os seus filhos/ Verdadeiros ou adotivos/ Criam coisas que não deveriam conceber". Aqui o compositor claramente alude ao fato de que há pessoas que não têm preparo para serem pai ou mãe, mas mesmo assim têm filhos, só porque o consenso popular chegou à conclusão de que está no "tempo certo" (isso geralmente ocorre quando duas pessoas se casam). Na verdade, não deveriam se aventurar por situações que não poderiam  criar, porque ainda estão imaturas. O simples ato de casar, por exemplo, não significa "tempo certo" para ter-se filhos. O casal precisa construir um lar verdadeiro para receber a criança - biológica ou adotiva -, estarem cientes do papel que exercerão enquanto pais, enquanto seres humanos na  sociedade onde vivem.
No refrão, o esclarecimento do quanto o tempo pode ser implacável e objetivo. Pode curar, mostrar a verdade, baixar a arrogância do ser humano, quando se imagina o dono de tudo: "O tempo passa e nem tudo fica/ A obra inteira de uma vida/ O que se move e o que nunca vai se mover..." Às vezes investimos em certas coisas, obras que nos consomem a vida inteira, bens móveis ou imóveis, e tudo aquilo se acaba, de uma para outra, como num passe de mágica. O tempo nos mostra com sabedoria que não devemos ter apegos porque, até aquilo que garantimos, que jamais se moverá, pode cair por terra a qualquer momento.
Em: "O passado está escrito/ Nas colunas de um edifício/ Ou na geleira /Onde um mamute foi morrer". A sensação aqui é do quanto o tempo, com licença do trocadilho, não perde tempo: ele passa mesmo! Podendo ser comprovado nas colunas de um edifício através da data que geralmente é colocada numa parte bem visível aos moradores e visitantes, ou através das geleiras que o ancestral do elefante, o mamute, morreu, não importa: é tempo que se foi. A data exata de quando surgiram os primeiros mamutes, não sabemos. Mas como temos cérebros pensantes, temos consciência de que isso está na casa de séculos, milhares ou milhões de anos, que nos alertam da certeza e objetividade do tempo, algo abstrato e infinitamente real.
Mais uma vez nos lembramos que não devemos ser arrogantes, pois o tempo nos coloca em nosso lugar: "O tempo engana aqueles que pensam/ Que sabem demais que juram que pensam/ Existem também aqueles que juram/ Sem saber". Aqui percebemos que por mais que saibamos, nunca sabemos tudo, e aquele que se julga detentor de muita sabedoria, de que vai enganar os outros por ser o mais esperto, será humilhado pelo tempo. Talvez o compositor tenha mencionado implicitamente o pensamento de Abraham Lincoln, que diz: "Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo". Aqueles que juram sem ter certeza, que têm o objetivo de apenas passar por mais inteligentes, são como os sofistas, antes de surgir Sócrates, o pai da Filosofia: querem apenas se beneficiar com a  "supremacia de sapiência" para ganhar dinheiro e/ou status, não pensando em seu semelhante. A letra afirma que ninguém pode enrolar o tempo. Mais cedo ou mais tarde, todos vão pagar ou aprender, de uma maneira ou de outra.

Agora, a maravilhosa música Sobre o Tempo, com o Nenhum de Nós em vídeo!




(Imagem:
Fonte desconhecida
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Análise de "Na Moral", com o Jota Quest



A música que analiso hoje é Na Moral, que é do ano de 2001, do álbum Discotecagem Pop Variada, composta por Rogério Flausino, Wilson Sideral, Marco Túlio Lara e Play, interpretada pela banda Jota Quest.
O que as pessoas fazem para se sustentar em sociedade com certa alegria é a melhor definição que podemos dar à música. O otimismo vindo de qualquer jeito, mesmo que artificialmente.
Naturalmente a maioria de nós sabe o que significa  o próprio título Na Moral: com tranquilidade, na boa, gíria muito usada em quase todas as situações que conotem  algo agradável.
Como viver em sociedade levando as coisas a ferro e fogo? A letra sugere que sejamos tranquilos e otimistas diante dois problemas, embora nos percamos com subterfúgios nada aconselháveis.
Vejamos em: "Vivendo de folia e caos, quebrando tudo, pra variar/ Vivendo entre o sim e o não/ Levando tudo/ Na moral". Aqui percebemos as contradições da vida - "folia" e "caos", "sim" e "não", e até o mesmo o termo "quebrando", contradizendo seu verdadeiro significado (na gíria, "quebrar tudo" quer dizer "se dando bem"). A diversão e a bagunça vão sempre existir, sim e não também. O que devemos fazer? Tratar tudo com tranquilidade.
"Uma manchete no jornal/ Não vou deixar me abalar/Mais uma noite, Carnaval/ No Brasil, só na moral". Uma certa ironia temos nestes versos. Essa manchete no jornal, naturalmente uma notícia ruim, não importa muito pois na noite seguinte, no Brasil, é Carnaval, onde é tradicional as pessoas esquecerem as amarguras. É possível que os autores da letra tenham feito alusão a esse esquecimento fácil do brasileiro dos problemas, quando ocorre a festa popular de todos os anos no país. De qualquer maneira, há otimismo neste discurso pois, seja como for, as pessoas ficam "na moral", ou seja, tranquilas.
A crítica à violência urbana temos em: "Viver entre o medo e a paz/Pode fazer pensarmos mais/ No que a gente tem que fazer/ Pra ficar vivo/ Pra variar". Infelizmente numa sociedade violenta como a nossa, a maior preocupação é manter-se vivo, o mínimo que se pede enquanto ser.
A necessidade de  elementos de bengala emocional e as contradições da vida em sociedade, se dão em: "Quando tudo parece não ter lógica /Bombas de amor, tiros de amor, drogas de amor/Qualquer paranoia vai virar prazer... de viver/ Na moral". Há também uma crítica feroz às pessoas que se entregam aos distúrbios sociais que afetam suas vidas e por isso recorrem a preenchimento emocional. "Bombas de amor, tiros de amor e drogas de amor", vemos que em nome de um apego qualquer , um motivo para viver, as pessoas apelam para discursos do tipo: "matei por amor", no casos das bombas e tiros. As tais "drogas de amor" são o ecstasy e o LSD, já que há pessoas que usam esse tipo de artifício para sentirem prazer. Os autores, inteligentemente, consideram  isso "paranoia" para se adquirir prazer, para que nossa sociedade tenha um pouco de tranquilidade.
Uma dica de como se viver, de verdade, "na moral" , sem apelo, na calma e na boa, acontece nesta passagem: "Me deixa tentar falar pra você o que é viver/ O que é sentir/ O que é ter prazer se vivendo na moral/ Na moral, comportamento super natural / É ficar no sapato e na humilde/ E deixar rolar tudo que existe por dentro de bom/ Então deixa acontecer, rapaziada/ Deixa tudo na moral". É tudo tão claro nestes versos, que nem precisa de explicação. Viver "na moral" conforme a letra, é estar  bem consigo mesmo, sem querer destruir ninguém, sem fugas, nem artificialidades.


Agora deixo para todos nós o vídeo de Na Moral, com a banda Jota Quest!




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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Análise de "Te Ver", do Skank




A música Te Ver, cantada pela banda Skank, é do álbum Calango, do ano de 1994, composta por Chico Amaral, Samuel Rosa e Lelo Zaneti.
De conotação romântica, em cada verso descobrimos, que é mesmo impossível ver a pessoa amada e não querê-la.
 O tempo inteiro o personagem compara situações em nossas vidas que comprovam que quem amamos, é um ser que não dá para se ignorar: é ver e, automaticamente, querer.
Mesmo sendo uma letra essencialmente romântica, percebemos algumas passagens de críticas sociais e também subjetivas. Afinal, nem tudo que gostamos é o que os outros gostam...
Uma das poucas músicas que começa pelo refrão e distribui os versos como divagações a supostos comentários.
"Te ver e não te querer/ É improvável, é impossível/ Te ter e ter que esquecer/ É insuportável, é dor incrível", nos próximos versos a comparação, para que consigamos entender porque é tão impossível assim:
"É como mergulhar no rio/ E não se molhar/ É como morrer de frio/ No gelo polar". Temos aqui, a impossibilidade real da coisa, não um modo de dizer, com certeza, uma verdade literal: mergulhar no rio e não se molhar, e estar no gelo polar e não morrer de frio, é o que podemos afirmar como
impossível.
Já em: "É ter o estômago vazio e não almoçar/ É ver o céu se abrir no estio e não se animar", notamos que o personagem sintetizou o consenso popular de que se está na hora do almoço, vamos nos alimentar. O mesmo ocorre no caso do céu quando vem o Sol, e as pessoas, no geral, se animam. Aqui é subjetivo. Depende de cada um. Esse "impossível" não se aplica em casos de pessoas que não almoçam nunca ou adoram dias de chuva. Pessoas assim, não usariam esses versos para comparar o quão é impossível ver a pessoa amada e não querê-la.
Em: "É como esperar o prato/ E não salivar/ Sentir apertar o sapato e não descalçar", temos um gracejo e uma verdade. Naturalmente esse salivar o prato, faz referência ao dito popular sobre pessoas ingratas que "cospem no prato onde comem". Para elas, é impossível não desprezarem a comida com uma saliva. Mas isso é subjetivo e acaba ficando até sendo engraçado imaginarmos a cena, embora seja um humor bem insólito. E a verdade coletiva é que todo aquele que sente apertar o sapato, descalça. Talvez não em público, talvez aguente por um período, mas em algum momento vai fazê-lo.
O lado lírico e de verdade literal, temos em: "É ver feliz alguém de fato/ Sem alguém pra amar/ É como procurar no mato/ Estrela do mar". Para os românticos, não há felicidade sem um ser para se amar e, é claro, estrela do mar só tem em água. Não se pode acha-la em matos, não é mesmo?
"É como não sentir calor/ Em Cuiabá/ Ou como no Arpoador/ Não ver o mar". Olha a geografia brasileira sendo destacada e com veracidade! Cuiabá, capital do Mato Grosso, uma das mais quentes do país, realmente não dá para chegar lá e não sentir calor, assim como estar na lindíssima Praia do Arpoador, no bairro de Ipanema, Rio de Janeiro,  e não ver o mar, é de fato, impossível! Uma ressalva a ser feita é que Arpoador pode ser uma referência à Pedra do Arpoador, no mesmo bairro, e que, do mesmo jeito, fica impossível não ver o mar...
"É como não  morrer de raiva/ Com a política/ Ignorar que a tarde vai/ Vadiar e mítica". Seja em que época for, a música foi lançada em 1994, mas a verdade é: sempre dá raiva a política! É impossível estarmos totalmente satisfeitos, seja de um jeito ou de outro, ainda que alguns políticos sejam de nossa escolha. Deixar de lado uma tarde, cujo consenso popular diz que é o fim do dia, logo, conhecido para se vadiar, é impossível para aqueles que podem descansar à tarde ( a tal vadiagem da letra, é apenas um relaxamento pós trabalho). Aqui o aspecto é subjetivo, já que muitas pessoas  que trabalham o dia inteiro, e não têm hora certa para o descanso. E esse "mítica" que a traz a letra, faz sentido no aspecto que parece uma invenção, um mito. Por exemplo, as imagens que um crepúsculo bonito forma no céu. Só a tarde fornece esse quadro que a natureza cria, dando aquela sensação de devaneio, algo tão agradável aos olhos e à alma.
Uma ironia e uma ideia particular temos em: "É como ver televisão/ E não dormir/ Ver um bichano pelo chão/ E não sorrir". A ironia está na referência à programação televisiva que, em muitos casos, é bem chata e repetitiva, causando sono. É impossível uma pessoa não ter dormido, em alguma vez na vida, ao assistir TV. No caso de ver animais, a ideia é particular já que só cabe para quem gosta de bichinhos. Por extensão, não só em caso de gatos como sugere a letra, quem gosta de animais vai sorrir ao avistar um cachorro, um coelho, um papagaio, e outros mais, e nem será somente pelo chão. Pode ser em qualquer lugar. Para quem não aprecia estes seres, não irá sorrir, e se for gente perversa, pode até maltratá-los.
"E como não provar o néctar/ De um lindo amor/ Depois que o coração detecta/ A mais fina flor". Nestes versos, a comparação de "ver"  e "não querer", se faz na própria arte de amar, motivo principal da composição. Realmente é impossível uma pessoa não querer provar o sabor, o néctar de um amor verdadeiro, depois que o coração o descobre. O contraste de que é o amor que tem o néctar, e não a flor, é magnífico! A flor aqui funcionando como o frescor, a vitalidade, a realidade de seus sentimentos, e naturalmente, a sensibilidade daqueles que amam de verdade.


Para todos nós, o vídeo com a belíssima música Te Ver!




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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Análise de "Primeiros Erros", de Kiko Zambianchi


Hoje eu trouxe a análise de Primeiros Erros, do álbum Choque, do ano de 1985.
Composta e interpretada por Kiko Zambianchi, quase que esta música não chegaria a tocar em rádios, se não fosse pela perseverança do cantor/autor.
É que embalada pelo grande sucesso da música Choque, a gravadora queria partir para a gravação do segundo álbum, deixando de lado qualquer tentativa de impulsão de outras músicas.
Mas Kiko sentiu uma vibe muito grande em sua composição levando, ele mesmo, Primeiros Erros para tocar nas rádios onde concedia entrevista.
Conclusão: Primeiros Erros se tornou uma de suas músicas mais importantes!
A letra desta maravilhosa canção, fala dos nossos pensamentos do passado que vivenciamos, em que sempre imaginamos que poderíamos ter feito tudo diferente. Se pudéssemos mudar nossa conduta, nada poderia nos atingir; seríamos pessoas melhores.
No começo da letra, percebemos o quanto o personagem se arrepende de alguns atos:
"Meu caminho é cada manhã/ Não procure saber onde estou/ Meu destino não é de ninguém/E eu não deixo meus passos no chão".
É como se ele quisesse recomeçar, cometeu algumas falhas e não quer que ninguém o imite, cometa os mesmos erros.
Uma coisa meio: "O que os olhos não vêem, o coração não sente", se reflete nestes versos:
"Se você não entende, não vê/ Se não me vê, não entende/ Não procure saber onde estou/ Se o meu jeito te surpreende".
Ele sabe de suas complicações pessoais, e não quer que as pessoas que o rodeiam o julguem, pois cabe apenas a ele  consertar seus próprios problemas.
A  metáfora com o clima se faz em:
"Se o meu corpo virasse sol/ Minha mente virasse sol/ Mas só chove e chove/ Chove e chove..."
Aqui, ele sintetiza suas angústias no clichê tradicional que nós, humanos, fazemos: tempo bom, é de sol; tempo ruim, é de chuva...
O personagem gostaria de poder mudar, se arrepende muito de toda dor causada a si próprio e aos outros, na passagem mais perfeita da canção, continuando com a metáfora do clima:
"Se um dia eu pudesse ver/ Meu passado inteiro/ E fizesse parar de chover/ Nos primeiros erros/ O meu corpo viraria sol/ Minha mente viraria/ Mas só chove e chove/Chove e chove..."
Esse "ver meu passado inteiro" na verdade quer dizer, "se eu pudesse voltar no tempo", ele não cometeria tantos erros assim, descobriria onde falhou logo no começo, fazendo o que se chama popularmente de "cortar o mal pela raiz".
Uma das piores coisas que acometem ao ser humano é o arrependimento. É triste demais uma pessoa refletir sobre o que fez de ruim, ou o que deixou de fazer de bom, e ter a consciência de que isso jamais poderá ser mudado.
É esse o foco do arrependimento que não pode ser consertado que fala a música.
Kiko construiu a canção com uma riqueza de ideias emocionante. É, com certeza, uma das letras que mais me toca o coração.
Infelizmente, como diria Mário Quintana: "O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente".
Certos arrependimentos irão nos perseguir, mas cabe  a nós mesmos nos perdoarmos, tentando evitar novos grandes erros.
Que nosso corpo e mente se tornem sol, e consigamos brilhar mais e mais, com a certeza de que amanhã será um outro dia!...


Obs.   1. Fiz um post, há algum tempo, cujo tema era o perdão que devemos ter por nós mesmos. O título é Aprendendo a me perdoar e a música do Kiko Zambianchi estava lá também, para enobrecer a mensagem que passei. É só clicar aqui para ler!
           2. Essa letra fez parte da análise de abertura do programa Rock, Pop Entre Outros Sons, do dia 15 de agosto de 2015, onde eu apresento todos os sábados, das 16h. às 18h, pela Bicuda FM 98,7 (Também pode ser ouvida pelo site www.bicuda.org.br)

Deixo um vídeo,  que traz a letra completa,  logo abaixo.





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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Malandragem - com Cássia Eller



Hoje estou analisando a letra da música Malandragem, com Cássia Eller, uma composição de Cazuza e Frejat, e que saiu no álbum Cássia Eller (1994). Essa canção elevou Cássia ao status de estrela do rock nacional.   
Uma curiosidade, antes de analisar a letra, é que foi composta especialmente para Ângela Rô Rô, no final dos anos 1980. Ângela não quis saber da música por ter achado a letra "um absurdo", ao ser apresentada. Confessou ter se arrependido, num show que foi do Frejat, anos mais tarde.
Bem, pelo meu entendimento, Malandragem dá a impressão de ser discurso de quem cresceu, mas não aceita certas imposições da vida adulta.
Já no título, percebe-se que o intuito não é a malandragem como se consagrou na língua portuguesa. Malandragem não é coisa de gente que quer se dar bem ou quer enrolar o outro. Aqui, o sentido é de "malícia", "menos ingenuidade".
Nos primeiros versos:
 "Quem sabe ainda sou uma garotinha/Esperando o ônibus da escola, sozinha", temos a noção de que a mulher feita da música, fica se indagando sobre a falta de tato com esse mundo tão "real", tão "amadurecido".
"Cansada com minhas meias três quartos/Rezando baixo pelos cantos/Por ser uma menina má"; os versos continuam nos dando a ideia de infância e seus temores.
"Quem sabe o príncipe virou um chato/Que vive dando no meu saco" , notamos que a marca do sonho feminino desde a infância, que é encontrar o tal Príncipe Encantado, vai se perdendo com o tempo. Após tantos "sapos" ou "chatos" que se encontra por aí. As fantasias são questionadas diante de tantas frustrações:
"Quem sabe a vida é não sonhar?"

No refrão: "Eu só peço a Deus/ Um pouco de malandragem/Pois sou criança/E não conheço a verdade", dá a sensação de que a personagem da letra realmente não tem o jogo de cintura para aceitar os problemas. É como se quisesse achar o seu lugar no mundo e não tivesse ainda a maturidade que a chamada "vida adulta" tanto pede. 
Na parte: "Eu sou poeta e não aprendi a amar" soa como um contrassenso. Onde já se viu poetas, ou seja, pessoas sensíveis, que não sabem amar? É como se ela percebesse que o que chamam de amor, não foi o que aprendeu lá, no passado, quando era apenas uma garotinha...
"Bobeira é não viver a realidade/ E eu ainda tenho uma tarde inteira"
Nesse momento da música, a personagem está mais pragmática, isto é, se dá conta que viver de passado ou futuro, é uma bobagem , viver é aqui e agora. Reparem que ela não diz: "E eu tenho uma vida inteira". Diz que tem "uma tarde". Por quê? Porque está mais concisa de que amanhã pode não chegar e ela quer o tempo de hoje, que é o que tem em mãos.
"Eu ando nas ruas/Eu troco um cheque/ Mudo uma planta de lugar/Dirijo o meu carro/Tomo o meu pileque/E ainda tenho tempo pra cantar".
Para provar que a vida chamada "real" é essa que vivemos, ela anda, troca cheque, muda planta, dirige, toma umas doses, e ainda sobra tempo para fazer coisas das quais gosta, como cantar , por exemplo.
O refrão volta com a personagem pedindo "um pouco de malandragem" porque se ela conseguir ser mais esperta, tudo o que almeja, há de acontecer um  dia. Enquanto isso, ela vai vivendo o momento para tentar ser feliz, como todo mundo almeja.
E, afinal, "um pouco de malandragem", um pouco de malícia e tato para lidar com os problemas, não faz mal a ninguém...


Letra e vídeo da música logo abaixo!

Malandragem - Cássia Eller
(Cazuza/Frejat)

Quem sabe eu ainda

Sou uma garotinha

Esperando o ônibus

Da escola, sozinha

Cansada com minhas

Meias três quartos
Rezando baixo
Pelos cantos
Por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe
Virou um chato
Que vive dando
No meu saco
Quem sabe a vida
É não sonhar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Bobeira
É não viver a realidade
E eu ainda tenho
Uma tarde inteira
Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Pra cantar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Pra cantar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Quem sabe eu ainda sou
Uma garotinha



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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Vídeo do programa Rock, Pop Entre Outros Sons


 O programa Rock, Pop Entre Outros Sons foi registrado em vídeo, na parte final, no dia 27 de junho de 2015.
Sua transmissão ocorre todos os sábados, as 16 horas, pela Bicuda FM 98,7, ou pelo site www.bicuda.org.br
Quem quiser conferir, só clicar no vídeo abaixo!



sábado, 20 de junho de 2015

Programa "Rock, Pop Entre Outros Sons" - Apresentação Mary Difatto



Todos os sábados, galera eu, Mary Difatto, apresento o programa Rock, Pop Entre Outros Sons, pela Bicuda FM 98,7, das 16h. às 18h.
É um programa voltado para o rock nacional, com clássicos e músicas atuais.
Logo na abertura, eu faço uma análise de alguma letra; mais tarde,  vem o Rock 3, onde toco alguns segundos de três músicas para se votar em uma que retornará no final do programa; temos também o Estar Rock, que traz a biografia de um(a) cantor(a) ou banda, tocando a trilogia daquele(a) artista.
Um dos quadros se chama Você Faz O Programa onde o(a) ouvinte terá a oportunidade de escolher o som que quer ouvir na semana seguinte.
São duas horas de muita diversão e música boa!
Sintonize pelo 98,7,  ou então pelo site oficial da rádio, que é www.bicuda.org.br.

Espero todos no nosso Rock, Pop Entre Outros Sons!

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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Análise de "Pais e Filhos", com Legião Urbana



Escolhi para análise de letra, Pais e Filhos, com Legião Urbana.
Lançada no álbum As Quatro Estações, de 1989, composta por Dado Villa Lobos e Renato Russo, a canção é uma das mais conhecidas e clássicas da banda, que é lembrada até hoje com carinho por todos que apreciam uma grande letra.
Do que se trata Pais e Filhos? A tônica é o suicídio de uma garota, o que causa um questionamento do porquê isso teria acontecido. Sabe-se, pelo decorrer da música, que se relaciona a um convívio conflituoso com os pais.
Ser filho não é fácil; ser pai ou mãe, mais difícil ainda...
Vamos acompanhar os versos e sentir essa dor pai e filho mais de perto. Pelo menos, acredito eu que seja isso o que a letra quer dizer!

"Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu..."

Estátuas são coisas paradas; cofres guardam segredos; paredes pintadas escondem sujeiras anteriores. Realmente não dá para saber o que aconteceu diante das não-provas no local do suicídio. Dá uma ideia também de que ninguém queria se envolver, virando estátuas para nada dizerem, nada revelarem...

"Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender..."

Por mais triste seja uma vida, nunca compreendemos o que leva alguém a se matar...

"Dorme agora
É só o vento lá fora"

Acredito que esses versos queiram dizer o que os pais geralmente falam para os filhos quando se assustam com algum barulho. Pode ser também uma família que morava no primeiro ou segundo andar no prédio da moça, que disfarçava o som do impacto do corpo indo ao chão, dizendo: "É só o vento"...

"Quero colo!
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, 
Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três"

A notícia de uma garota suicida gira pela vizinhança, e todo mundo se volta para o seu próprio passado, de quando era criança e adolescente, no jogo do contrário que são essas fases: "Quero colo" na infância é o oposto de "Vou fugir de casa", assim como é "Posso dormir aqui com vocês?" é de "Só vou voltar depois das três". Numa hora os pais são de suma importância; em outra hora, são totalmente dispensáveis!...

"Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito"

Num passado mais recente, as pessoas começam a recordar quando souberam que iriam ser pai ou mãe, a preocupação começando já com a escolha do nome, já que os pais sempre querem o melhor para os seus filhos.

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
E se você parar pra pensar 
Na verdade não há"

Aqui ocorre uma espécie de pensamento coletivo, como se, no fundo, soubéssemos que devemos amar agora, não amanhã, porque o tempo é uma convenção do homem. Se você esperar para amar os pais ou os filhos numa situação futura, pode não ser possível mais, como no caso da menina que se suicidou, que os pais não puderam lhe dizer, o quanto ela era importante em suas vidas.

"Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo?"

Essas perguntas fazem pais e filhos terem algo em comum para conversarem. Por não terem respostas prontas, não importa quem seja - pai ou filho -, essas são grandes questões da humanidade.


"São meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais"

Esses versos soam como respostas a uma pesquisa realizada com pessoas nas redondezas onde a garota suicida residia, por um repórter, policial  ou alguém interessado no assunto, a fim de apurar o que levou a menina a um desespero tal, de tirar a própria vida.
Repare que cada verso sempre destaca a primeira pessoa, ou seja, o objetivo é ouvir a opinião de cada um, saber a vivência de cada "entrevistado", vamos dizer assim. Muitos casos são solucionados quando se ouve observações de vizinhos, de pessoas que conheciam a vítima.

"É preciso amar as pessoas..." (repete o primeiro refrão)
"Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais"

Existe uma comoção geral entre as pessoas que souberam da morte precoce da menina. Cada uma delas começa a ser guiada pela consciência. É ela que revela que se os pais falham muitas vezes, os filhos também falham, não se colocando no lugar deles. Nesse momento cada pessoa se sente mesquinha, pequena, como uma "gota d'água" ou um "grão de areia".

"Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você  crescer"

A consciência continua alertando do mal que os filhos praticam quando culpam os pais por todos os problemas existentes do mundo.
Temos conhecimento que quem é filho hoje, pode ser pai amanhã, e quando envelhecemos, voltamos a ser crianças, dependendo dos filhos para nos proteger exatamente como fazíamos, num ciclo imutável em nossas vidas.
Sendo jovem ou idoso, para sempre iremos querer correr para o aconchego do abraço do pai e o conforto de um bom colo de mãe!...


Esse é o meu entendimento da letra desta magnífica música do Legião Urbana.
Abaixo, a canção em vídeo, acompanhada por lyrics na íntegra.

Pais e Filhos - Legião Urbana 

(Dado Villa Lobos - Renato Russo)

Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora
É só o vento lá fora

Quero colo! Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três

Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer



 

(Imagem:
Fonte desconhecida )