"Amigas para sempre é o que nós iremos ser..."
Eu sempre gostei de escrever; isso é fato consumado. E sempre digo que ninguém nasce escritor; alguém tem que nomeá-lo assim.
Por força de um destino promissor, tive a proeza de conhecer, no meu início de idade adulta (18 anos), uma amiga daquelas que, no auge de seu arroubo de emoção, se referiu assim a mim:
"Mary, isso é lindo! Você escreve muito bem!" ao ler um dos meus tímidos poemas.
Imodestamente passei, a partir daquele momento, a me intitular escritora, embora modestamente, admita que isso só foi possível devido à premissa dessa minha querida amiga normalista.
Então, tá...
Uma ainda adolescente (15 anos) mudando o rumo de outro ser (mais velho 3), dando a direção necessária para esse outro ser ter nas letras, o seu entendimento de mundo!...
Minha inesquecível amiga, na época
teen, jamais me abandonou, uma vez que foi responsável pelo meu "parto" literário!
Era um tal de pegar endereço para registros, ver nome de editora, acompanhar concursos de poesia, mostrar poemas para os professores, recitar versos para a turma, fazer propagandas de meu talento para amigos e parentes!...
Nossa amizade se consolidou mesmo quando ela tinha seus 16 e eu 19, ao fornecermos material prático para textos.
Ríamos muito em todas as aulas, paquerávamos os gatinhos do Calçadão (e os gatões também; não deixávamos de fora os "coroas" descolados! haha), "arruinávamos" as músicas dos grandes artistas, assistíamos filmes pornôs na casa de uma amiga dela (achávamos mais graça que apreciávamos o "enredo"!), comentávamos sobre todas as bandas de rock (Quem ficou com a orelha vermelha? Ah,
Scorpions, Aerosmith, Guns N'Roses, Poison (o vocalista tinha saído nu na época! Uau!!!!),
Ugly Kid Joe, Nirvana, 4 Non Blondes, e lógico,
Bon Jovi, a maior fissura dela na época. Até
Barry Manilow, que já tinha sumido da mídia fazia tempo, e nem de rock era, entrou na "dança"...), contávamos piadas doidas, imitávamos celebridades, "gastávamos" inglês, evitávamos assuntos de família...
Ela é uma sagitariana dupla (sagitário com ascendente em sagitário), portanto, criatividade não lhe faltava!
Sempre inventava moda, mas eu a cortava, com o lado capricorniano bem definido.
Levava em conta tudo o que eu dizia porque, se a racional Mary não achava correto, é claro que não se devia fazer...
Dentre as suas muitas "invenções", estavam a arte de desenhar, costurar, pintar, interpretar, cantar e cozinhar.
Só não se arriscava a escrever pois euzinha já tinha "patenteado" o dom...
Impulsiva, não era à toa que quase todas suas elucidações tivessem um
post scriptum (o insubstituível
P.S., que causava-lhe
frissom).
Muitas vezes, já longe, me chamava para contar algo que acabara de se lembrar:
"Ah, não deixa de assistir...", "Vê se traz...", " Antes que eu esqueça...", o que, evidentemente, levava a mania para cartas, com o literal
P.S. no final das poucas que me enviou.
Adorava entoar meu nome com pronúncia em francês, e dizia que meu sobrenome era de rico, só porque conhecia uma única família abastada que, por acaso, era Miranda...
Azucrinava meu senso intelectual com aquelas porcarias de coleção
Sabrina,
Júlia,
Bianca e afins, me arrastando para sebos e bancas de jornal para comprar e/ ou trocar aquelas amarrotadas folhas.
Não satisfeita, meus ouvidos eram obrigados a escutar suas dublagens (perfeitas!), das novelas mexicanas, seu estilo de novela favorito.
Senso da minha intelectualidade resgatava - por ser leitora voraz e eclética - ao ler desde
O Silêncio dos Inocentes a romances medievais de Barbara Cartland, não ignorando os açucarados - mas inteligentes - de sua predileta Danielle Steel.
"Colirizava" meus olhos com fotos dos irmãos Baldwin - em número de 5- liderados pelo até então delicioso Alec.
(Porém, Brad Pitt andava balançando geral para o meu lado, após
Entrevista Com o Vampiro...)
Minha maior amiga do Ensino Médio; uma das maiores amigas de todo o sempre...
Enquanto viver, meu coração estará habitado por essas eternas lembranças de amizade verdadeira, de lealdade, carinho e tudo o mais que podemos sentir por outro ser humano.
Perdemos o contato; mania nojenta a de todos nós, de deixarmos passar dias, meses, anos, no eterno :"Amanhã ligo pra ela!", um amanhã infindável...
Não poderia, enquanto nos pulmões entrar combustível de viver, esquecer da soberba que minha querida amiga sem querer me causou.
Quando já adulta, ao nos reencontrarmos, ao dizer com doçura e humildade a mim:
"Nunca gostei de poemas, Mary. Até comprei um livro desses famosos, mas quer saber? Só gosto dos seus..."
Que me perdoem
Fernando Pessoa, Carlos Drummond, Cecília Meireles ou Vinícius de Moraes, meus idolatrados poetas, porque naquele momento, o mar era meu, e não seriam vocês quem cortariam a minha onda...
Surfei na "rainha", voltando serena e envolta para as areias que me recepcionaram com rapapés honoráveis!
Para você, minha amiga, dedico o poema que evidenciei aqui!
Minha felicidade plena é ter te entregue ao vivo o mesmo, há alguns anos (Sua emoção foi explosiva, como eu já esperava, que me contagiou).
Qualquer dia ainda nos reencontraremos, com a permissão do Pai, e se possível, escreveremos mais páginas para a nossa história de vida.
E se não houverem mais delas em comum, sorriremos daquelas que jamais poderão nos arrancar...
Porque o que vivemos, é passado, mas não ultrapassado!...
Beijos,
P.S.!
P.S.
Aqui vamos nós, amiga,
Na corrente que se chama "lembrar".
Venha cá, se achegue,
Não se acanhe!
A idade adulta serve pra tudo,
Menos para se "adultar"!
Um dia, quando fomos normalistas,
Costumávamos rir de tudo e todos,
E tudo era motivo para uma grande festa,
Numa alegria que ninguém contesta!
Sim, já tivemos 16 e 19 anos...
Alguém poderia dizer que tínhamos atos insanos?
Cabelos presos ou soltos,
Era gostoso "azarar" os meninos!
Belos ou não,
Que poderiam passar desapercebidos,
Com seus olhares fingidos,
E "floresta" em exibição.
Mas, nós nunca os esquecíamos,
E fazíamos do fato, uma celebração...
Por acaso se esqueceu do Belo Anônimo do Calçadão?
"Recordar é viver", diz uma frase antiga,
Mas você a considera "velha", amiga?
Uma frase que nos impulsona os pulmões para um próximo respirar?
Frase que traz canções para nos acalentar
Em forma de Bon Jovi, Roupa Nova, Barry Manilow e Lulu Santos,
E tantos outros que nos façam suspirar?
Por falar nisso, não esqueço nossa desafinação,
Em alguma pobre vítima canção,
Fosse ela Ready to take..., Miracle ou Good-bye,
E algumas mais,
Que a memória não me traz,
Em dias que a aula poderia ser matada!
Sim, Sapato Velho e Dona também embarcaram,
Com muitas outras mergulharam,
E em nossa voz se afundaram,
Junto com a doce Sereia, nessa canoa furada!...
Você, a mais chegada,
Que fazia de mim, integrante,
Daquela turma falante,
Transformava a minha voz calada,
Num som tão ressonante!
E o "claustro", quem poderia se esquecer?
Eu descobri que ele tem até "catre",
Conforme há pouco me informara você,
Nessa sua fuga da realidade...
Como me arrependo, que maldade!
Ter apelidado de "Te amo, te odeio",
Os seus romances água-com-açúcar
Que são qualquer coisa, menos futilidade!...
É, eu nunca consegui te expressar o meu carinho...
Dizer que te sou grata, é inferiorizar e resumir a nossa amizade!Não, não me venha dizer que já te fiz homenagem,
Com aquele "Um dia de liberdade"!
Não, um poema para borboletas em agenda,
Não bastam para expor todo o orgulho por tê-la como amiga!
Agora tomo vergonha, deixo de lado a fadiga,
E te falo, sem professores pra nos darem uma reprimenda...
O que quero dizer é que, agora, é pra VOCÊ!
E quero que reconheça cada linha como sua;
Escrevo pra VOCÊ,
Não para algo que possua!...
Perdoe-me se as lembranças me falham
E se VOCÊ é muito mais que isso que essas letras te levam,
Mas te peço compreensão.
Afinal, não é todo dia que se "nasce" com inspiração!
Sim, acredite, dia após outro, eu só faço "nascer" pra me lembrar,
E sempre, sempre me envolve a recordação
Que eu só nasci pra me expressar,
Com palavras escritas,
Em letras impressas ou manuscritas,
Naquele belo dia em que,
Sem nenhuma pretensão,
Dei para você ler um poema meu
E que com ar de nobreza todo seu,
Vibrou a minha audição
Com a singela frase: VOCÊ É POETISA!
Quando eu ainda assinava o pseudônimo Marisa...
Depois disso, o que fazer?
É só continuar "poetisando"...
E para VOCÊ te falo ainda:
"Segure a barra te ter envaidecido a escritora!"
E te envaideço também,
Para ir mais além,
Minha querida, ávida leitora:
A poetisa, sem VOCÊ, não existiria;
A poetisa, sem VOCÊ, não surgiria;
A poetisa, sem VOCÊ, não "nasceria"!
E como chegar à idade adulta, amiga,
Uma escritora que não "nasceu" pra escrever?
Ou uma escritora que não que se lembrasse,
Que quem lhe deu a luz literária foi alguém especial...
Preciso dizer?
VOCÊ!
É, minha amiga, segure a barra de ter me incentivado neste mundo,
No único mundo que realmente me conheço,
No único mundo em que nunca padeço,
No mundo em que cresço e apareço,
A cada dia,
Me perpetuando na recordação e fantasia!
Venha cá, minha amiga querida,
Não se acanhe!
A idade adulta é muito boa:
Serve para nos dar uma saudade danada!
E para colocarmos em prática tudo aquilo que você me incentivara:
Transformar pedras em escalada;
Ficar na onda de tudo e saber nada de nada;
E escrever sempre quando a boca estiver fechada...
...Sabe de uma coisa?
Por tudo que lembro ou não,
(Não quero ficar errada!)
Deixo a "responsa" para o meu simplista coração -
Chega de esticada!...
Termino dizendo a tão pura e simples,
Embora, neste momento, para mim, seja a palavra mais rebuscada:
OBRIGADA!!!!
(
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