
Conte de 1 até 10, e veja no que isso vai dar: frustração!
É uma arte não ser "barraqueiro", arte que devo ter desenvolvido, pelo correr dos anos, pela insistência em acreditar na paz, pela força que emana do ser quando sente que vai explodir!...
Motivos para ser mal-educada? Oras, vá plantar batatas aquele que nunca perdeu o prumo!...
Estava cá com meus botões pensando no quanto somos maltratados no decorrer de nossa existência, por não querermos posar de maus ou "sem noção" em público, reclamando, aos berros, das insutilezas dos nossos amigos de jornada terrestre...
"Jeitinho brasileiro" uma ova, de gente que "fura" a fila e se finge de desentendida!
Se você posar de "bacana", educadinho de meia-tigela, naturalmente vai se identificar com os demagogos - eu já "furei" fila!- , mas até para a deseducação, existe freada!
Quieta, embora cálida para pulos em pescoço (meus 30 minutos estagnados perfuravam sensos!) , páro segundos, me encolho no "não-vexame". Arte nascida em mim, credo dos vangloriosos, assoberbados procuradores de evolução!...
Uma vez não me aprofundei no olhar e sorriso de um cidadão trabalhador num supermercado daqui de perto.
Peço para pesar as maçãs, e ele sugere falta de posses financeiras minhas:
- Essa é argentina, é das mais caras... - meu silêncio não o arrefeceu.
- Deu 11 reais! - conclui o subordinado, renitente em querer me humilhar.
Minha face de quem acordou e foi fazer compra, deve tê-lo feito tirar conclusões precipitadas: apesar do rosto "amassado", eu tinha dinheiro para pagar! (Talvez ele pensasse que o bolso diminui, quando leva susto com cara feia de sono!...)
O "barraco" não caiu, a face só se fechou ainda mais, buscando mais conta para pagar com hortifrutigranjeiros abarrotando o carrinho...
- Otário! - o ofendi em pensamentos - Eu vim prevenida! Vim com grana para fazer compra de um mês inteiro!...
Não havia exagero meu, porque era comida para durar muito tempo, aquelas de freezer, que esquecemos do que temos para oferecer ao estômago...
Alcancei a "Era Ficha Telefônica", aquele desperdício de tempo, rezadores de não cair na hora H dos altos papos!
Telefone público, eterno convite aos palavrões, todo mundo na espera do infeliz que cismou de perguntar sobre os membros esquecíveis da família do amigo distante!
Minha mãe não fez por menos quando numa dessas investidas, umas idiotas riam dela, no momento que tentava falar com parentes, debaixo da decepção do quanto estragamos nossos serviços! ( Um "ocupado" que não se findava...)
Bateu o aparelho, com a carranca mais perfurante para as duas, emitindo umas verdades sem impropérios:
-Suas debochadas! Agora engulam o telefone... (Como tive orgulho dela ali, por mostrar que o lado "barraco" pode ser imponente em dados momentos!)
Uma tímida adolescente em seus 12 anos, essa voz que aqui se abre, certa vez "barraqueou"!
Em jogo de queimada, que desconhecia as regras certas, eu rodopiava de um lado ao outro. Pouca força eu tinha para atingir os experts da equipe adversária!
Quem estava lá perto riu de mim, mas nenhuma de maneira tão aniquiladora de ânimos, como uma garota da outra turma!
Cansada de ser afrontada, larguei o jogo no meio da partida, soltando uns palavrões brandos para a menina zombeteira.
Continuei tímida por muitos anos ainda, mas o meu "barraco" de momento me deu mais segurança e um certo respeito por parte de quem assistiu minha coragem de "esportista".
Sempre acho que é perseguição comigo, quando sou espezinhada...
É colega que gargalha dos meus sucos com pouco açúcar, gerente de loja que se recusa a fazer troca no sábado ( e eu sei que ele poderia se quisesse!), é sujismunda que abre a janela do carro e não joga sua imundície na lixeira, é gente que finge que não me vê na rua e comércios que até hoje não sabem que o cliente sempre tem razão!...
No campo "atendimento", se eu fosse "barraquear", não teria garganta para evidenciar meus sons guturais!...
Serviços prestados por telefonia, mando ver; não me seguro em comportamento "mocinha educada". Sem baixar o nível, explicando "tintim por tintim" meu objetivo, mostrando que tenho poucos amigos!...
Outros atendimentos, me comporto. Um público à volta quase sempre me tolhe...
Comércio local se trumbica porque, se não sou bem tratada, não mais meus pés "limparão" seus estabelecimentos "sujos"!
Fulgurando na última, um filho de comerciante - deve trabalhar forçado- receberá de mim o tratamento futuro - e ele desconhece- que forneço aos que pensam que são melhores que os clientes: o DESPREZO!
Pergunto se vende luvas de borracha (lido com bactéria, zoonose altamente contagiosa, não posso facilitar!) e o sujeito me olha como se eu tivesse pedindo esmola.
- Luva de mão? ( E haveria outra? Sim, ele está certo: existe a luva de instalação hidráulica e elétrica...)
Um outro cliente ficou rindo da pergunta (o filho do dono ficou magoadinho, talvez...), indo ele buscar o produto.
Entrega de má vontade, eu querendo pagar ( acho que ele pensava que fosse eu mesmo uma pedinte...), pergunto o preço.
Responde baixinho, com sua cara "de região glútea":
- Quatro reais.
Quem me explicou tudo sobre luvas, foi o cliente risonho, que não havia debochado do atendente, apenas achou interessante a imaginada desinformação do outro.
Fiquei sabendo que aquele era um protetor muito forte e que eu poderia lavar diversas vezes pois tinha alta resistência.
Ainda me sugeriu a luva veterinária, adquirida em farmácias, que tem, como particularidade, ser descartável. Optei por aquela que se pode usar mais de uma vez...
Para o atendente da loja, resignei-me a esperar o troco, e sair vigorosamente idealista em não mais voltar...
Essa é uma passagem momentaneamente "última". Outras virão, e terei que ser firme em não "armar barracos"!
Se uma pessoa é "pavio curto", nem deve sair de casa. É andar uns minutos, e o sangue fervilhar a cabeça!...
Acredito que contar de 1 até 10, 100, 1000 e não estourar, pode entrar no rol das ciências de laboratório.
Questiono aos entendidos, se não haveria algum mecanismo diferenciador dentro do cérebro humano, que faz umas pessoas mais zen que outras.
Por tantas que já passei, sabendo por antecedência que não tenho como evitar, opto, por desconhecimento da fisiologia humana cerebral, a minha tese da arte.
É uma dessas artes que não se aprende em escola, e que faz de nós, buscadores internos.
Se o preço a se pagar é a vergonha de sermos tachados de "barraqueiros" injustamente, é mais do que correto apaziguarmos os ânimos exaltados.
Afinal, esses "maiorais" que nos ofendem, agem como folcloricamente Dom João VI (ninguém confirma se foi verdade!), que respondera ao povo saltitante quando o saudaram com o "Viva El-Rei!":
- "Viva El-Rei!"... Vós estais aí a pé e eu, cá de cocho!...
Não vamos oferecer espetáculo para os esnobes!
Nosso silêncio e desprezo são armas vitais para desmoronamento de qualquer ego inflado...
(Imagem:
http://mundodeaquarela.blogspot.com
Edição de imagem:
http://marymiranda-fatosdefato.blogspot.com )
















